Andando pelas ruas da cidade, passando em meio a tantos e tão poucos de mim, preso em meus pensamentos, desviando de tudo vou até o fim. "Não sei onde estou indo só sei que estou no meu caminho". Passa velho, branco, negro, grevista e pelego; passa mulher bonita, feia, sem jeito e com jeitinho de moça prosa; passa pobre, passa rico, passa você e passa eu também; passa boi, passada boiada, mas aquela que quero nunca passa; passa mendigo, nordestino, argentino e sem destino. Nas ruas da cidade, em meio a prédios que arranham o céu, um formigueiro inteiro de HOMENS e coisas que parecem HOMENS. Tudo em movimento, cada um carregando sua própria cruz, vindos de lá, de cá e indo para qualquer lugar. Vejo os sofrimentos, as alegrias e eu, que não sinto nada, passo carregando todo o peso do mundo em minhas costas. Aquele pobre homem deitado no chão, esfarrapado e solitário, não é diferente de mim. Penso na flor que um dia esteve em meu jardim e esqueço um pouco de tudo que vejo, esqueço um pouco de mim. Caminho pelas as ruas da cidade para evitar que em meus pés nasçam raízes, quero balançar e simplesmente ao vento me desfazer como bola de sabão. Tem dia que me sinto um chiclete amassado num canto sujo da cidade, de vez em quando vem alguém e pisa levando um pedaço de mim na sola do sapato. Se me falta coragem, me sobra vontade e vou seguindo a passos leves e pesados na solidão que assola e consola. A cidade não para, só cresce, o de cima morre e o debaixo mata, o debaixo morre, o de cima oprime. No jogo limpo da cidade a trapaça é regra (RIO 171). Passa a policia, corre o camelô e escorrega na merda da calçada. A calçada é um monte de merda cercada de buracos por todos os lados. Por que não fazemos uma guerra de pedras portuguesas? Pega policia, pega ladrão, não fica um negão, nem brancão. A cidade tá sempre lá, vai-se o homem fica a cidade. O rabecão levou o homem que não era eu e outro já estava por perto, na fila para o necrotério. Hoje tem sopão de graça na praça, a cidade é uma graça. Vai chover? Será que vai da praia amanha? Quando acaba a greve dos bancos? Você vai assistir algum filme do festival? Que horas abre o puteiro da Lapa? Sem respostas para minhas indagações pouco filosóficas vou cagando e andando. Vou mijar andando e se dé mole pra mim eu como.
2009-10-06
Você é má
Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nem um olhar
Nunca falou tudo bem
Tem, mas não dá
Sorrir jamais lhe convém
Você é má
Mas há de ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, não perde o trem
Sabe nadar
Mas nada sabe de alguém que sabe amar
Eu quero ser seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
E você mata!
Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nunca dará
Nem mesmo um simples amém
A deus dirá
Diz que não vai à belém
Você é má
Mas pode ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, finge tão bem
Sabe negar
Jamais dá a quem tem demais pra dar
Mas eu serei seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
Você mata!
Você dá nada a ninguém
Nem um olhar
Nunca falou tudo bem
Tem, mas não dá
Sorrir jamais lhe convém
Você é má
Mas há de ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, não perde o trem
Sabe nadar
Mas nada sabe de alguém que sabe amar
Eu quero ser seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
E você mata!
Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nunca dará
Nem mesmo um simples amém
A deus dirá
Diz que não vai à belém
Você é má
Mas pode ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, finge tão bem
Sabe negar
Jamais dá a quem tem demais pra dar
Mas eu serei seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
Você mata!
2009-10-04
Passeio de Domingo
Os macacos vão ao museu e se labuzam de arte. Nem percebem que são arte ao mesmo tempo. Somos um bando de macacos cagadores de regras, criadores de bons costumes e maneiras decentes. Entre nós tinha um macaco um pouco mais macaco, que não estava nem ai para os narizes impinados dos grandes entendedores de arte. O macaco chutou tudo, julgou, não entendeu e cuspiu. Alguns outros macacos polidos até acharam graça, como quem sente pena e rir da desgraça do menos refinado. (Olhem que bonitinho, nunca veio ao museu) Alguns outros levam aquilo tão a sério que chegam a ficar com raiva da falta de sensibilidade ou capacidade do macaco sem modos, como se aquilo tudo realmente fizesse diferença em suas vidas mediocres e controladas. Segui pensando no tipo de macaquice que quero fazer para tentar chegar dentro dos macacos, até os menos refinados, principalmente eles, e virá-los do avesso.
A cachorrada carioca
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Estávamos eu e Rorras de carro a toda velocidade, cortando a cidade da Zona oeste para Zona Sul. Madrugada de Domingo. Transito escorrendo bem. Nosso carro deslizava pelo asfalto. Chegamos as Laranjeiras, bairro de artistas e intelectuais. Na rua principal havia um agito de balada noturna, muitos carros e todo o tipo de gente bonita. Tudo estava ótimo até a cachorrada, com seu faro fino e olho vivo, sentir cheiro de lingüiça. Passamos embalados pelo cruzamento da Rua Alice no mesmo instante que uma patrulhinha fazia sua rondinha. O Rorras, cheio de alto confiança ao volante, não lhes deu passagem, feriu o orgulho da autoridade semi-analfabeta de plantão. Blitz, documento! Eles vieram atrás e nos fizeram parar. Pensei rápido: agora vou esperar os dois saírem do carro, saco minha pistola e deixo os dois se debatendo no chão em meio a poça de sangue. Pena que não tenho uma pistola, só a de cola, mas besuntá-los de cola quente não seria uma boa idéia. Um dos policiais chegou pela janela do motorista, um rapaz novo, de bigodes e os dedos da mão pesados de tantos anéis de ouro. Quase mando tirar os anéis, onde já se viu, um militar com penduricalhos parecendo um pai de santo de quinta categoria. O outro policial era mais velho, com cara de professor, cheio das velhas artimanhas para arrumar um dinheiro dos motoristas. Se eles fossem honestos não haveria espaço para tantos carros irregulares nos depósitos públicos. A situação faz o ladrão e eles tem o emprego certo.
O mais jovem pediu os documentos do carro e habilitação com certa educação, enquanto o mais velho, com cara de pai de família, ameaçava apreender o carro. O velho golpe do Cosme e Damião, um bate o outro assopra. O Rorras está com sua habilitação vencida e isso certamente é motivo para apreensão do veiculo, ponto para a cachorrada. O circo estava armado: o cachorro velho pegou os documentos, falou no rádio, chamou reboque... O cachorrinho aprendiz de corrupto veio logo com o papo mole de que tudo seria difícil se o carro fosse para o deposito e etc.
O mais jovem pediu os documentos do carro e habilitação com certa educação, enquanto o mais velho, com cara de pai de família, ameaçava apreender o carro. O velho golpe do Cosme e Damião, um bate o outro assopra. O Rorras está com sua habilitação vencida e isso certamente é motivo para apreensão do veiculo, ponto para a cachorrada. O circo estava armado: o cachorro velho pegou os documentos, falou no rádio, chamou reboque... O cachorrinho aprendiz de corrupto veio logo com o papo mole de que tudo seria difícil se o carro fosse para o deposito e etc.
- O que vocês podem fazer por nós – Mandou a gente entrar no carro para decidir o que podia ser feito.
Nessa hora eu pensei em tirar meu sinto e bater naquele moleque arteiro, depois coloca-lo de castigo.
