2009-10-17

A segunda morte de Hélio Oiticica - LUTO

Um helicóptero da polícia foi abatido por traficantes. Guerra no morro dos macacos. Chineses morrem em explosão em casa de fogos na China. Avião cai e mata quatro pessoas. Tudo isso foi dito pelo reporter na televisão, isso tudo não foi nada diante da noticia do incêndio que destruiu 90% da obra do artista plástico Hélio Oiticica. Isso sim é uma tragédia!

Um pouco de Hélio Oiticica:
Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Estudou com Ivan Serpa após 1954, e entre esse ano e 1956 integrou o Grupo  Frente, aderindo posteriormente ao Movimento Neoconcreto  e tomando parte nas mostras realizadas entre 1959 e 1961 no Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Integrou também a representação do Brasil na exposição internacional de arte concreta realizada em 1960 em Zurique, na Suíça, e esteve presente nas coletivas de vanguarda Opinião 65  e Opinião 66, Nova Objetividade Brasileira e Vanguarda Brasileira, realizadas entre 1965 e 1967 no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, expondo ainda na Bienal de São Paulo (1957, 1959 e 1965) e na da Bahia (1966). Até 1959 Oiticica ainda se conservou fiel aos veículos e suportes tradicionais da pintura. Reduziam-se seus quadros de então a efeitos cromáticos e de textura obtidos unicamente com a aplicação de branco, e revelavam um ascetismo que o desenvolvimento posterior de seu trabalho iria desmistificar. Nesses primeiros quadros via-se já muito nítida a tendência do artista a superar o plano bidimensional, pela utilização da cor com evidentes intenções espaciais. Abandonando o quadro e adotado o relevo, bem cedo incursionaria Hélio por novos domínios, criando seus núcleos e penetráveis, para chegar em seguida à arte ambiental, em que melhor daria vazas a seu temperamento lúdico e hedonista. Surgem assim, de 1965 em diante, suas manifestações ambientais, com capas, estandartes, tendas (parangolés), uma sala de sinuca (1966), Tropicália (1967, um jardim com pássaros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos), Apocalipopótese (1968, reunindo várias manifestações de outros artistas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro), etc. Todas essas experiências serão objeto de importante exposição efetuada em 1969 na Whitechapel Gallery, de Londres - no seu dizer, "uma experiência ambiental (sensorial) limite". Em setembro de 1971, de Nova York onde se fixara, o próprio Hélio Oiticica, em texto difundido na imprensa carioca, assim se expressava: "Se há gente interessada em minha obra anterior, melhor, mas não vou expô-la ou ficar repetindo ad infinitum as mesmas coisas; não estou aqui para fazer retrospectivas, como um artista acabado; estou no início de algo maior; quem não entender que se dane; procurem-se informar melhor e respeitar idéias e trabalho feito". Hélio Oiticica, que em 1970 tomou parte em Nova Iorque na mostra Information, organizada pelo MOMA, recebendo nesse mesmo ano bolsa de estudo da Fundação Guggenheim, viveu nos Estados Unidos até 1978, quando regressou ao Brasil e de novo se fixou no Rio de Janeiro, iniciando então a última fase de sua breve carreira. Em 1981, um ano apenas após sua morte, seus irmãos Cesar e Cláudio criaram o Projeto Hélio Oiticica, destinado a preservar material e conceitualmente a obra do artista de quem a Galeria São Paulo, em 1986, levou a cabo importante exposição intitulada O q faço é Música, cujo título retoma um texto de sua autoria: "Descobri que o que faço é MÚSICA e que MÚSICA não é "uma das artes" mas a síntese da conseqüência da descoberta do corpo". Nos últimos anos, em nível inclusive internacional, a importância de Hélio Oiticica como artista seminal dos novos desdobramentos da arte ocidental de fins do século e do milênio tem sido posta em destaque através de exposições itinerantes realizadas entre 1992 e 1994 em Paris, Roterdã, Barcelona, Lisboa e Mineápolis, sala especial na Bienal de São Paulo em 1994 e participação nas Bienais de 1996 e 1998 etc. Por fim, ressalte-se a criação no Rio de Janeiro, em 1996, do Centro de Artes Hélio Oiticica.










2009-10-15

Homem solitário procura mulher para sexo fácil


Eu sou insurpotável: sou metido, falastrão, cago regras, me acho o melhor em tudo, gosto de discutir relação, adoro conversas longas, bebo bastante, não sou generoso, não tenho dinheiro, não sirvo para nada, não acredito em fidelidade, não gosto de trabalhar, não vou a igreja, julgo o mundo sentado na mesa de um bar, fumo, sou gordo, não sou educado, falo palavrão, fujo de briga, sou tarado, punheteiro safado, frequento inferninhos, durmo demais, chego atrasado, sou egocentrico, chato, engraçadinho, ando de cueca pela casa, não quero ter filhos, gozo na cara, adoro miojo com salsicha, sou anarquista, to pouco me fudendo para o meio ambiente e tenho poucas qualidades.


Procuro mulher do mesmo jeitinho para relacionamento aberto sem compromisso. Garanto boas risadas e muitas gosadas. Quem se interessar favor deixar um recado em minha caixa postal.

2009-10-12


Micro conto sujo


Então a dona da pensão, um padre viado, marinheiro, que juntou dinheiro e comprou um prédio inteiro, colocou por debaixo da porta do meu quarto um bilhete abusado de cobrança:

Favor pagar o aluguel do quarto antes que
eu seja obrigado a tomar as medidas legais.
Ass.: Pe. Marcos

Eu não estava atrasado. O aluguel venceu ontem, Sábado. Só não tive tempo de entregar o dinheiro que já estava comigo desde Sexta. Bicha filho da puta. Peguei o dinheiro enrolei na merda do bilhetinho e fui até o quarto da bicha divina. Bati forte. A bicha não respondeu. Gritei. A bicha desligou a luz. 

- Tá com medo de quê viado, toma a porra do teu dinheiro e enfia esse bilhete no olho do teu cú.
- Pode por o bilhete e tudo por baixo da porta. 

Disse a bicha com voz trêmula. Sou um homem grande com cara de mal, ela deve ter se borrado toda.

- Se voce quiser seu dinheiro vai ter que abrir a porta.

A luz do quarto do padre acendeu e a porta abriu lentamente. A bicha filha da puta colocou só a cara pra fora. Puxei a porta com força bruta esmagando seu pescoço entre a porta e o portal. Ela gritou algo estrangulado que não entendi. 

