




















"A televisão me deixou burro
O Lúdico Circo da Memória está em cartaz no Galpão Cine Horto. Trata-se de uma montagem teatral que comemora os 10 anos de Galpão Cine Horto. Na edição especial do Oficinão 2007, foram convidados como coordenadores o Diretor Francisco Medeiros, a preparadora de atores Tiche Vinna e o Dramaturgo Luiz Aberto de Abreu, três artistas de qualidade superior.
Queridos leitintes, Belo horizonte é Belo Horizonte... Acabou ontem o FAN - Festival de Arte Negra, foram 8 dias de arte na veia, momentos de muita emoção. Na primeira noite fomos presenteados pelo povo do deserto, um grupo formado em um campo de refugiados da região de Timbuktu, Mali. Tartit é uma banda de Tuaregs constituída por cinco mulheres e quatro homens, foi emoção do início ao fim. Na segunda noite foi a vez da dança contemporanea, "waxtaan" da Cia Jant-Bi (Senegal), pura energia, dificil ficar parado. Depois fui ver o Grupo FAN aqui de BH com o espetaculo "Arvore do conhecimento", foi bom, mas poderia ser melhor... Sei que no sabado eu vi uma das coisas mas inquietantes que já tive a oportunidade de ver, o espetáculo "Zumbi Somos Nós", do coletivo Frente 3 de Fevereiro (SP)... Tapa na cara "...O Brasil tem tradição escravocrata, a direita tem tradição escravocrata, a esquerda tem tradição escravocrata, os negros tem tradição escravocrata...", os caras não medem esforços para combater o racismo, eles saem as ruas, fazem da arte um instrumento de luta... Vi duas vezes no mesmo dia, uma aula de negritude.
É fato incontestado que, enquanto era baixo o preço dos escravos, raras crias vingavam nas fazendas. Viajava-se pelos munícipios se Piraí, Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, observando os eitos do serviço... Quase tudo africanos, notava-se uma exceção, e não havia muitas outras,
de uma grande fazenda cujo proprietario orfão se educava em um outro país estrangeiro, essa povoava-se naturalmente por crioulos, para quê?



Com um olhar firme e seguro, vou buscar nos meus antepassados algum tipo de argumento que nos faça refletir sobre o que se passa, as vezes , na cabeça do artista brasileiro... Chamo aqui nestas minhas palavras, Grotowski, Lope de Vega, Artaud, Bertolt Brecht, Stanislavski, Zé Celso, Yan Michaski, Rubens Corrêa, Vianinha, Nelson Rodrigues, "Geraldo" Tomaz, Antunes Filho... Todos esses e outros que de alguma forma fortalecem nossas crenças e qualidades artisticas.
"A arte não é regida por principios democraticos"
"A mise en scene só existe na pratica"
"Não há classes no teatro"
"Devemos cultivar a palavra. Não deixa-la sucumbir às pressões de nossa época. As novas gerações desprezam a palavra porque elas foram superadas pela imagem"
"Critica ao essencialismo - Quando você chega lá, não ha lá, lá!"
"Enquanto artista, quanto mais tempo o ator permanecer uma criança, melhor. A maturidade precoce, sob a forma do compromisso, não faz bem algum"
Hoje fomos ver "Geraldo"
Será que o nome tem haver com o diretor Gerald Thomas, acho que não.
Estéticamente era interessante, tinha video, cenário com dois ambientes, o fora e o dentro, luz em perfeita hamonia, gente estética que fez a lição de casa. Pós moderno? Contemporaneo? Dissso eu nao entendo, por isso não poderia falar sobre isso. Quero falar de vida, gente estética morreu, sucubiu na propria soberba, se esqueceu de comunicar, foi buscar na plástica a falta de comunicabilidade. Esse tipo de arte tem classe, classe social, teatro para altas camadas da sociedade, gente que gosta de pensar. Foi pensando que sai do teatro, foi pensando que me fiz perguntas e pensando escrevo aqui agora. Onde foi parar a poesia? O suspiro de se estar no teatro? To falando do que vi ontem, nenhuma lamentação existencialista, tem muita gente por ai que faz teatro "Contemporaneo" com conteudo e desafio.