Dentro do carro eu e Rorras decidimos não dá nada ou quase nada.
Nessa hora eu pensei em tirar meu sinto e bater naquele moleque arteiro, depois coloca-lo de castigo.
Dentro do carro eu e Rorras decidimos não dá nada ou quase nada.
- Vamos humilhar a cachorrada – Falei puxando uma nota de dois reais
- Reboque a essa hora da madrugada, duvido – Disse o Rorras puxando uma nota de cinco
O guardinha chegou perto da janela do carona e recebeu a triste notícia. Com a gente ele só arrumaria problemas. R$ 7,00 (Sete Reais) não compram dois cachorros quentes em Laranjeiras, mas era tudo que estávamos dispostos a dar, era pegar ou largar. A Cachorrada esfomeada não dispensa nada. O Guardinha reclamou um pouco, mas sacou a nossa, que sacamos a dele. [Apreensão do veículo àquela hora ia dar um trabalho e gente sabe que esse povo não está ali pra isso] Pegou a merrequinha e cascou fora. Fizemos a manobra mais à frente e ainda vimos os dois parados próximo a barraca de cachorro quente. O Rorras buzinou e eu acenei como se fossemos velhos amigos. Ambos tiveram que responder com sorrisos amarelos. Porcos fardados. No fundo eu gostaria que eles fossem honestos e apreendessem o carro, mas isso é pedir demais.
2009-10-03
O petroleo é nosso?
Então, seremos cede da Copa e das Olimpiadas? E temos motivos para comemorar? O governador, o presidente e o prefeitinho choraram? Lindo. Comovente. Lembrei da Princesa Isabel emocioanda ao assinar a Lei Aurea, os negros dançaram e festejaram por muitos dias... E depois? E agora José? Caga na mão e joga fora que esse filho não te pertence!
Como não se emocionar com a vibração do nosso povo? O problema é que a gente vibra junto pra coisas erradas. Eu não vou ficar aqui, como uma tia velha, me lamentando ou só reclamando, vou encher a cara de birita e deixar a vida correr solta, tratar de ganhar o meu e quem se fudeu, se fudeu. To forte na rima.
De repente a saúde melhora, a educação melhora... Daqui pra lá o prefeitinho vai ser o homem do choque de ordem, o governador vai passar o rodo em preto pobre favelado, que muitos chamam de bandido, eu chamo de marginal, mas já que tá na margem, vamos jogar logo para dentro do rio em sacos pretos. E assim o povo vai tomando sua dose de anestesia, os ricos ficam mais ricos e o Lula entra para a história como o presidente mais popular do mundo. "é o cara", como bem disse o chefe Obama.
É ISSO AI POVO... O NEGOCIO É BALANÇAR O BUNDÃO.
Será que o Michael Jordan faria seu Moon Walk se estivesse vivo?
2009-10-02
2009-10-01
Destemperado
As coisa são como são, não fico perdendo tempo me lamentando. Claro que fico triste, mesmo porque não sou nenhum idiota para ficar feliz o tempo todo.
é... tchau
Alegria é não perder tempo com papinhos que sejam sérios demais ou cheios de lógicas e profundidades. Porra, a vida e muito importante para ser levada a sério. Abre as pernas que eu quero vê o que tem ai, nem vem com esse papinho de mocinha, fica ai amarrando a porra da buceta, então eu não posso te fazer feliz. Tudo seria melhor se não houvesse tanta etiqueta de bons costumes. Vamos brincar na rede?
Então tá, "não dou nem Tchau", foda-se!
Outro dia conheci uma garota. Pediu-me as horas, de cara vi que ela tinha outras intenções. Ofereci um cigarro, ela aceitou, mas disse que só gostava de fumar depois de uma boa trepada. Achei bastante excitante o comentário e arrisquei um beijo. (Que boca macia e perfumada!) Ficamos ali num longo beijo apaixonado até que senti sua mão quente na minha bunda fria. Tudo estava acontecendo rápido demais. Parei para respirar um pouco, ela aproximou sua boca carnuda de minha orelha e sussurrou apertando forte minhas nadegas: - Eu vou te comer – e fechou a frase com um "garoto" que ecoou dentro do meu corpo inteiro só parando de reverberar na ponta do meu pau duro, gozei um jorro e minhas pernas ficaram bambas. Ela parecia saber exatamente o que estava fazendo. (acédio profissional) Depois acendeu o cigarro, olhou pra mim com um olhar de prazer máximo (dever cumprido), soprou a fumaça do cigarro, beijou-me, mordeu a ponta dos meus lábios até sangrar (Não senti dor alguma) e se despediu em silêncio, deixando-me totalmente apaixonado, indefeso, gozado e com o sangue escorrendo na boca. Fiquei olhando a garota que havia abusado de mim sem cerimônia partir sem cerimônia. Foi-se sem olhar para trás. Fiquei ainda tonto de prazer por alguns minutos e saí do shopping tentando disfarçar a mancha de porra no tecido da calça.
2009-09-30
Cossas
Entrei no apartamento que um dia já foi minha morada, nos bons anos do casamento. Até arrisquei chamar por ela, mesmo sabendo que era só um devaneio de puro saudosismo. Por alguns momentos engoli o choro que me subia na garganta. Passado que não volta é só ressentimento tolo. Abri a garrafa de uísque, tomei o primeiro gole, respirei fundo e fui curtir a festa no apartamento que agora não é mais nosso.
2009-09-29
afoguei-me
Cheguei na casa deste meu amigo, e sempre tem um bom amigo para desafogar as mágoas e ele me leu auto-ajuda, das boas, parece. Mas já no elevador, na subida para sua casa, só pensava no uísque que ele sempre tem para desafogar suas próprias mágoas. O uísque é mesmo o melhor amigo do homem, por conta disso os suicidas são em menor número que os alcoólatras. Sentei no seu quarto com o copo cheio e bebi querendo me embebedar, esse tipo de coisa me excita. Uma amiga chegou e na euforia aceitou beber comigo. Enquanto ela bebia apenas um copo eu já estava no quarto e querendo o quinto. Vimos um filme de aventura na Amazônia, faz parte da nossa pesquisa ver filmes que não nos leve a nada. Fiquei bêbado e passei por todas as fases; a paixão subiu pelos meus pés, uma nostalgia acompanhou-a e logo eu queria voar para "encontrar-me a mim mesmo". Fora a fantasia o resto foi sono. Cheguei em casa e tudo está bem, sinto falta de alguma coisa fora de mim, mas no fundo estou mesmo é preso dentro de mim. Liberta-miei logo.
2009-09-28
2009-09-27
...
Passei a vida inteira acreditando na aventura magnifica da vida. To cansado para continuar escrevendo. Durmo.
Minha querida Dinamarquesa
Fui correndo para ver se ela havia voltado para o mesmo ponto do ultímo encontro. Pensei ser possível vê-la novamente e, quem sabe, ela me perceba verdadeiramente. É uma paixão antiga, quando estou longe fico cheio de coragem, imaginando façanhas e ditos incríveis, mas quando tenho alguma oportunidade de aproximação minhas pernas enfraquecem e as placas do meu cérebro colam de tal maneira que não consigo nem me fazer notar. Outro dia a encontrei e foi tudo confuso, preferi fingir uma ar de "não estou nem ai", mesmo porque isso tudo é problema meu. - Oi, como vai? Depois nos falamos melhor. Beijos. - Disse isso e fui passando depressa. Eu sou um amante covarde.