- Escuta aqui viado de merda. Pega essa porra de bilhete enfia no teu anus. Nunca mais me cobre desta maneira indelicada. Eu sou um homem sensível, fico logo ofendido e quando isso acontece sou capaz das piores barbaridades.

Disse isso enfiando o bilhete com o dinheiro na boca da bicha sufocada. Soltei e ela ficou caída chorando no chão sujo da merda desta pensão horrorosa. Dei as costas, acendi um cigarro e com voz calma disse:
 - Boa noite Senhor Padre. 

No outro dia, ao sair para o trabalho, encontrei a bichona velha varrendo a portaria do prédio com um lenço enrolado no pescoço. Passei e ela, sorrindo, me ofereceu uma xícara de café. Bicha safada.

Dia santo


Hoje foi um dia de descanso da maratona de festas do fim de semana. No Sábado um casamento e no Domingo aniversário de um ano do meu sobrinho mais novo. Os dois eventos foram como esperados. Revi alguns amigos. Falei algumas merdas ao pé dos ouvidos e não fui capaz de comer ninguém. O que importa é que hoje foi feriado e pude curtir minha ressaca na beira da praia. Comecei a ler um livro de contos do Bukowski ("Ao sul de lugar nenhum") e um livro de auto-ajuda, acho que estou precisando, de autoria de Alexandre Lowen. Famoso psiquiatra, criador da Bioenergética, discípulo de Reich, dizia que o paciente deprimido é uma pessoa sem fé. Esqueci de mencionar o nome do livro em questão, chama-se "Medo da Vida", e quem não tem?
Agora imagine a seguinte cena: uma praia com um monte de mulheres bonitas e desprovidas de vergonha, usando biquínis que tapam só os orifícios, uma cadeira confortável de frente para o mar, uma bolsa térmica com algumas latinhas de cerveja gelada, os dos livros já mencionados e um monte de tempo livre. Esse foi meu dia de descanso. Isso é o que tenho para escrever hoje. O resto é silêncio e uma punhetinha no final da noite.

2009-10-11

@!#$%$¨¨&*¨&()

       Tempo
Passando
       Vivenciando
Tropicando
         A vaca botou ovo
                        Tem que pagar as contas
              Homem
       Sucesso
 Desejo
             Sonho do sonho
Não me venha
                                     Com esse papo
                                              Catiripapo
Estética
     Estática
          Estrada
              Estala
                   Escola
                                                         
                       Onde aprendi a ser filho da puta?


Onde aprendi a ser, filho da puta?
                                            Retiro-me
                                                                                             Queixo-me
       Jugo - julgo
Não me venha com essa de pressa
                Voce perdeu o assento
                                   Já faz tempo
                                                               Orgulho de puta
               Noite de noite
Sigo me lambusando de beira de praia

2009-10-08

2009-10-07

Aos bons encontros inesperados.

Adoro encontrar gente amiga, esse tipo de acaso na cidade é sempre carregado de mistérios e surpresas, quase sempre felizes. Essa baderna me excita, principalmente nos momentos que acho que meu coração está batendo á-toa. Sabe aquelas noites que voce está fazendo tudo para encontrar algum tipo de sentido pra vida, então voce caminha na cidade e, por acaso, encontra gente que tá disposta a viver e ser feliz e ai, por acaso, a vida volta a fazer sentido e voce se sente parte de algum tipo de plano? Nesse caso nada é por acaso.
Um bar, gente amiga e cerveja, do que mais precisa um homem? De fámilia? Não, claro que não.

Eu 'to solteiro faz pouco tempo, sofri e agora já passou. Não sou do tipo que sente pena de si mesmo e nem fico remoendo, ressentindo. O que passou tá lá, guardado na experiência e não no trauma, sem marcas. Tive raiva e certamente vou ter ainda muitas vezes nesta minha vida, tenho sangue e adoro sentir raíva. Existem momentos que a raiva é sadia e faz crescer. Não é algo que se procure, mas quando acontece deixo queimar até a ultima chama.
 
Hoje vi uma pessoa, amiga dos amigos, sofrendo verdadeiramente de amor, passando por todas as fases num espaço de tempo curto; sentiu-se um lixo, brigou, chorou, bebeu, riu e sentiu raíva. Sei bem o que é isso. Com ódio fez uma das coisa que resolveu minha vida. Foi um momento sublime de elevação quântica, partículas subatômicas de paz fluiram pelo universo inteiro. A sujeita pegou uma garrafa de cerveja vazia, perguntou para alguém na mesa se podia quebrar, esse alguém respondeu que sim sem acreditar.  A maluca jogou com vontade, fazendo a garrafa se espatifar no chão de paralelepipedos como um ovo da tartaruga azul. Toda a cena durou menos de um cegundo, mas foi o suficiente para transforma o universo. A medida corajosa da ação/reação inesperada da sujeita com ódio fez o mundo parar de girar, voltando logo em seguida. Senti, naquele instante, que toda a raíva do mundo havia deixado de existir por alguns minutos, uma supensão no espaço e no tempo. Na China um homem que batia na esposa, a beijou longamente e depois continou o castigo. Na África um Leão faminto deixou fugir um antílope que já estava dominado. Senti tudo isso passar por mim e arrisco dizer que se mais garrafas fossem quebradas com raíva não haveria guerras. Quanta besteira... Quanta força bruta...  Quanto exgero. Adoro!
Uma coisa é certa, dá próxima vez que sentir raíva, por qualquer motivo, espero que tenha garrafas de cerveja por perto. Uma delas, no mínimo, vou espocar no chão. Santo descarrego!