Sabor: Gosto de ir ao teatro e esquecer que estou no teatro, só pra lembrar em alguns momentos e suspirar. Ontem fui ao teatro e tava lá no teatro, vendo o teatro sai do teatro. Foi como ir ao teatro olhar e sair, confesso que um pouco triste de ver tanto desperdicio, tanta falta de rigor, tanta possibilidade jogada fora.
Sou do tipo que prefere ver um babuino gritando doque ver um monte de macacos fingindo que são macacos. O texto, na minha opinião e na do Chaplin, se for dito deve ser dito como quem diz alguma coisa e não como quem simplesmente diz alguma coisa, esse "simplesmente dizer" não cabe no teatro, em nehuma arte, se for pra simplesmente dizer não diga, guarde pra você. Por isso o Carlitos dizia tanto sem dizer uma palavra.
O manual do teatro contemporaneo, pos moderno, é vendido nas melhores casas do ramo, desde de 1970/80 a gente trava esse duelo com o modernismo, a gente não, os Americanos, a gente tava vivendo a possibilidade da abertura e da anistia politica. Penso ainda no teatro sem classe, desses que minha mãe vai entender, digo entender... Coisa que alguns tentam dizer que está fora de uso. Entender o que? Entender o que se diz, como se diz. Não digo a historinha, digo a historia. Ali, no momento presente, a historia daquele ser em conflito, em conflito de morte! A beira da loucura! Ator usando seus musculos, sua voz, sua alma para nos proporcionar um momento de magia pura, de encontro com um ser novo.
Nem sei bem do que estou falando, mas de uma coisa é certa, se estou falando é por pura nessecidade.
Viva o que é vivo!
Meus amigos e queridos leitintes, tenho acompanhado de perto as discussões, debates, gritos e grunhidos em torno do famigerado filme Tropa de Elite... O diretor José Padilha que na epoca de Onibus 174 foi aclamado como diretor de extrema esquerda, agora, as mãos que um dia o acariciaram esbofeteiam, ele é "dedado" como extrema direita. 
Hoje indo para minha aula de canto, aqui em Belo Horizonte, passei por dois onibus escolares cheios de crianças, um dos onibus era do grupo dos repolhos e o outro era do grupo dos beterrebas. Foi aquela disputa, de um lado uns gritavam Repolho! Repolho! O outro grupo respondia Beterraba! Beterraba! Eu, claro, chorei, lebrei que eu já fui do grupo dos repolhos ou coisa parecida.
ESPELHO
Mas também você quer o que?
Você pode começar por colocar seu filho numa escola publica
Depois participar da educação do seu filho
Se juntar a outros pais e cobrar da escola um bom desempenho
Mas eu não tenho tempo, preciso trabalhar pra pagar minhas contas.
A escola do meu filho
O plano de saúde
As contas da casa de praia
IPVA de três carros
Minha academia
Eu tenho que trabalhar muito
Não posso ficar preocupada com a educação do meu filho.
O seu marido também trabalha?
E muito
Pra a gente poder manter nosso nível de vida
O que você acha da violência?
Olha! Eu sei que você vai dizer que nós temos culpa de tudo o acontece no Brasil
Nós quem?
A classe media
Nós que pagamos impostos para sustentar aqueles que não querem trabalhar
Pobre é tudo vagabundo
Você tem empregada em casa?
Tenho
O que você acha dela?
Ela é ótima, mas não tem estudo.
Você viveria sem a sua empregada?
Claro que não...
É ela quem leva o Junior pra escola
Lava a roupa, passa.
Trabalha duro mesmo
Ela é pobre?
É. Mas é diferente
Onde ela mora?
Acho que em uma favela lá em Campo Grande
Você sabe que horas ela sai de casa?
Você já foi ver a casa dela?
Sabe se os filhos dela têm companhia para ir a escola?
O que você quer que eu faça?
Ela não estudou!
Se ela tivesse estudado, seria sua empregada?
Claro que não, seria, talvez, medica!
E quem iria cuidar da sua casa?
Outra qualquer, que não tenha estudado.
Essas pessoas não podem culpar a gente pela merda em que enfiaram suas próprias vidas
Você acha que seu filho tem a mesma chance na vida que os filhos de sua domestica?
Claro que sim
Tem que se esforçar
Sei lá, correr atrás.