Ahhhhhhhhhhhhhhh! (Odio!)
De verdade... to meio de saco cheio de ser tão resistente. Chorei por três dias e parei repentinamente prometendo a mim mesmo que jamais chorarei por amor, de nada vale chorar. O amor é um flor vermelha que nasce no coração dos fracos. De qualquer forma to com preguiça de reagir, as vezes penso em escolher uma rede confortável e ficar lá imóvel até que a morte me carregue em seus braços. Isso é só um pequeno desabafo, vou dormir e tudo não passará e ao mesmo tempo passarão.
2009-09-24
Plá
De boca aberta o índio recebeu os europeus como quem para diante do novo e perde qualquer poder de reação. Uma simples galinha pode se tornar um monstro assustador, com suas penas, bicos e cocoricar sinistros. De princípio era o choque e a esperança do contato com um Deus que lhes era sedutor. Quem não ficaria imóvel diante de uma nave de outro mundo? Imagino a cena de impacto: no horizonte o que é apenas um ponto preto vai aos poucos se transformando em uma enorme maquina flutuante, de onde descem homens de barbas longas e corpos de muitas texturas, com botas, chapéus e armaduras que lhes emprestam uma imagem de seres de outro mundo, o que de fato eram. O encontro de dois mundos distintos. Um horror de admiração dos dois lados nos diz Pero Vaz de Caminha. Dizem que nossos índios eram ingênuos, crianças a brincar no jardim do Édem, não estou certo disto. Tenho a ideia fixa de que eram simplesmente seres humanos com seus costumes e ideias próprias para explicar sua existência. Dizem que o Brasil é feito do pior da Europa, com o pior da África e com os piores nativos de toda América. Dizem, e quem diz? Que nossos índios, nossos? Eram preguiçosos, e por isso foram facilmente controlados, dominados, exterminados. Não estou bem certo disso. Estamos investigando para tentar entender a formação do povo brasileiro. São tantas lacunas de nossa própria história, mesmo porque quem ganha a guerra nos conta sua versão, nos falta uma parte importante, a versão do derrotado. E ai batemos cabeça, cagamos regras sobre si mesmos e etc... O que me toca nisso tudo é ter que acreditar que o ser humano é ganancioso por natureza, invejoso por natureza, uma praga por natureza. Dai não importam os Deuses, pois eles deviam estar loucos quando nos puseram no mundo. Nem vem com essa de que o mundo piorou. O mundo sempre foi essa merda admirável. Uma cagada de um Deus louco, tirânico e todo poderoso. Nesta merda divina somos os vermes a vagar pela superfície fétida do mundo de merda. Peida!
2009-09-21
HiHou!
OutroDiaCheioDeGraçaPorraQueria
PoderViverSemPrecisarDeDinheiro
MerdaDeFicçãoDiabolica
EsseCapetalismo
2009-09-20
Como vai voce?
O tempo atravessa e nos transforma naquilo que fomos feitos para nascer, fetos para viver. Não entendo muito de nada ou quase nada, só sei que sei de pouco e o pouco que sei é que me sustenta para querer saber um pouco mais. O resto é silêncio. Passados os anos percebo que mudei, fui atravessado por um monte de gente e situações diversas, mas no fundo sou o mesmo bom garoto de sempre, com um entendimento pratico da vida pratica. Nada que já não soubesse, como se em algum ponto da minha vida eu tivesse decidido ser o que sou. Meio que é assim com todo mundo, cada qual com suas atravessadas e travessias.
Como a minha vida é de pouco trauma, alguns dramas de dores finas, mas sem grandes conseqüências, quase que estou no mundo a passeio. Observo tudo com um ar de espectador de mim mesmo.
Tudopassatudofilmetudotrajetóriatudohistória
tudoquadrotudosensaçãotudovivotudomorto.
Tudopassatudofilmetudotrajetóriatudohistória
tudoquadrotudosensaçãotudovivotudomorto.
Deixei de ver pessoas por longos anos, namoradas amadas, amigos antigos e coisas, não os vejo nem sei de suas histórias, da vida que levam ou levaram até aqui. Adoraria sabê-las.
Esta semana encontrei uma antiga namorada, fazia quinze anos sem trocar palavra e nos encontramos para brincar quase que por acaso. Não digo que foi ótimo, mas estranhamente belo e grotesco, com alguns momentos de pura crueldade. Ela acreditando ter sido eu seu eterno príncipe perdido, depositou expectativa demais Fiquei pensando muito na trajetória, nas escolhas, nas esquinas e encruzilhadas. Gostei de saber que não seria possível, como não foi levar aquele tipo de vida que teria levado se na ocasião escolhesse o casamento. Como saber? Impossível. Senti pena e talvez volte a vê-la. Por enquanto adeus.
A sanidade é uma linha fina.
2009-09-16
O segredo do degredo.
Não sou do tipo que olha para uma buceta e fica de pau duro, de maneira alguma, não funciono desta maneira. Preiso sentir o cheiro, os cheiros de todo o corpo. Cada parte da mulher tem um perfume diferente. Não basta ser linda, tem de ter a buceta cheirosa e o cú também. De longe todas as mulheres precem apetitosas, de perto algumas são.
Essa noite fui a um puteiro no centro da cidade, o pulgueirão da Lapa, como é conhecido o estabelicimento. Paguei vinte pratas para tirar a mulher da casa, cem pratas para fazer sexo durante uma hora e dezessete mangos do hotel. Um hotel velho, úmido, com quartos sujos e com cheiro de perfume barato no ar. Travestis, putas e clientes circulam pelos corredores escuros, tudo ali tem odor e clima de orgia decadente.
Entrei na boate só para passa o tempo, nem estava muito interessado. Logo que adentrei ao recinto avistei uma negra dançarina com um belo corpo escultural, de curvas finas e arrojado desempenho no palco. Sua pele negra brilhava. Fiquei louco de pau duro. Antes que ela acabasse de dançar fui até elá e cantei a pedra. Paguei a taxa da casa e levei a Deusa africana para o hotel "Expelunca". Agora eu já estava envolvido e tinha de ir até o fim na brincadeira. Vesti o personagem do cafetão de quinta categoria e entramos no quarto como um casal em lua de mel.
Na luz branca do quarto sujo minha Deusa africana era apenas uma puta rampeira com cara de pobre coitada. Fomos para o banho e a esta altura eu já estava arrependido sem perder a pose. Depois que gozei senti uma profunda solidão com aquela mulher na cama me chamando de gostoso. Paguei seu cachê e mandei ela ir embora, queria ficar sozinho um tempo. O famoso cala a boca e não enche o saco.
Esse é o tipo de coisa que faço só para movimentar minha vida, talvez para ter o que escrever. Tomei um banho mesmo para tentar tirar aquele cheiro de mim, como se fosse possivel. Ainda fumei um cigarro sentado numa velha poltrona e diante daquele cenário sem vida chorei como um degradado.
No caminho para casa parei em um bar e tomei duas cervejas, logo tudo não passava de mais uma lembrança engraçada. Um dia vou comer a puta dos meus sonhos, enquanto isso experimento de tudo um pouco.
No caminho para casa parei em um bar e tomei duas cervejas, logo tudo não passava de mais uma lembrança engraçada. Um dia vou comer a puta dos meus sonhos, enquanto isso experimento de tudo um pouco.
2009-09-12
A morte do imortal
Voce já ouviu falar do imortal Antônio Olinto? Pois é... morreu aos 90 anos de idade nesta madrugada de Sabado (11/09). O presidente da ABL, Cícero Sandroni, já determinou luto oficial de três dias na academia, que, na próxima quinta-feira (17) estará realizando a sessão solene de saudade, quando será declarada aberta a vaga da cadeira número oito. Entre as muitas obras do escritor, está o romance "A casa da Água", de 1969, e livros de poesia como "Presença", "O Homem do Madrigal", "Nagasaki" e "O Dia da Ira".
Não sei porque resolvi escrever essa noticia, de cara eu desconfio de todos os imortais.
Quem será o sexto elemento da cadeira de número oito? Vai-se um escritor mortal, fica-se a obra imortal.
Salve!
2009-09-11
2009-09-10
Queroserbichoparamorarnolixo
é
foi ou na foi
culpado
bicho no lixo
certo ou errado
mataram com socos
condenados
o pai foi traído
do filho exige vingança
mimado
Nem me venha com essa
de fim do mundo
para de ser tão egoísta
voce nem é gostosa Ofélia
Classe média
bem média
uma merda fedida
Serei bicho
falarei baixo
do alto olharei
No lixo ficarei luxo
Nem adianta me abandonar
sempre há de pintar mistérios
Mas quanto artista
revolucionário
Vai defender
não se acovarde
tenha o que é seu
ou tome
O bicho homem do lixo
nem espanta mais
Sou um artista da fome
com fome
sem microfone
Daqui por diante não
fale mais de quem fui
como fui ou se fui
Ser ou não ser?
Eis a questão
Bebado falante
Sou do tipo que bebe mesmo para tentarse divertir ou para deixar a realidade turva
Sou do tipo que bebe mesmo para tentar se divertir ou para deixar a realidade turva.
Não quero >>>> Não posso
Estou cada vez mais gordo, pançudo mesmo. De um lado a cerveja inevitável do fim do dia, de outro as guloseimas deliciosas e por isso inevitáveis. A felicidade de um homem passa pela liberdade de fazer suas proprias escolhas, no entando se escolho comer e beber levo como castigo a pança. Estou preso a este corpo, liberdade de cú é rola.
Se quiser ser magro para conquistar as fêmeas de minha espécie, no fundo é disso que se trata, preciso evitar as escolhas que me distanciam deste objetivo. Tenho que malhar, comer salada e parar de beber cerveja. Para ser magro é preciso ser infeliz e medíocre. Daqui a pouco vou começar a fazer caminhada ecológica e a acordar cedo. Morrer não seria tão pior. Desculpe o fatalismo, mas quando me coloco, eu mesmo, contra a parede, fico me debatendo. Depois de um tempo tudo isso passa e vou passar o resto dos meus anos enchendo a cara e culpado por não ter um belo corpo escultural. Quem inventou este tipo de consciência deveria ser enforcado. Bom, vou seguindo, acreditando na santa leptina e no poder da alface. Tudo isso para poder tirar a camisa na praia sem que os magros infelizes me olhem com cara de escárnio. Morram!
2009-09-08
As cabeças Santas
Foram trazidas em cortejo, onze cabeças, cabeças de santas virgens, cortadas na fonte por cutelo afiado. O povo canta em louvor as cabeças. Um canto desafinado e forte. As cabeças virginais serão postas no altar sagrado da santa igreja para que todos os dias do ano os fieis possam toca-las pedindo graças em louvor de misericórdia. As santas cabeças cortadas por cutelo afiado foram trazidas de navio, armazenadas em um vidro sacro e conservadas pelo divino formol. Dizem que a noite as santas conversam entre si para dividir os pedidos e conceder as graças.
Alguns pescadores pecadores juram ter visto os espíritos das santas vagando pelo litoral à procura de suas cabeças. As cabeças das virgens santas que em vida se deram em sacrifício ao Deus todo poderoso e que, após a morte foram decapitadas por cutelo afiado, armazenadas e agora conversam entre si no altar da santa igreja. As santas cabeças operam milagres e por onde passam, as cabeças, em cortejo são louvadas com muita fé e devoção.
Da história das santas sabe-se que elas viviam em mosteiro protegido e foram criadas virgens preparando-se para o sacrifício. Foram sacrificadas em dia santo por um padre de mãos firmes e sem gritos de dor foram separadas, as cabeças, de seus corpos por um cutelo afiado. Os corpos sem as cabeças dançaram ainda um longo tempo antes do falecimento total dos orgãos sem cabeça. O santo sacro-ofício foi assistido por uma multidão que entoava um cântico que dizia: Santas virgens/ que em vida serviram ao Deus/ leva de nós todos os pecados/ santo é o vosso ato de união/ santa é nossa igreja/ que o sangue derramado lave a terra de todo o mal/ que suas cabeças abençoem todo o povo civilizado e temente a Deus/ que nossos inimigos não tenham pernas nem braços/ Que suas cabeças santas nos protejam/ amém.
Da história das santas sabe-se que elas viviam em mosteiro protegido e foram criadas virgens preparando-se para o sacrifício. Foram sacrificadas em dia santo por um padre de mãos firmes e sem gritos de dor foram separadas, as cabeças, de seus corpos por um cutelo afiado. Os corpos sem as cabeças dançaram ainda um longo tempo antes do falecimento total dos orgãos sem cabeça. O santo sacro-ofício foi assistido por uma multidão que entoava um cântico que dizia: Santas virgens/ que em vida serviram ao Deus/ leva de nós todos os pecados/ santo é o vosso ato de união/ santa é nossa igreja/ que o sangue derramado lave a terra de todo o mal/ que suas cabeças abençoem todo o povo civilizado e temente a Deus/ que nossos inimigos não tenham pernas nem braços/ Que suas cabeças santas nos protejam/ amém.
Durante muitos anos as cabeças virginais serviram de símbolo de sacrifício e comprometimento com os ensinamentos da santa igreja. Nos dias de hoje, quando todos perdem a cabeça, as santas cabeças encontram-se perdidas no museu sacro. Poucos são os que louvam, muitos são os que se enojam. As santas cabeças virgens choram lágrimas de formol e não conversam mais entre si, calam-se diante do homem sem fé. O vigilante noturno do museu diz ouvi-las chorar e mal dizer o mundo.
As virgens decapitadas por cutelo afiado agora jazem solitárias e empoeiradas no deposito esquecido da igreja que já não é mais santa.
2009-09-07
Bem... hun... hun... testando
Hoje fiz tudo que um bom carioca pode fazer. Acordei tarde, fui a praia e fechei a noite bebendo cerveja e jogando sinuca. Nessas horas é que percebo o sentido da vida.
Ainda não me sinto totalmente livre depois da separação, para quem interessar possa. Sinto-me preso, amarrado ou culpado. Estou meio cansado de ter que responder as mesmas questões.
Deixei de querer ser melhor que os outros, isso já foi um ótimo passo para o futuro, que alias, estou com saudade. Fico querendo que a vida passe mais depressa e que algumas coisas sejam logo mortas. A coisa de matar ou deixar morrer o que não lhe presta mais, até boas lembranças. Me ocorreu um achado, uma frase do Pe. Anchieta: "Quanto mais na vida corro, mas me abraço com a morte, e querendo viver, morro".
Sabe que tenho pensando em ser outro, ou outra coisa qualquer que não gente. Tenho a sensação que gente é tão medíocre, então tenho pensado em ser qualquer outro tipo de troço. De qualquer forma, também penso em dormir mais cedo, me aplicar mais em meus negócios, melhorar minha alimentação. Começo a querer acreditar num tipo de vida que faça com que tudo dê mais certo. Dizem que preciso levar o mundo mais a sério, vou fingir que creio nisso e tentar me adequar. Dentro de mim arde um troço. Mas não sou do tipo que fica cheirando o rabo dos outros. O negocio é seguir meu próprio caminho, mesmo porque, no final, vamos todas cair fedendo. Ao pó volteremos. Essa vida é uma só, podem haver outras vidas, mais essa termina no final.
Acho que sou um cara triste, profundamente triste, mesmo que me divirta com toda essa baderna. A diversão é só pra tornar tudo mais suportável. Recuso-me a levar a ficção a sério... é exigir demais... Tá errado...
Faz tempo que acredito nesse artista que defende o mundo à minha volta, gosto de alimentar essa ficção onde sou o protagonista. Minha maneira de existir. Ser artista me legitima uma série de troços, como acordar tarde, ir a praia, tomar ceveja e jogar sinuca.
Não estou preocupado em ser o melhor, só não quero ser medíocre, disso tenho certeza, nada de ser o "bucha" do mundo. O resto é silêncio para os ouvidos poderem trabalhar bem.
Estou tentando viver sozinho, querendo não depender de nada ou ninguém. Ainda que ache tudo isso um saco.
Essa semana eu pensei muito no pai que beijou a filha na boca e foi preso. Soltem esse homem e deixem que ele beije a filha.
2009-09-03
Nada de sono
Cedo... tem dia que eu nem durmo, em outros durmo demais. Enquanto todos dormem estou acordado pensando em dormir, quando todos acordam estou dormindo pensando em acordar. Estou na contramão da vida. Sou do tipo Bon Vivant, não me aperto, dou sempre um jeito de tudo ter um jeito sem muito esforço ou esforço algum. Eu tive um pai que trabalhou demais, nao queria isso pra mim. Eu certamente não quero. Gosto de perder tempo com o lazer de não fazer nada. O que muitos chamam de vagabundo, chamo eu de eu mesmo. Posso dizer que as vezes sinto falta da velha agitação de outrora, mas de certo ela virá, enquanto isso vou curtindo aqui no meu barquinho ancorado na praia de mar calmo.
2009-09-02
Sou feliz?
2009-09-01
Mil coisas
A despeito de mim só posso dizer que as vezes me assola uma fossa que "puta que me pariu". Bebo e nado no lodo fétido e verde da minha vida de solteiro obrigado. O pior solteiro é o que prefere estar casado. No fim prefiro a vida de casal, pelo menos eu tinha uma mulher que me reclamava nos ouvidos e me beijava a ponta do nariz e quando eu estava triste ela bebia comigo e me desafiava a sair da merda. Hoje sinto falta dessa peste que nem sei por onde anda. Me disseram que ela estava triste o que, sarcasticamente, me dá um prazer enorme. Mesmo sabendo que sua tristeza não tem a ver com o fato dela ter me dado um pé na bunda. Sim, tomei um pé na bunda. Convenhamos, quem iria querer viver com um artista duro como eu. Gordo, beberrão, falastrão e com um ego do tamanho da Argentina. De fato ela ainda me aturou muito. Sou cheio de defeitos horrorosos. Acho foi pelo meu senso de humor. Duvido que ela encontre alguém que a faça rir tanto quanto eu.
Hoje acordei com vontade de ser outra coisa, uma árvore, uma pedra, uma galinha, um papel em branco esvoaçando por ai, um copo cheio de bebida alcoólica escorrendo pela garganta de um jovem intelectual; estava com vontade de ser qualquer coisa outra, uma mula sem cabeça, com cabeça eu já sou, um grão de areia nas dunas dos lençóis maranhense; qualquer coisa outra, queria ser a verdadeira garota de Ipanema, ou um cachorro de rua, a ideia de andar por ai livremente é bacana, sem ser atropelado; poderia ser uma caneca de café, um sabonete velho esquecido no tanque com fiapos de tecido seco; eu poderia ser um pombo suicida, ou uma peruca despenteada. Hoje eu poderia ser de tudo, só não queria ser esse troço insignificante e insuportável-mente que sou eu. Hoje acordei assim, sentindo uma falta da cadela que perdi por incapacidade, em vez disso, de me transformar em alguma coisa outra, parei em um bar sujo e bebi cachaça. A cachaça é um tipo de troço, de coisa, esquenta a moleira, então saí no tapa com o dono do bar só porque ele estava mais feliz que eu. Enfiei a cara na mão dele, apanhei com gosto de desgosto. Tem dia que é assim, mal posso esperar pelo dia de amanhã. Foda-se. Um dia vou ser outro tipo de coisa e ai quem sabe poderei ser simplesmente feliz.
2009-08-31
Bundas que te quero bundas

Tirei meu tênis e ajeitei meu pênis para poder andar na areia da praia. Logo de cara, um velho preto e magro, tão preto e tão magro, com cara de malaco das antigas, me oferece uma cadeira, penso ser um cortejo, mas nada é de graça e paguei para sentar numa cadeira de praia na praia. Quantas bundas já sentaram nesta mesma cadeira??? De todos os cheiros e tamanhos. Na minha frente o mar e todos aqueles corpos, é lindo. Uma mineirinha com cara de garota de programa avança em minha direção me querendo com seu lindos peitinhos irresistíveis de bicudos. As mineirinhas adoram um carioca, as putas adoram um gordo, to bem na fita. Só não tenho nenhum tostão, fiquei mal na fita. Logo ela desitiu de mim. Adiante duas gostosas com seus rabos ao sol, que beleza de vista. O Rio é assim, em plena segunda feira e nós lá na beira da praia prontos para grande orgia que nunca acontece, não quando eu estou lá, tenho a impressão que eles esperam eu ir embora. Os homens exibindo seus corpos malhados, jogando futevôlei. As mulheres torrando o corpo para ficarem apetitosas para seus machos de corpos suados. Eu mesmo fico lá com cara de tarado, gordo e desengonçado. Confesso que tenho vergonha de tirar a camisa. Deixa está, nos próximos verões todos verão.
Tinha uma menina na praia, conversando com um magro de "dread" nos cabelos, que beleza de garota. Eu fiquei protegido pelos meus olhos escuros admirando seus belos par de peitos, par de coxas, bandas da bunda, cabelos ao vento, um colírio para meus olhos vermelhos do posto nove. Feliz criatura inocente. Uma bela escultura. Não consegui parar de olhar até que uma loira passou correndo e jogou areia no meu copo de mate com limão. Tudo bem, bebi assim mesmo. Com uma bunda daquelas nem ligo. Bebo tudo sem reclamar, até a ultima gota. O sol estava quente, eu estava quente, então fui embora com a sensação de ter deixado minha princesa nua e desprotegida ao lado da fera rastafare. Tchau mineirinha, um dia desses te como pelo preço que tu cobra. Hoje não vai dar. Me levantei fui até a calçada para por meu tênis e ajeitar meu pênis, ainda vi passar uma infinidade de bundas de todos os países, de todos os tamanhos. Deus dai-me uma bunda! Amém.
2009-08-25
Sei lá de que falo

Num canto da cidade
Madrugada fria
Chuva fora e dentro de mim
Tudo é mofo, velho
Mal arrumado
Prestes mudança
Logo ali bem ali logo
O autor pinta seu retrato
Como se fosse possível
Será que ele não vê demais
Talvez seja só falta
Não quero mais
Se me ligar desligo
Desmeligo sem te ligar
Ficou tudo feio de belo
De velho ficou outro
Agora parece raiva, desdém
Não mais o que se possa fazer
Morreu lutando morreu
Em paz
Nada mais importa
Só torcer o rabo da porca
Quebrar a maçaneta da porta
Deixar a chuva levar, lavar
O poeta foi morar longe
Envia cartaz em cartas postais
É só mais um coração em pedaços
Não é pior que a vida
Seja melhor como for
Eterno enquanto foi
Vivo o quanto pode
Derramo sobre a tecla tinta alguma
Nada, nem lágrimas
Ouvi dizer que voce já se arrependeu
Agora a Julieta já morreu
Bebe o veneno Romeu
Ainda sobrou aqui na boca
Madrugada sem sol
Praia sem sal
Vaca sem pasto
Seu ventre está preso
O coração parou faz tempo
Não sente nada
Liga para o socorro, conserte-se
Não me venha com a velha choradeira
Agora só choro novo
De pandeiro e cavaco
Já faz tempo agora evacue
Compra um pouco de amor pra voce
Tá na promoção na sessão das emoções
Veja se tem para seu tamanho
Aquilo tudo que planejamos
Vamos deixar de lado
Deitar e esquecer
Todo o resto do nosso lar
O que sobrou do mar
Deixa para lá, afogue-se
Quando alguém perguntar por mim
Mande lembranças minhas
Diga a todos que não presto
Para voce não presto
Fiz um cartão de crédito
Qualquer dia lhe mando um presente
Não abra logo, pode ser uma bomba
O autor quer dormir
Vai deitar só e acordar sol
Voce é o inverno e todos verão
Do que estou escrevendo
Sobre mim Jane
Sou tu chita
E nada me vem muito claro
Nem muito fácil
Voce se foi e me fui
Vou chorar, já chorei
De voce não quero mais nada
Nem o ultimo beijo
Nada.
2009-08-19
Meu segundo nascimento.

Estou prestes a nascer novo e de novo. Faltam poucos dias para minha nova chegada, por isso estou anunciando minha partida. Se vou nascer novamente é certo que vou morre também. Não chorem a partida deste que vos fala. Precisamos deixá-lo partir em paz, sem egoísmo, a hora é esta. Sentirei falta, afinal foram anos de muita intimidade e descobertas incríveis, não poderia nascer outro se não fosse este. Tudo é parte de um grande plano. Vamos dar boas vindas ao novo, que seja forte enquanto dure e eterno enquanto forte. Estou trocando o duvidoso pelo certo. O negativo pelo positivo. A natureza é sempre positiva.
Fico pensando que tipo de discurso alguém faria se estivesse no meu lugar. Eu diria que é sempre muito bom olhar pra frente sem deixar de estar atento ao presente e construindo o futuro. Hoje é tarde e amanha nem existe! Andei por muitos labirintos, venci muitos obstáculos, me perdi me encontrei, amei e amei demais, foi feliz e foi triste, fui pobre fui rico, fui criança e cresci; agora está mesmo na hora de nascer novamente, para ver a vida com olhos novos e com nova disposição.
O parto não será fácil, existem rituais a serem cumpridos, é um momento de passagem e de chegada. Para tanto vou recolher-me nos próximos dias, não receberei email, nem ligações. Ficarei recolhido com meus livros e pensamentos. Escolhi um lugar com vista para o mar, distante de tudo. Ficarei assim, isolado, até quarta-feira dia 26 de Agosto. No retorno darei sinal de vida, vida nova.
Deixo aqui meus sinceros agradecimentos a todos que me atravessaram nestes anos de vida. Sou feito de muita gente, partes de todos me transformam em mim. As boas lembranças permanecerão na reentrada. Deixo para trás somente as marcas e ressentimentos.
Beijos em muitos, abraços em todos.
Fernando Lopes Lima.
2009-08-11
2009-08-07
Os dez dedos do pé da mão do primata
Pretenção tropicaliente
Tem gente por ai que acredita que não é um animal. Fora os que acham que são racionais. Tem também os homens de bem, que fazem caridade para ajudar o próximo, desde que o próximo não more na casa deles. A hipocrisia é geral e vai ser destaque no próximo carnaval.
Somos de fato o planeta dos macacos pelados de bunda de fora e de cara vermelha. - Fica vermelha cara sem vergonha - Um bando de símios que seu deu bem as custas de um cérebro altamente desenvolvido que não serve para nada. Algumas pessoas vão dizer que nós fizemos tantos avanços; na medicina, na construção, na arte, na filosofia e etc... e fizemos mesmo, mas não serviu para porra nenhuma.
Eu sou da tribo dos macacos que bebem até cair fedendo e danço. Não quero pentear meu cabelo nem levar a mulher e os filhos na igreja. Não acredito no paraíso dos homens que já nascem póstumos - "Pecado, rifa e revista o pobre paga é a vista/a felicidade, o conforto, alegria e a sorte/vendeu fiado pra Deus/vai receber depois da morte" (Tom Zé).
No momento to precisando assaltar um paraíso fiscal. A merda me assolou. To chamando conhaque de wisk bebendo cachaça. Hoje almocei salsicha com chucrute (em alemão: Sauerkraut), parece chique, não? Não mesmo. Peguei um resto de salsicha e misturei com repolho e mandei pra dentro. Saco vazio e bêbado não para em pé. O sapo não lava o pé e nós macacos queremos banana para comer e jogar a casca no chão.
Agora inventaram uma tal de crise, os preços todos subiram e a gente que tome na tarraqueta. Vouprocessarestesdadosnomeucomputadordeestomago!
Se os meus peidos afetam a camada de ozônio o fim está próximo. Com essa ração que estão nos dando aqui no boeiro a flatulência é uma medida de emergência. Esses gases percorrem todo o tubo digestivo até encontrarem os gases produzidos pela ação de bactérias sobre a comida. Juntos, chegam à ampola retal - a última parte do tubo digestivo, que termina no ânus - e ali ficam comprimidos até você abrir uma brecha para eles saírem fazendo os sons caracteristicos e odorizando o ambiente. Em muitos casos estes gases vem acompanhados, formando um fenomeno que os cientistas chamam "freiada". Existem dois tipos de freiadas, a de bicicleta e a de caminhão.
- "Peido pesa? Então acho que caguei" - (Piada ouvida por ai)
O papa popi papeia contra o aborto e a camisinha. Parece que que a igreja gosta do mundo cheio, acho que é pra mais gente para dominar e escravizar pelo medo e pela culpa. "Cuidado que a cuca te pega boi da cara preta"
"Os otimistas dizem que daqui um tempo vamos está comendo merda, já os pessimistas dizem que a merda não vai da pra todo mundo" (Piada de Autor que desconheço totalmente).
Agora nós temos um novo presidente mundial o "Barack Osama". Todos nós depositamos nele a esperança de tempos de paz e da liberdade dos povos. Eu mesmo 'to pouco me fudendo. Quero mesmo é que meu pau cresça e apareça. Não creio em milagres mas sou cheio de graça.
Somos uma praga evoluída, descemos das árvores para consumir futilidades em shopping centers e desfilar por ai como se fossemos diferente dos outros animais, peidando e falando no celular, cagando e fazendo Download do próximo filme que ainda vai ser lançado. A futilidade ajuda o tempo passar e já que tudo anda pra frente fico com essa poesia fútil e tropicaliente:
Hedonismo tosco e sem culpa
O mundo e o prazer de ser fútil
Nada mas agradável à futilidade do que ser
Ser é ser fútil do contrario não é ser
Diante de toda a eternidade de uns poucos anos
Do que vale a vida se não for fútil
Há outra vida sem a futilidade do dia a dia?
Eu li o livro
Eu comprei um carro
Eu fui passear
Eu comprei um coco gelado
Eu me casei
Eu me apaixonei
Troquei os moveis de lugar
Viajei
Encontrei os amigos
Tomei um porre
Fui à aula de canto
Comprei pipoca
Li o jornal
Morri. (ponto final pega no meu pau)
Toda súcia de futilidades
Tão necessária que não poderia ser diferente
E não poderia deixar de ser futilidade
Diante de toda a eternidade de uns poucos anos de vida!
De qualquer forma, apesar de, entre tanto, somos os únicos animais com o poder de pensar que existimos. "Não comerás o fruto da sabedoria do bem e do mal" (Genesis). Comeu se fudeu! Agora aguenta a si mesmo e para com a choradeira filho de chocadeira. No fim tu manda tocar o cachão e canta pra subir. Só não vale passar a vida inteira com esse olhar de peixe morto esperando que algo caia do céu. Do céu só vai cair chuva acida e a merda que jogamos para alto. - Os ambientalistas estão chegando/estão chegando os ambientalistas - "Segura o coco camará segura o coco/Segura o coco não deixa coco quebrar" - (mestre Barrão).
O caminho é reto camarada. Não tem arrego, nem penico e vai todo mundo pro saco mais cedo ou mais tarde. Você que olha e não vê, vai ter que aprender.
O pior cego é o que enxerga.
2009-07-14
O teatro já morreu?
Não. O que morreu foi o mundo, as pessoas do mundo morreram, a mediocridade matou as pessoas do mundo. A pior peste que enfrentamos, maior que todas as outras, mais mortal que a peste negra, capaz de matar bilhões. Todos os dias pessoas são contaminadas com o vírus da mediocridade, elas vão perdendo a sensibilidade, a capacidade de sonhar, de lutar e quando percebem já estão a beira do abismo mortal. Do que vale a vida prática e objetiva? Não há espaço para a subjetividade. Nos tornamos maquinas de fazer negocio e coco. O hedonismo tosco do final dos tempos: viver agora. a vida é uma só. Os que dizem isso acreditam estar vivos. Humanos, demasiados desumanos. Chegamos na era dos robôs. Todos programados com o sistema avançado de competição. Quanto vale sua dignidade? Vencer! Essa é a nova ordem mundial. Seja um carrerista e evite o sofrimento. Seja um funcionário público da megaburocracia anonima. Melhor não ser artista. Alias, a quem serve a arte? Somos um bando de mortos vivos, incapazes de amar de verdade, incapazes de reagir de verdade. Mortos, o mundo acabou faz tempo!
Pera ai. Mas eu estou vivo. Não me sinto contaminado pela peste. Em meio aos mortos caminham os vivos. Sejamos uma matilha de lobos entre as ovelhas.
Anotações em processo do processo:
De que maneira podemos algo estranhamente novo? Ou sem formula? Imaginando que não temos nenhum referência - como?
Artaud - é bom que desapareçam algumas facilidades exageradas e que certas formas caiam no esquecimento; assim a cultura sem espaço nem tempo, e que nossa capacidade nervosa contém, ressurgirá com maior energia.
Arte e cultura não podem andar juntas.
A peste do pânico - o controle pelo medo.
Medo? do que vc tem medo?
Fiquei pensando na forma... tudo já foi tentado, feito, repetido - hoje a gente diminuiu ainda mais o espaço entre palco e plateia, misturou... a plateia sobe ao palco, a historia é a plateia. Tem também a virtuose do contemporaneo.
Queimar as referencias? Como?
Que referencias?
Diminuir essa tensão - falar do nós universal ou do nós particular? Qual a fronteira? Onde termina o eu plateia e começa o eu artista, o eu palco?
Ação - visual - improviso - refinamento - fluxo - digestão - devir
Larguem a bíblia e pegam a constituição
Ver o filme; Muito além do cidadão Kaine. O ser neo liberal.
Revolucionários sem revolução. Pensei em três revolucionários. Ler o banqueiro anarquista de Fernando Pessoa. Ele critíca o poder, a tirania. Fala sobre as ficções sociais.
Artaud: O espírito acredita no que vê e faz aquilo em que acredita. Esse é o segredo do fascínio. E santo Agostinho não coloca em duvida nem por um instante, em seu texto, a realidade desse fascínio.
Como é que o teatro ocidental não enxerga o teatro sob um outro aspecto que não a do teatro dialogado.
O teatro está em, decadência porque perdeu, por outro lado, o sentido do humor verdadeiro e o poder de dissociação física e anárquica do humor.
Ver Irmãos Marxs.
Pera ai. Mas eu estou vivo. Não me sinto contaminado pela peste. Em meio aos mortos caminham os vivos. Sejamos uma matilha de lobos entre as ovelhas.
Anotações em processo do processo:
De que maneira podemos algo estranhamente novo? Ou sem formula? Imaginando que não temos nenhum referência - como?
Artaud - é bom que desapareçam algumas facilidades exageradas e que certas formas caiam no esquecimento; assim a cultura sem espaço nem tempo, e que nossa capacidade nervosa contém, ressurgirá com maior energia.
Arte e cultura não podem andar juntas.
A peste do pânico - o controle pelo medo.
Medo? do que vc tem medo?
Fiquei pensando na forma... tudo já foi tentado, feito, repetido - hoje a gente diminuiu ainda mais o espaço entre palco e plateia, misturou... a plateia sobe ao palco, a historia é a plateia. Tem também a virtuose do contemporaneo.
Queimar as referencias? Como?
Que referencias?
Diminuir essa tensão - falar do nós universal ou do nós particular? Qual a fronteira? Onde termina o eu plateia e começa o eu artista, o eu palco?
Ação - visual - improviso - refinamento - fluxo - digestão - devir
Larguem a bíblia e pegam a constituição
Ver o filme; Muito além do cidadão Kaine. O ser neo liberal.
Revolucionários sem revolução. Pensei em três revolucionários. Ler o banqueiro anarquista de Fernando Pessoa. Ele critíca o poder, a tirania. Fala sobre as ficções sociais.
Artaud: O espírito acredita no que vê e faz aquilo em que acredita. Esse é o segredo do fascínio. E santo Agostinho não coloca em duvida nem por um instante, em seu texto, a realidade desse fascínio.
Como é que o teatro ocidental não enxerga o teatro sob um outro aspecto que não a do teatro dialogado.
O teatro está em, decadência porque perdeu, por outro lado, o sentido do humor verdadeiro e o poder de dissociação física e anárquica do humor.
Ver Irmãos Marxs.
2009-06-28
Diário de bordo de um dia qualquer
Só hoje.
Eu fico tentando fugir da tristeza, como seu pudesse fugir da minha sombra. Estou sempre á procura de algo que me faça esquece-la, ao menos um pouco. Sim, é o amor perdido. Parece que está faltando uma parte de mim. Finjo não ligar, evito lembrar dos momentos felizes ao lado dela. Pareço não suportar essa realidade. Sou um romantico incurável, disso sempre soube. Sou o tipo de homem que casou pra sempre. Até que a morte nos separe. Amo até o final. O que penso, ou os motivos de nossa separação não importa agora. O fato principal é que não fui capaz de mate-la ao meu lado. Escrevo agora para evitar a tristeza, acreditem. Me faz bem.
Sou capaz de sonhar e amar como poucos. Esse é meu dom. Meu inferno e meu paraíso. Meu pior defeito. Amo muito, s vezes é dificil de respirar.
Esse manha acordei chorando, sonhei que ela estava me beijando apaixonada. Acordei, fiquei com muita raiva e chorei. Passei o resto do dia com uma vela na barriga e um nó na garganta.
Sigo.
Eu fico tentando fugir da tristeza, como seu pudesse fugir da minha sombra. Estou sempre á procura de algo que me faça esquece-la, ao menos um pouco. Sim, é o amor perdido. Parece que está faltando uma parte de mim. Finjo não ligar, evito lembrar dos momentos felizes ao lado dela. Pareço não suportar essa realidade. Sou um romantico incurável, disso sempre soube. Sou o tipo de homem que casou pra sempre. Até que a morte nos separe. Amo até o final. O que penso, ou os motivos de nossa separação não importa agora. O fato principal é que não fui capaz de mate-la ao meu lado. Escrevo agora para evitar a tristeza, acreditem. Me faz bem.
Sou capaz de sonhar e amar como poucos. Esse é meu dom. Meu inferno e meu paraíso. Meu pior defeito. Amo muito, s vezes é dificil de respirar.
Esse manha acordei chorando, sonhei que ela estava me beijando apaixonada. Acordei, fiquei com muita raiva e chorei. Passei o resto do dia com uma vela na barriga e um nó na garganta.
Sigo.
2009-06-12
Ser sou
Ser é ser e pronto sou
Nada de desespero para ser outro
Apenas vou vivendo e sendo
Nesse tempo vou ser sempre
Ser ou não ser – É!
Vou sendo sempre tantos
Sempre sendo tantos outros
Nunca sou um único mesmo
Não poderia ser si
Sem cessar sou muitos
Sou sem querer ser
Seja o que vier
Ser como for
Só não ser só
Sou simplesmente
Nada de desespero para ser outro
Apenas vou vivendo e sendo
Nesse tempo vou ser sempre
Ser ou não ser – É!
Vou sendo sempre tantos
Sempre sendo tantos outros
Nunca sou um único mesmo
Não poderia ser si
Sem cessar sou muitos
Sou sem querer ser
Seja o que vier
Ser como for
Só não ser só
Sou simplesmente
2009-06-02
O pior amor do mundo
Se tudo for melhor assim
Não vou correr nem me esconder
Agora diga o que tu que
Fale-me agora
Esqueça-se de mim
Não sou ninguém
Nem poderia
Meu pai falou
Minha mãe queria
Agora o resto você já sabe
Sou uma promessa
Não vou cumprir
Corro “prum” lado fico parado
Agora veja tomo cerveja
Ninguém podia saber de mim
Por que me escondo
No botequim
Mastigou-me o quanto quis
Agora larga do meu nariz
Vi-te na noite toda bonita
Achei melhor voltar pra casa
Eu não queria te ver com outro
Melhor pra ele
Pior pra mim
Não sou ninguém
Nem poderia
Meu pai falou
Minha mãe queria
Agora o resto você já sabe
Sou uma promessa
Não vou cumprir
Pra terminar esta conversa
Digo gritando
Franzindo a testa
Nunca se esqueça
Nem um segundo
Sou o amor
Pior do mundo!
Não vou correr nem me esconder
Agora diga o que tu que
Fale-me agora
Esqueça-se de mim
Não sou ninguém
Nem poderia
Meu pai falou
Minha mãe queria
Agora o resto você já sabe
Sou uma promessa
Não vou cumprir
Corro “prum” lado fico parado
Agora veja tomo cerveja
Ninguém podia saber de mim
Por que me escondo
No botequim
Mastigou-me o quanto quis
Agora larga do meu nariz
Vi-te na noite toda bonita
Achei melhor voltar pra casa
Eu não queria te ver com outro
Melhor pra ele
Pior pra mim
Não sou ninguém
Nem poderia
Meu pai falou
Minha mãe queria
Agora o resto você já sabe
Sou uma promessa
Não vou cumprir
Pra terminar esta conversa
Digo gritando
Franzindo a testa
Nunca se esqueça
Nem um segundo
Sou o amor
Pior do mundo!
2009-06-01
A brancura que ficou em logo ali
(Escrito no carro, de Campo Grande a Lapa, passando por Ipanema)
Todo o dia é a mesma cantilena
Um despertar confuso
Silêncio
A avenida vazia da minha vida
O castelo vigiado e fedento
A refinaria da minha favela
Onde estará ela?
Sinto o sentido da direção
O sol cega e aquece
A cidade é o piso e a paisagem
O pensamento vaga a procura da brancura
Ao lado do amigo de Campo
Onde estará seu pranto?
Um Cristo cabisbaixo me observa
Os irmãos túneis das Laranjeiras
Tudo é lembrança na passagem
A corrida dos carros potentes
Os porcos a lagoar com Freitas
Até as torres no cume
Tudo é nada
O corte profundo de Copa
Ipanema das lembranças
Por onde anda sua elegância?
Aquela panificadora continua lá a nos esperar
Não há lá lá
Lembrei-me da cabeça no poste
Da sua grande gargalhada
Felicidade passada, perdida
O caminho da Lapa
O relógio marca cedo demais
O amarelo dos táxis
O azul branco da manhã
A cidade desnudada e bela
Copabana se apresenta
A moldura do túnel sul do Rio Sul
De cabo a rabo
Eu pensando nela
A estrela solitária e louca
Na marina tudo é lembrança
A Urca foi nosso berço
Na Farani lembrei da Facha
Isso tem cura
Enquanto isso penso na brancura
Que ficou em logo ali
Depois da serra
Longe do mar
Onde será que ela está?
(Fernando Lopes Lima)
Todo o dia é a mesma cantilena
Um despertar confuso
Silêncio
A avenida vazia da minha vida
O castelo vigiado e fedento
A refinaria da minha favela
Onde estará ela?
Sinto o sentido da direção
O sol cega e aquece
A cidade é o piso e a paisagem
O pensamento vaga a procura da brancura
Ao lado do amigo de Campo
Onde estará seu pranto?
Um Cristo cabisbaixo me observa
Os irmãos túneis das Laranjeiras
Tudo é lembrança na passagem
A corrida dos carros potentes
Os porcos a lagoar com Freitas
Até as torres no cume
Tudo é nada
O corte profundo de Copa
Ipanema das lembranças
Por onde anda sua elegância?
Aquela panificadora continua lá a nos esperar
Não há lá lá
Lembrei-me da cabeça no poste
Da sua grande gargalhada
Felicidade passada, perdida
O caminho da Lapa
O relógio marca cedo demais
O amarelo dos táxis
O azul branco da manhã
A cidade desnudada e bela
Copabana se apresenta
A moldura do túnel sul do Rio Sul
De cabo a rabo
Eu pensando nela
A estrela solitária e louca
Na marina tudo é lembrança
A Urca foi nosso berço
Na Farani lembrei da Facha
Isso tem cura
Enquanto isso penso na brancura
Que ficou em logo ali
Depois da serra
Longe do mar
Onde será que ela está?
(Fernando Lopes Lima)
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