2009-10-06

Sarrabuxo e tratratra


Andando pelas ruas da cidade, passando em meio a tantos e tão poucos de mim, preso em meus pensamentos, desviando de tudo vou até o fim. "Não sei onde estou indo só sei que estou no meu caminho". Passa velho, branco, negro, grevista e pelego; passa mulher bonita, feia, sem jeito e com jeitinho de moça prosa; passa pobre, passa rico, passa você e passa eu também; passa boi, passada boiada, mas aquela que quero nunca passa; passa mendigo, nordestino, argentino e sem destino. Nas ruas da cidade, em meio a prédios que arranham o céu, um formigueiro inteiro de HOMENS e coisas que parecem HOMENS. Tudo em movimento, cada um carregando sua própria cruz, vindos de lá, de cá e indo para qualquer lugar. Vejo os sofrimentos, as alegrias e eu, que não sinto nada, passo carregando todo o peso do mundo em minhas costas. Aquele pobre homem deitado no chão, esfarrapado e solitário, não é diferente de mim. Penso na flor que um dia esteve em meu jardim e esqueço um pouco de tudo que vejo, esqueço um pouco de mim. Caminho pelas as ruas da cidade para evitar que em meus pés nasçam raízes, quero balançar e simplesmente ao vento me desfazer como bola de sabão. Tem dia que me sinto um chiclete amassado num canto sujo da cidade, de vez em quando vem alguém e pisa levando um pedaço de mim na sola do sapato. Se me falta coragem, me sobra vontade e vou seguindo a passos leves e pesados na solidão que assola e consola. A cidade não para, só cresce, o de cima morre e o debaixo mata, o debaixo morre, o de cima oprime. No jogo limpo da cidade a trapaça é regra (RIO 171). Passa a policia, corre o camelô e escorrega na merda da calçada. A calçada é um monte de merda cercada de buracos por todos os lados. Por que não fazemos uma guerra de pedras portuguesas? Pega policia, pega ladrão, não fica um negão, nem brancão. A cidade tá sempre lá, vai-se o homem fica a cidade. O rabecão levou o homem que não era eu e outro já estava por perto, na fila para o necrotério. Hoje tem sopão de graça na praça, a cidade é uma graça. Vai chover? Será que vai da praia amanha? Quando acaba a greve dos bancos? Você vai assistir algum filme do festival? Que horas abre o puteiro da Lapa? Sem respostas para minhas indagações pouco filosóficas vou cagando e andando. Vou mijar andando e se dé mole pra mim eu como.

Você é má

Zeca Baleiro  

Composição: Joãozinho Gomes

Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nem um olhar
Nunca falou tudo bem
Tem, mas não dá
Sorrir jamais lhe convém
Você é má
Mas há de ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, não perde o trem
Sabe nadar
Mas nada sabe de alguém que sabe amar
Eu quero ser seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
E você mata!
Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nunca dará
Nem mesmo um simples amém
A deus dirá
Diz que não vai à belém
Você é má
Mas pode ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, finge tão bem
Sabe negar
Jamais dá a quem tem demais pra dar
Mas eu serei seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
Você mata!

2009-10-04

Passeio de Domingo

Os macacos vão ao museu e se labuzam de arte. Nem percebem que são arte ao mesmo tempo. Somos um bando de macacos cagadores de regras, criadores de bons costumes e maneiras decentes. Entre nós tinha um macaco um pouco mais macaco, que não estava nem ai para os narizes impinados dos grandes entendedores de arte. O macaco chutou tudo, julgou, não entendeu e cuspiu. Alguns outros macacos polidos até acharam graça, como quem sente pena e rir da desgraça do menos refinado. (Olhem que bonitinho, nunca veio ao museu) Alguns outros levam aquilo tão a sério que chegam a ficar com raiva da falta de sensibilidade ou capacidade do macaco sem modos, como se aquilo tudo realmente fizesse diferença em suas vidas mediocres e controladas. Segui pensando no tipo de macaquice que quero fazer para tentar chegar dentro dos macacos, até os menos refinados, principalmente eles, e virá-los do avesso.

Marca registrada - By Macaco


A cachorrada carioca


da série Rio171 - Olimpíadas

Estávamos eu e Rorras de carro a toda velocidade, cortando a cidade da Zona oeste para Zona Sul. Madrugada de Domingo. Transito escorrendo bem. Nosso carro deslizava pelo asfalto. Chegamos as Laranjeiras, bairro de artistas e intelectuais. Na rua principal havia um agito de balada noturna, muitos carros e todo o tipo de gente bonita. Tudo estava ótimo até a cachorrada, com seu faro fino e olho vivo, sentir cheiro de lingüiça. Passamos embalados pelo cruzamento da Rua Alice no mesmo instante que uma patrulhinha fazia sua rondinha. O Rorras, cheio de alto confiança ao volante, não lhes deu passagem, feriu o orgulho da autoridade semi-analfabeta de plantão. Blitz, documento! Eles vieram atrás e nos fizeram parar. Pensei rápido: agora vou esperar os dois saírem do carro, saco minha pistola e deixo os dois se debatendo no chão em meio a poça de sangue. Pena que não tenho uma pistola, só a de cola, mas besuntá-los de cola quente não seria uma boa idéia. Um dos policiais chegou pela janela do motorista, um rapaz novo, de bigodes e os dedos da mão pesados de tantos anéis de ouro. Quase mando tirar os anéis, onde já se viu, um militar com penduricalhos parecendo um pai de santo de quinta categoria. O outro policial era mais velho, com cara de professor, cheio das velhas artimanhas para arrumar um dinheiro dos motoristas. Se eles fossem honestos não haveria espaço para tantos carros irregulares nos depósitos públicos. A situação faz o ladrão e eles tem o emprego certo.
O mais jovem pediu os documentos do carro e habilitação com certa educação, enquanto o mais velho, com cara de pai de família, ameaçava apreender o carro. O velho golpe do Cosme e Damião, um bate o outro assopra. O Rorras está com sua habilitação vencida e isso certamente é motivo para apreensão do veiculo, ponto para a cachorrada. O circo estava armado: o cachorro velho pegou os documentos, falou no rádio, chamou reboque... O cachorrinho aprendiz de corrupto veio logo com o papo mole de que tudo seria difícil se o carro fosse para o deposito e etc.

- O que vocês podem fazer por nós – Mandou a gente entrar no carro para decidir o que podia ser feito.

Nessa hora eu pensei em tirar meu sinto e bater naquele moleque arteiro, depois coloca-lo de castigo.
Dentro do carro eu e Rorras decidimos não dá nada ou quase nada.

 - Vamos humilhar a cachorrada – Falei puxando uma nota de dois reais

 - Reboque a essa hora da madrugada, duvido – Disse o Rorras puxando uma nota de cinco

O guardinha chegou perto da janela do carona e recebeu a triste notícia. Com a gente ele só arrumaria problemas. R$ 7,00 (Sete Reais) não compram dois cachorros quentes em Laranjeiras, mas era tudo que estávamos dispostos a dar, era pegar ou largar. A Cachorrada esfomeada não dispensa nada. O Guardinha reclamou um pouco, mas sacou a nossa, que sacamos a dele. [Apreensão do veículo àquela hora ia dar um trabalho e gente sabe que esse povo não está ali pra isso] Pegou a merrequinha e cascou fora. Fizemos a manobra mais à frente e ainda vimos os dois parados próximo a barraca de cachorro quente. O Rorras buzinou e eu acenei como se fossemos velhos amigos. Ambos tiveram que responder com sorrisos amarelos. Porcos fardados. No fundo eu gostaria que eles fossem honestos e apreendessem o carro, mas isso é pedir demais.

2009-10-03

O petroleo é nosso?

Então, seremos cede da Copa e das Olimpiadas? E temos motivos para comemorar? O governador, o presidente e o prefeitinho choraram? Lindo. Comovente. Lembrei da Princesa Isabel emocioanda ao assinar a Lei Aurea, os negros dançaram e festejaram por muitos dias... E depois? E agora José? Caga na mão e joga fora que esse filho não te pertence!

Como não se emocionar com a vibração do nosso povo? O problema é que a gente vibra junto pra coisas erradas. Eu não vou ficar aqui, como uma tia velha, me lamentando ou só reclamando, vou encher a cara de birita e deixar a vida correr solta, tratar de ganhar o meu e quem se fudeu, se fudeu. To forte na rima.

Esperança
De repente a saúde melhora, a educação melhora... Daqui pra lá o prefeitinho vai ser o homem do choque de ordem, o governador vai passar o rodo em preto pobre favelado, que muitos chamam de bandido, eu chamo de marginal, mas já que tá na margem, vamos jogar logo para dentro do rio em sacos pretos. E assim o povo vai tomando sua dose de anestesia, os ricos ficam mais ricos e o Lula entra para a história como o presidente mais popular do mundo. "é o cara", como bem disse o chefe Obama.

É ISSO AI POVO... O NEGOCIO É BALANÇAR O BUNDÃO.


Será que o Michael Jordan faria seu Moon Walk se estivesse vivo?


2009-10-02




   MEDIOCRIDADE

                  É


                      UMA

                            PANDEMIA.

2009-10-01

Destemperado

As coisa são como são, não fico perdendo tempo me lamentando. Claro que fico triste, mesmo porque não sou nenhum idiota para ficar feliz o tempo todo.



Quem não tem cú
Não faz trato 
com pica


Galeria de arte

(clik nas imagens para amplia-las)




é... tchau


Alegria é não perder tempo com papinhos que sejam sérios demais ou cheios de lógicas e profundidades. Porra, a vida e muito importante para ser levada a sério. Abre as pernas que eu quero vê o que tem ai, nem vem com esse papinho de mocinha, fica ai amarrando a porra da buceta, então eu não posso te fazer feliz. Tudo seria melhor se não houvesse tanta etiqueta de bons costumes. Vamos brincar na rede?


Então tá, "não dou nem Tchau", foda-se!


Outro dia conheci uma garota. Pediu-me as horas, de cara vi que ela tinha outras intenções. Ofereci um cigarro, ela aceitou, mas disse que só gostava de fumar depois de uma boa trepada. Achei bastante excitante o comentário e arrisquei um beijo. (Que boca macia e perfumada!) Ficamos ali num longo beijo apaixonado até que senti sua mão quente na minha bunda fria. Tudo estava acontecendo rápido demais. Parei para respirar um pouco, ela aproximou sua boca carnuda de minha orelha e sussurrou apertando forte minhas nadegas: - Eu vou te comer – e fechou a frase com um "garoto" que ecoou dentro do meu corpo inteiro só parando de reverberar na ponta do meu pau duro, gozei um jorro e minhas pernas ficaram bambas. Ela parecia saber exatamente o que estava fazendo. (acédio profissional) Depois acendeu o cigarro, olhou pra mim com um olhar de prazer máximo (dever cumprido), soprou a fumaça do cigarro, beijou-me, mordeu  a ponta dos meus lábios até sangrar (Não senti dor alguma) e se despediu em silêncio, deixando-me totalmente apaixonado, indefeso, gozado e com o sangue escorrendo na boca. Fiquei olhando a garota que havia abusado de mim sem cerimônia partir sem cerimônia. Foi-se sem olhar para trás. Fiquei ainda tonto de prazer por alguns minutos e saí do shopping tentando disfarçar a mancha de porra no tecido da calça.

2009-09-30

Cossas

Entrei no apartamento que um dia já foi minha morada, nos bons anos do casamento. Até arrisquei chamar por ela, mesmo sabendo que era só um devaneio de puro saudosismo. Por alguns momentos engoli o choro que me subia na garganta. Passado que não volta é só ressentimento tolo. Abri a garrafa de uísque, tomei o primeiro gole, respirei fundo e fui curtir a festa no apartamento que agora não é mais nosso.

2009-09-29

afoguei-me


Cheguei na casa deste meu amigo, e sempre tem um bom amigo para desafogar as mágoas e ele me leu auto-ajuda, das boas, parece. Mas já no elevador, na subida para sua casa, só pensava no uísque que ele sempre tem para desafogar suas próprias mágoas. O uísque é mesmo o melhor amigo do homem, por conta disso os suicidas são em menor número que os alcoólatras. Sentei no seu quarto com o copo cheio e bebi querendo me embebedar, esse tipo de coisa me excita. Uma amiga chegou e na euforia aceitou beber comigo. Enquanto ela bebia apenas um copo eu já estava no quarto e querendo o quinto. Vimos um filme de aventura na Amazônia, faz parte da nossa pesquisa ver filmes que não nos leve a nada. Fiquei bêbado e passei por todas as fases; a paixão subiu pelos meus pés, uma nostalgia acompanhou-a e logo eu queria voar para "encontrar-me a mim mesmo". Fora a fantasia o resto foi sono. Cheguei em casa e tudo está bem, sinto falta de alguma coisa fora de mim, mas no fundo estou mesmo é preso dentro de mim. Liberta-miei logo.

2009-09-28

2009-09-27

...

Passei a vida inteira acreditando na aventura magnifica da vida. To cansado para continuar escrevendo. Durmo.

Minha querida Dinamarquesa

Fui correndo para ver se ela havia voltado para o mesmo ponto do ultímo encontro. Pensei ser possível vê-la novamente e, quem sabe, ela me perceba verdadeiramente. É uma paixão antiga, quando estou longe fico cheio de coragem, imaginando façanhas e ditos incríveis, mas quando tenho alguma oportunidade de aproximação minhas pernas enfraquecem e as placas do meu cérebro colam de tal maneira que não consigo nem me fazer notar. Outro dia a encontrei e foi tudo confuso, preferi fingir uma ar de "não estou nem ai", mesmo porque isso tudo é problema meu. - Oi, como vai? Depois nos falamos melhor. Beijos. - Disse isso e fui passando depressa. Eu sou um amante covarde.

Ahhhhhhhhhhhhhhh! (Odio!)

De verdade... to meio de saco cheio de ser tão resistente. Chorei por três dias e parei repentinamente prometendo a mim mesmo que jamais chorarei por amor,  de nada vale chorar. O amor é um flor vermelha que nasce no coração dos fracos. De qualquer forma to com preguiça de reagir, as vezes penso em escolher uma rede confortável e ficar lá imóvel até que a morte me carregue em seus braços. Isso é só um pequeno desabafo, vou dormir e tudo não passará e ao mesmo tempo passarão.

2009-09-24

Plá

De boca aberta o índio recebeu os europeus como quem para diante do novo e perde qualquer poder de reação. Uma simples galinha pode se tornar um monstro assustador, com suas penas, bicos e cocoricar sinistros. De princípio era o choque e a esperança do contato com um Deus que lhes era sedutor. Quem não ficaria imóvel diante de uma nave de outro mundo? Imagino a cena de impacto: no horizonte o que é apenas um ponto preto vai aos poucos se transformando em uma enorme maquina flutuante, de onde descem homens de barbas longas e corpos de muitas texturas, com botas, chapéus e armaduras que lhes emprestam uma imagem de seres de outro mundo, o que de fato eram. O encontro de dois mundos distintos. Um horror de admiração dos dois lados nos diz Pero Vaz de Caminha. Dizem que nossos índios eram ingênuos, crianças a brincar no jardim do Édem, não estou certo disto. Tenho a ideia fixa de que eram simplesmente seres humanos com seus costumes e ideias próprias para explicar sua existência. Dizem que o Brasil é feito do pior da Europa, com o pior da África e com os piores nativos de toda América. Dizem, e quem diz? Que nossos índios, nossos? Eram preguiçosos, e por isso foram facilmente controlados, dominados, exterminados. Não estou bem certo disso. Estamos investigando para tentar entender a formação do povo brasileiro. São tantas lacunas de nossa própria história, mesmo porque quem ganha a guerra nos conta sua versão, nos falta uma parte importante, a versão do derrotado. E ai batemos cabeça, cagamos regras sobre si mesmos e etc... O que me toca nisso tudo é ter que acreditar que o ser humano é ganancioso por natureza, invejoso por natureza, uma praga por natureza. Dai não importam os Deuses, pois eles deviam estar loucos quando nos puseram no mundo. Nem vem com essa de que o mundo piorou. O mundo sempre foi essa merda admirável. Uma cagada de um Deus louco, tirânico e todo poderoso. Nesta merda divina somos os vermes a vagar pela superfície fétida do mundo de merda. Peida!

2009-09-21

HiHou!

OutroDiaCheioDeGraçaPorraQueria
PoderViverSemPrecisarDeDinheiro 
MerdaDeFicçãoDiabolica
EsseCapetalismo

2009-09-20

Como vai voce?


O tempo atravessa e nos transforma naquilo que fomos feitos para nascer, fetos para viver. Não entendo muito de nada ou quase nada, só sei que sei de pouco e o pouco que sei é que me sustenta para querer saber um pouco mais. O resto é silêncio. Passados os anos percebo que mudei, fui atravessado por um monte de gente e situações diversas, mas no fundo sou o mesmo bom garoto de sempre, com um entendimento pratico da vida pratica. Nada que já não soubesse, como se em algum ponto da minha vida eu tivesse decidido ser o que sou. Meio que é assim com todo mundo, cada  qual com suas atravessadas e travessias.

Como a minha vida é de pouco trauma, alguns dramas de dores finas, mas sem grandes conseqüências, quase que estou no mundo a passeio. Observo tudo com um ar de espectador de mim mesmo.

Tudopassatudofilmetudotrajetóriatudohistória
tudoquadrotudosensaçãotudovivotudomorto.

Deixei de ver pessoas por longos anos, namoradas amadas, amigos antigos e coisas, não os vejo nem sei de suas histórias, da vida que levam ou levaram até aqui. Adoraria sabê-las.
Esta semana encontrei uma antiga namorada, fazia quinze anos sem trocar palavra e nos encontramos para brincar quase que por acaso. Não digo que foi ótimo, mas estranhamente belo e grotesco, com alguns momentos de pura crueldade. Ela acreditando ter sido eu seu eterno príncipe perdido, depositou expectativa demais em nosso encontro. Na dor da sua solidão, acreditou que nosso reencontro fosse acender a velha chama da paixão. Doce ilusão de uma mulher sofrida, carente e ressentida da vida. Senti sua tristeza, fizemos sexo e conversmos mesmo para tentar se conhercer.

Fiquei pensando muito na trajetória, nas escolhas, nas esquinas e encruzilhadas. Gostei de saber que não seria possível, como não foi levar aquele tipo de vida que teria levado se na ocasião escolhesse o casamento. Como saber? Impossível. Senti pena e talvez volte a vê-la. Por enquanto adeus.

A sanidade é uma linha fina.


2009-09-16

O segredo do degredo.

Não sou do tipo que olha para uma buceta e fica de pau duro, de maneira alguma, não funciono desta maneira. Preiso sentir o cheiro, os cheiros de todo o corpo. Cada parte da mulher tem um perfume diferente. Não basta ser linda, tem de ter a buceta cheirosa e o cú também. De longe todas as mulheres precem apetitosas, de perto algumas são. 
Essa noite fui a um puteiro no centro da cidade, o pulgueirão da Lapa, como é conhecido o estabelicimento. Paguei vinte pratas para tirar a mulher da casa, cem pratas para fazer sexo durante uma hora e dezessete mangos do hotel. Um hotel velho, úmido, com quartos sujos e com cheiro de perfume barato no ar. Travestis, putas e clientes circulam pelos corredores escuros, tudo ali tem odor e clima de orgia decadente. 
Entrei na boate só para passa o tempo, nem estava muito interessado. Logo que adentrei ao recinto avistei uma negra dançarina com um belo corpo escultural, de curvas finas e arrojado desempenho no palco. Sua pele negra brilhava. Fiquei louco de pau duro. Antes que ela acabasse de dançar fui até elá e cantei a pedra. Paguei a taxa da casa e levei a Deusa africana para o hotel "Expelunca". Agora eu já estava envolvido e tinha de ir até o fim na brincadeira. Vesti o personagem do cafetão de quinta categoria e entramos no quarto como um casal em lua de mel. 
Na luz branca do quarto sujo minha Deusa africana era apenas uma puta rampeira com cara de pobre coitada. Fomos para o banho e a esta altura eu já estava arrependido sem perder a pose. Depois que gozei senti uma profunda solidão com aquela mulher na cama me chamando de gostoso. Paguei seu cachê e mandei ela ir embora, queria ficar sozinho um tempo. O famoso cala a boca e não enche o saco. 
Esse é o tipo de coisa que faço só para movimentar minha vida, talvez para ter o que escrever. Tomei um banho mesmo para tentar tirar aquele cheiro de mim, como se fosse possivel. Ainda fumei um cigarro sentado numa velha poltrona e diante daquele cenário sem vida chorei como um degradado.
No caminho para casa parei em um bar e tomei duas cervejas, logo tudo não passava de mais uma lembrança engraçada. Um dia vou comer a puta dos meus sonhos, enquanto isso experimento de tudo um pouco.