Arrumar alguma coisa pela qual ele se apaixone
Eu não sei e a culpa não é minha
E se eu lhe dissesse que o filho da sua empregada
É uma pessoa de posses
Que tem muito poder
Que faz o que gosta
Desde cedo mostrou talento
E agora é quase um comandante
Olha. Eu fico feliz, deve ter se esforçado.
Esse tipo de gente quando gosta de uma coisa vai longe
Posso lhe perguntar o que ele faz da vida
Ele é traficante de Drogas
Comerciante
Só podia ser
Esse tipo de gente ou vira Bandido
Ou pagodeiro
Ou jogador de futebol
De que tipo de gente você esta falando?
Você sabe
Não posso falar alto se não me processam
Fala
Eu guardo segredo
Tá, esses negrinhos.
Sempre tiveram muito talento para o roubo
Mas trabalhar mesmo só a base da chicotada
Você vai me desculpar, mas eu não tenho tempo, não inventei essa regra da vida.
O certo é o seguinte
Eu estudei
Sou Médica
Trabalho bastante, pra inclusive manter a minha empregada.
E tenho que ficar de olho se não ela me rouba
Por isso, posso ter o que quiser...
Vou até comprar outro apartamento
Quero que meu filho
Estude numa boa faculdade publica
E já comece sua vida com um bom apartamento
Uma pena se o filho da coisinha é bandido
Como já disse, não tenho culpa...
Tomara que morra antes que queira matar um inocente, como meu filho.
A policia tem que matar logo pra que a gente possa continuar vivendo em paz.
Mas uma ultima pergunta,
Você acredita em Deus?
Claro, vou sempre à igreja...
Sou uma pessoa de muita fé
Então, pra finalizar, você sabe rezar?
Sim, por quê?
Você vai precisar...
Reza piranha!
Fulano puxa uma arma e sem pena lhe dá um tiro certeiro
Ela cai morta
De mãos juntas como quem reza.
Reza Piranha!
Seu corpo ainda fica um tempo estrebuchando
E logo se congela em meio ao sangue.
Culpada! Reza Piranha...
Matei tudo de ruim que havia em mim.
Qual não foi minha supresa ao passar pela TV cultura e encontrar o Mano Brown dando uma entrevista no Roda Viva, foi uma lenhada atras da outra. Gostei muito de ouvir essa figuraça que é lider da banda Racionais MCs. Uma visão menos romantica da vida na favela. O cara tem uma capacidade de mostrar uma situação, sem essa de guerra, sem essa de ficar julgando a bandidagem, que ele chama respeitosamente de comerciante. Da pra ver claramente o que é respeito, uma outra especie de sabedoria, um tipo de homem que não fica floriando o raciocinio, nem fazendo discurso pra burgues achar bonito, é na lata, na raça... Com uma consciencia nativa, com uma visão de quem sabe como são a coisas... Sem sonhos e devaneios. Gostei de ver um cara que estudou só até a oitava serie, que faz uma poesia firme, digna, que tem uma inteligencia da vida, uma consciencia de si mesmo sem a vaidade daqueles que estão procurando ser reconhecidos. Um lider sem a pretenção de ser. Eu fico imaginando a vida que esses caras levaram, é só o que posso fazer, imaginar. Eu nao sou muito fã de Rip Rop, mas sempre admirei esse tipo de atitude, firme, de senso critico e malandragem refinada, são poucos esses poetas. Esses inventam o proprio modo de viver e sobrevivem como animais e por isso superam as espectativas da raça humano. É uma luta de vida. Um guerreiro admiravel.
Ola, queridos leitintes e Macacada em geral. Voltei a ter internet em casa, apois um longo periodo de lan, a coisa toda voltou ao normal... Posso dividir aqui no cantinho as coisas me atravessaram nestes meses de cidade nova.
O publico ficava na plateia do teatro e também em uma arquibancanda sobre o palco. Um grupo de jovens se colocou nesta arquibancanda. O coisa toda começou e alguns destes jovens se manifestaram com sons, ou palmas em horas não esperadas. O coordenador do projeto se sentiu incomodado e "interviu na intervenção". Como tudo isso aconteceu no palco o público que estava na palteia percebeu que algo estava estranho, eu mesmo, achei que o coordenador fosse o professor dos jovens que não havia aprovado a ação legitima dos meninos. No debate nós ficamos sabendo o dialogo da ação; o coordenador disse para os rapazes que não estava certo intervir daquela maneira. O garotos se defenderam dizendo que eles estavam se sentindo impelidos a participar, pois desde o momento que eles entraram no teatro já não eram simples espectadores. Alguns disseram que concordavam com o coordenador, que ali era o momento apenas de observar, outros, como eu, achavam legitima a manifestação e que não havia nos rapazes um manifestação de boicoite. 