2009-09-12

A morte do imortal

Voce já ouviu falar do imortal Antônio Olinto? Pois é... morreu aos 90 anos de idade nesta madrugada de Sabado (11/09). O presidente da ABL, Cícero Sandroni, já determinou luto oficial de três dias na academia, que, na próxima quinta-feira (17) estará realizando a sessão solene de saudade, quando será declarada aberta a vaga da cadeira número oito. Entre as muitas obras do escritor, está o romance "A casa da Água", de 1969, e livros de poesia como "Presença", "O Homem do Madrigal", "Nagasaki" e "O Dia da Ira". 
Não sei porque resolvi escrever essa noticia, de cara eu desconfio de todos os imortais. 

Quem será o sexto elemento da cadeira de número oito?  Vai-se um escritor mortal, fica-se a obra imortal.  

Salve!

2009-09-11

Parece que sim

Começo a me sentir livre. Taxi! Tá livre? Viva a LIBERDADE!

2009-09-10

Queroserbichoparamorarnolixo

ser ou não ser?
é
foi ou na foi
culpado
bicho no lixo
certo ou errado
mataram com socos
condenados
o pai foi traído
do filho exige vingança
mimado
Nem me venha com essa
de fim do mundo
para de ser tão egoísta
voce nem é gostosa Ofélia
Classe média
bem média
uma merda fedida
Serei bicho
falarei baixo
do alto olharei
No lixo ficarei luxo
Nem adianta me abandonar
sempre há de pintar mistérios
Mas quanto artista
revolucionário
Vai defender
não se acovarde
tenha o que é seu
ou tome
O bicho homem do lixo
nem espanta mais
Sou um artista da fome
com fome
sem microfone
Daqui por diante não
fale mais de quem fui
como fui ou se fui
Ser ou não ser?
Eis a questão

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Bebado falante

Sou do tipo que bebe mesmo para tentarse divertir ou para deixar a realidade turva
                                                                           
    Sou do tipo que bebe 
    mesmo para tentar se divertir 
    ou para deixar a realidade turva.

    Não quero >>>> Não posso

    Estou cada vez mais gordo, pançudo mesmo. De um lado a cerveja inevitável do fim do dia, de outro as guloseimas deliciosas e por isso inevitáveis. A felicidade de um homem passa pela liberdade de fazer suas proprias escolhas, no entando se escolho comer e beber levo como castigo a pança. Estou preso a este corpo, liberdade de cú é rola.
    Se quiser ser magro para conquistar as fêmeas de minha espécie, no fundo é disso que se trata, preciso evitar as escolhas que me distanciam deste objetivo. Tenho que malhar, comer salada e parar de beber cerveja. Para ser magro é preciso ser infeliz e medíocre. Daqui a pouco vou começar a fazer caminhada ecológica e a acordar cedo. Morrer não seria tão pior. Desculpe o fatalismo, mas quando me coloco, eu mesmo, contra a parede, fico me debatendo. Depois de um tempo tudo isso passa e vou passar o resto dos meus anos enchendo a cara e culpado por não ter um belo corpo escultural. Quem inventou este tipo de consciência deveria ser enforcado. Bom, vou seguindo, acreditando na santa leptina e no poder da alface. Tudo isso para poder tirar a camisa na praia sem que os magros infelizes me olhem com cara de escárnio. Morram!

    2009-09-08

    As cabeças Santas

    Foram trazidas em cortejo, onze cabeças, cabeças de santas virgens, cortadas na fonte por cutelo afiado. O povo canta em louvor as cabeças. Um canto desafinado e forte. As cabeças virginais serão postas no altar sagrado da santa igreja para que todos os dias do ano os fieis possam toca-las pedindo graças em louvor de misericórdia. As santas cabeças cortadas por cutelo afiado foram trazidas de navio, armazenadas em um vidro sacro e conservadas pelo divino formol. Dizem que a noite as santas conversam entre si para dividir os pedidos e conceder as graças.
    Alguns pescadores pecadores juram ter visto os espíritos das santas vagando pelo litoral à procura de suas cabeças. As cabeças das virgens santas que em vida se deram em sacrifício ao Deus todo poderoso e que, após a morte foram decapitadas por cutelo afiado, armazenadas e agora conversam entre si no altar da santa igreja. As santas cabeças operam milagres e por onde passam, as cabeças, em cortejo são louvadas com muita fé e devoção.

    Da história das santas sabe-se que elas viviam em mosteiro protegido e foram criadas virgens preparando-se para o sacrifício. Foram sacrificadas em dia santo por um padre de mãos firmes e sem gritos de dor foram separadas, as cabeças, de seus corpos por um cutelo afiado. Os corpos sem as cabeças dançaram ainda um longo tempo antes do falecimento total dos orgãos sem cabeça. O santo sacro-ofício foi assistido por uma multidão que entoava um cântico que dizia: Santas virgens/ que em vida serviram ao Deus/ leva de nós todos os pecados/ santo é o vosso ato de união/ santa é nossa igreja/ que o sangue derramado lave a terra de todo o mal/ que suas cabeças abençoem todo o povo civilizado e temente a Deus/ que nossos inimigos não tenham pernas nem braços/ Que suas cabeças santas nos protejam/ amém.
    Durante muitos anos as cabeças virginais serviram de símbolo de sacrifício e comprometimento com os ensinamentos da santa igreja. Nos dias de hoje, quando todos perdem a cabeça, as santas cabeças encontram-se perdidas no museu sacro. Poucos são os que louvam, muitos são os que se enojam. As santas cabeças virgens choram lágrimas de formol e não conversam mais entre si, calam-se diante do homem sem fé. O vigilante noturno do museu diz ouvi-las chorar e mal dizer o mundo.
    As virgens decapitadas por cutelo afiado agora jazem solitárias e empoeiradas no deposito esquecido da igreja que já não é mais santa.

    2009-09-07

    Bem... hun... hun... testando

    Hoje fiz tudo que um bom carioca pode fazer. Acordei tarde, fui a praia e fechei a noite bebendo cerveja e jogando sinuca. Nessas horas é que percebo o sentido da vida.
    Ainda não me sinto totalmente livre depois da separação, para quem interessar possa. Sinto-me preso, amarrado ou culpado. Estou meio cansado de ter que responder as mesmas questões.
    Deixei de querer ser melhor que os outros, isso já foi um ótimo passo para o futuro, que alias, estou com saudade. Fico querendo que a vida passe mais depressa e que algumas coisas sejam logo mortas. A coisa de matar ou deixar morrer o que não lhe presta mais, até boas lembranças. Me ocorreu um achado, uma frase do Pe. Anchieta: "Quanto mais na vida corro, mas me abraço com a morte, e querendo viver, morro".
    Sabe que tenho pensando em ser outro, ou outra coisa qualquer que não gente. Tenho a sensação que gente é tão medíocre, então tenho pensado em ser qualquer outro tipo de troço. De qualquer forma, também penso em dormir mais cedo, me aplicar mais em meus negócios, melhorar minha alimentação. Começo a querer acreditar num tipo de vida que faça com que tudo dê mais certo. Dizem que preciso levar o mundo mais a sério, vou fingir que creio nisso e tentar me adequar. Dentro de mim arde um troço. Mas não sou do tipo que fica cheirando o rabo dos outros. O negocio é seguir meu próprio caminho, mesmo porque, no final, vamos todas cair fedendo. Ao pó volteremos. Essa vida é uma só, podem haver outras vidas, mais essa termina no final.
    Acho que sou um cara triste, profundamente triste, mesmo que me divirta com toda essa baderna. A diversão é só pra tornar tudo mais suportável. Recuso-me a levar a ficção a sério... é exigir demais... Tá errado...
    Faz tempo que acredito nesse artista que defende o mundo à minha volta, gosto de alimentar essa ficção onde sou o protagonista. Minha maneira de existir. Ser artista me legitima uma série de troços, como acordar tarde, ir a praia, tomar ceveja e jogar sinuca.
    Não estou preocupado em ser o melhor, só não quero ser medíocre, disso tenho certeza, nada de ser o "bucha" do mundo. O resto é silêncio para os ouvidos poderem trabalhar bem.
    Estou tentando viver sozinho, querendo não depender de nada ou ninguém. Ainda que ache tudo isso um saco.
    Essa semana eu pensei muito no pai que beijou a filha na boca e foi preso. Soltem esse homem e deixem que ele beije a filha.

    2009-09-03

    Nada de sono

    Cedo... tem dia que eu nem durmo, em outros durmo demais. Enquanto todos dormem estou acordado pensando em dormir, quando todos acordam estou dormindo pensando em acordar. Estou na contramão da vida. Sou do tipo Bon Vivant, não me aperto, dou sempre um jeito de tudo ter um jeito sem muito esforço ou esforço algum. Eu tive um pai que trabalhou demais, nao queria isso pra mim. Eu certamente não quero. Gosto de perder tempo com o lazer de não fazer nada. O que muitos chamam de vagabundo, chamo eu de eu mesmo. Posso dizer que as vezes sinto falta da velha agitação de outrora, mas de certo ela virá, enquanto isso vou curtindo aqui no meu barquinho ancorado na praia de mar calmo.

    2009-09-02

    Sou feliz?

    A coisa de ser só feliz é meio babaca. Sou mais feliz que triste. Na maior parte das vezes fico com a boca escancarada cheia de dentes de tanto dar risada, deve ser um certo alívio, como se algo fosse sair de mim a qualquer momento e então mostro os dentes para aliviar a tensão. Um amigo me falou que isso pode acontecer. Se trata de um animal que vive dentro de mim e que preciso controlar o tempo todo e a ai eu rio, rio para não liberta a fera. No fundo sou psicopata, dentro de mim mora um macaco pronto para cometer os crimes mais bárbaros, como cagar no meio da rua e jogar merda nos passantes inocentes, roubar um carro da polícia e entrar no mar de copacabana com a sirene ligada. Puxa, ai sim eu seria feliz. Tem tanto coisa que eu faria, só andaria nu, isso faz sentido o resto não.

    2009-09-01

    Mil coisas

    A despeito de mim só posso dizer que as vezes me assola uma fossa que "puta que me pariu". Bebo e nado no lodo fétido e verde da minha vida de solteiro obrigado. O pior solteiro é o que prefere estar casado. No fim prefiro a vida de casal, pelo menos eu tinha uma mulher que me reclamava nos ouvidos e me beijava a ponta do nariz e quando eu estava triste ela bebia comigo e me desafiava a sair da merda. Hoje sinto falta dessa peste que nem sei por onde anda. Me disseram que ela estava triste o que, sarcasticamente, me dá um prazer enorme. Mesmo sabendo que sua tristeza não tem a ver com o fato dela ter me dado um pé na bunda. Sim, tomei um pé na bunda. Convenhamos, quem iria querer viver com um artista duro como eu. Gordo, beberrão, falastrão e com um ego do tamanho da Argentina. De fato ela ainda me aturou muito. Sou cheio de defeitos horrorosos. Acho foi pelo meu senso de humor. Duvido que ela encontre alguém que a faça rir tanto quanto eu.
    Hoje acordei com vontade de ser outra coisa, uma árvore, uma pedra, uma galinha, um papel em branco esvoaçando por ai, um copo cheio de bebida alcoólica escorrendo pela garganta de um jovem intelectual; estava com vontade de ser qualquer coisa outra, uma mula sem cabeça, com cabeça eu já sou, um grão de areia nas dunas dos lençóis maranhense; qualquer coisa outra, queria ser a verdadeira garota de Ipanema, ou um cachorro de rua, a ideia de andar por ai livremente é bacana, sem ser atropelado; poderia ser uma caneca de café, um sabonete velho esquecido no tanque com fiapos de tecido seco; eu poderia ser um pombo suicida, ou uma peruca despenteada. Hoje eu poderia ser de tudo, só não queria ser esse troço insignificante e insuportável-mente que sou eu. Hoje acordei assim, sentindo uma falta da cadela que perdi por incapacidade, em vez disso, de me transformar em alguma coisa outra, parei em um bar sujo e bebi cachaça. A cachaça é um tipo de troço, de coisa, esquenta a moleira, então saí no tapa com o dono do bar só porque ele estava mais feliz que eu. Enfiei a cara na mão dele, apanhei com gosto de desgosto. Tem dia que é assim, mal posso esperar pelo dia de amanhã. Foda-se. Um dia vou ser outro tipo de coisa e ai quem sabe poderei ser simplesmente feliz.

    2009-08-31

    Bundas que te quero bundas


    Tirei meu tênis e ajeitei meu pênis para poder andar na areia da praia. Logo de cara, um velho preto e magro, tão preto e tão magro, com cara de malaco das antigas, me oferece uma cadeira, penso ser um cortejo, mas nada é de graça e paguei para sentar numa cadeira de praia na praia. Quantas bundas já sentaram nesta mesma cadeira??? De todos os cheiros e tamanhos. Na minha frente o mar e todos aqueles corpos, é lindo. Uma mineirinha com cara de garota de programa avança em minha direção me querendo com seu lindos peitinhos irresistíveis de bicudos. As mineirinhas adoram um carioca, as putas adoram um gordo, to bem na fita. Só não tenho nenhum tostão, fiquei mal na fita. Logo ela desitiu de mim. Adiante duas gostosas com seus rabos ao sol, que beleza de vista. O Rio é assim, em plena segunda feira e nós lá na beira da praia prontos para grande orgia que nunca acontece, não quando eu estou lá, tenho a impressão que eles esperam eu ir embora. Os homens exibindo seus corpos malhados, jogando futevôlei. As mulheres torrando o corpo para ficarem apetitosas para seus machos de corpos suados. Eu mesmo fico lá com cara de tarado, gordo e desengonçado. Confesso que tenho vergonha de tirar a camisa. Deixa está, nos próximos verões todos verão.
    Tinha uma menina na praia, conversando com um magro de "dread" nos cabelos, que beleza de garota. Eu fiquei protegido pelos meus olhos escuros admirando seus belos par de peitos, par de coxas, bandas da bunda, cabelos ao vento, um colírio para meus olhos vermelhos do posto nove. Feliz criatura inocente. Uma bela escultura. Não consegui parar de olhar até que uma loira passou correndo e jogou areia no meu copo de mate com limão. Tudo bem, bebi assim mesmo. Com uma bunda daquelas nem ligo. Bebo tudo sem reclamar, até a ultima gota. O sol estava quente, eu estava quente, então fui embora com a sensação de ter deixado minha princesa nua e desprotegida ao lado da fera rastafare. Tchau mineirinha, um dia desses te como pelo preço que tu cobra. Hoje não vai dar. Me levantei fui até a calçada para por meu tênis e ajeitar meu pênis, ainda vi passar uma infinidade de bundas de todos os países, de todos os tamanhos. Deus dai-me uma bunda! Amém.

    2009-08-25

    Sei lá de que falo


    Num canto da cidade
    Madrugada fria
    Chuva fora e dentro de mim
    Tudo é mofo, velho
    Mal arrumado
    Prestes mudança
    Logo ali bem ali logo
    O autor pinta seu retrato
    Como se fosse possível
    Será que ele não vê demais
    Talvez seja só falta
    Não quero mais
    Se me ligar desligo
    Desmeligo sem te ligar
    Ficou tudo feio de belo
    De velho ficou outro
    Agora parece raiva, desdém
    Não mais o que se possa fazer
    Morreu lutando morreu
    Em paz
    Nada mais importa
    Só torcer o rabo da porca
    Quebrar a maçaneta da porta
    Deixar a chuva levar, lavar
    O poeta foi morar longe
    Envia cartaz em cartas postais
    É só mais um coração em pedaços
    Não é pior que a vida
    Seja melhor como for
    Eterno enquanto foi
    Vivo o quanto pode
    Derramo sobre a tecla tinta alguma
    Nada, nem lágrimas
    Ouvi dizer que voce já se arrependeu
    Agora a Julieta já morreu
    Bebe o veneno Romeu
    Ainda sobrou aqui na boca
    Madrugada sem sol
    Praia sem sal
    Vaca sem pasto
    Seu ventre está preso
    O coração parou faz tempo
    Não sente nada
    Liga para o socorro, conserte-se
    Não me venha com a velha choradeira
    Agora só choro novo
    De pandeiro e cavaco
    Já faz tempo agora evacue
    Compra um pouco de amor pra voce
    Tá na promoção na sessão das emoções
    Veja se tem para seu tamanho
    Aquilo tudo que planejamos
    Vamos deixar de lado
    Deitar e esquecer
    Todo o resto do nosso lar
    O que sobrou do mar
    Deixa para lá, afogue-se
    Quando alguém perguntar por mim
    Mande lembranças minhas
    Diga a todos que não presto
    Para voce não presto
    Fiz um cartão de crédito
    Qualquer dia lhe mando um presente
    Não abra logo, pode ser uma bomba
    O autor quer dormir
    Vai deitar só e acordar sol
    Voce é o inverno e todos verão
    Do que estou escrevendo
    Sobre mim Jane
    Sou tu chita
    E nada me vem muito claro
    Nem muito fácil
    Voce se foi e me fui
    Vou chorar, já chorei
    De voce não quero mais nada
    Nem o ultimo beijo
    Nada.

    2009-08-19

    Meu segundo nascimento.


    Estou prestes a nascer novo e de novo. Faltam poucos dias para minha nova chegada, por isso estou anunciando minha partida. Se vou nascer novamente é certo que vou morre também. Não chorem a partida deste que vos fala. Precisamos deixá-lo partir em paz, sem egoísmo, a hora é esta. Sentirei falta, afinal foram anos de muita intimidade e descobertas incríveis, não poderia nascer outro se não fosse este. Tudo é parte de um grande plano. Vamos dar boas vindas ao novo, que seja forte enquanto dure e eterno enquanto forte. Estou trocando o duvidoso pelo certo. O negativo pelo positivo. A natureza é sempre positiva.
    Fico pensando que tipo de discurso alguém faria se estivesse no meu lugar. Eu diria que é sempre muito bom olhar pra frente sem deixar de estar atento ao presente e construindo o futuro. Hoje é tarde e amanha nem existe! Andei por muitos labirintos, venci muitos obstáculos, me perdi me encontrei, amei e amei demais, foi feliz e foi triste, fui pobre fui rico, fui criança e cresci; agora está mesmo na hora de nascer novamente, para ver a vida com olhos novos e com nova disposição.
    O parto não será fácil, existem rituais a serem cumpridos, é um momento de passagem e de chegada. Para tanto vou recolher-me nos próximos dias, não receberei email, nem ligações. Ficarei recolhido com meus livros e pensamentos. Escolhi um lugar com vista para o mar, distante de tudo. Ficarei assim, isolado, até quarta-feira dia 26 de Agosto. No retorno darei sinal de vida, vida nova.
    Deixo aqui meus sinceros agradecimentos a todos que me atravessaram nestes anos de vida. Sou feito de muita gente, partes de todos me transformam em mim. As boas lembranças permanecerão na reentrada. Deixo para trás somente as marcas e ressentimentos.
    Beijos em muitos, abraços em todos.
    Fernando Lopes Lima.