Procuro viver cada momento. Aproveito o máximo minhas experiências
Nestes anos todos, desde que comecei a fazer teatro, (Porque comecei?) foram anos inteiros, dias corridos, horas profundas, pessoas interessantes, o prazer de se sentir vivo... Na universidade, no curso com o Mario de Oliveira, na C.A.L., na Martins Pena, em todos os espetáculos e grupos do qual fiz e faço parte, teatro empresa e nas escolas. Em todos estes lugares conheci pessoas estranhas incríveis e quem não é estranhamente incrível. Como natureza naturante e natureza naturada fui me transformando, vivi independente de mim.
Agora, que tudo começa a fazer sentido, como escolhas, como coisa que se transmuta, sempre em relação, no relacional das relações, tenho me feito perguntas, o que faço com tudo isso que sou? Qual será minha função?
Tomo parte, logo existo... Se Deus é as arvores, as folhas, os rios, os homens, a substancia, acredito nele como Deus que sou... Ligado a tudo e a todos numa mesma substancia de modos diferentes... Nada é igual; todos, tudo, coisa, mundo... Tudo faz parte de uma mesma essência em movimento, feita de pluralidade, de multiplicidade... A vida segue independente da gente.
Minha função talvez seja essa, estar vivo e vivo viver. Por tanto as próximas horas farei tudo novamente, não olharei simplesmente, não falarei a toa, não estarei só por estar, não julgarei meus atos, não pedirei permissão, não sofrerei a dor de culpa alguma, não haverá arrependimento. Também falarei só por falar, olharei só por olhar, estarei só por estar, viverei intensamente minhas expressões, meus sentimentos, darei ordens ao universo, gritarei aos céus, tomarei parte daquilo que sou parte e farei tudo isso independente de mim. Como corpo sem órgãos, rolarei pelos campos verdejantes. Vou chorar, desculpe mais eu vou chorar... E vou rir também, vou rir muito, não farei nada que seja pouco e pouco farei o que não seja nada, mas se nada fizer, farei nada muito, muito nada, vagarei pelo nada.
Comigo a coisa é minha potencia ativa de viver, minha vida nova é sempre nova. Vivo agora, neste instante. Impulsiono minhas forças ativas, minhas forças de criação, me deixo afetar sem ressentir, apenas sinto. Se algo é bom, me compõe e aumenta minha existência, se algo é mau, me decompõe e diminui minha existência, mas o fato é, seja uma paixão triste ou uma paixão alegre, ambas me fazem agir. A vida é ação, força, encontro, relação, disputa de força. A natureza é sempre positiva. Eu sou a natureza e ela, sou eu.
Hoje foi à noite do Fugant. Nosso filosofo particular, um pensador refinado. Saio sempre muito afetado. Parece que tudo que é dito, faz um sentido muito claro em minha experiência pessoal. Nesse encontro nós permanecemos com Nietzsche, entramos um pouco na má consciência, no ser ativo e reativo, no julgamento, no valor do bem e do mau, do útil e do inútil. Antes de transcrever o que anotei na aula, vou falar um pouco do que me afeta. O Fugant tem uma capacidade incrível de tirar de nós o chão, mostra aquilo que nos afasta do que podemos. Aponta o dedo na nossa própria historia e indica o porquê de sermos como somos. O poder da cultura que nos é imposta goela abaixo, o que é pior, com nossa conivência. Por isso estamos tão afastados daquilo que podemos. O tal do pecado infinito, a culpa, o medo. É disso que o poder se alimenta. Dá até medo quando você começa a fazer algumas relações simples, por exemplo, com as musicas de ninar (Boi, boi, boi. Boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta), na bandeira do Brasil esta escrito Ordem e progresso, tiraram até o amor da frase original, a frase inteira: Ordem, amor e progresso. Os sacerdotes construíram uma jaula para o ser ativo, com o intuito de proteger os reativos. O preço desta proteção é caro. Dura uma vida e mais muitas. Abaixo um pouco do que anotei do encontro com o Fugant: