2009-10-06

Você é má

Zeca Baleiro  

Composição: Joãozinho Gomes

Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nem um olhar
Nunca falou tudo bem
Tem, mas não dá
Sorrir jamais lhe convém
Você é má
Mas há de ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, não perde o trem
Sabe nadar
Mas nada sabe de alguém que sabe amar
Eu quero ser seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
E você mata!
Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nunca dará
Nem mesmo um simples amém
A deus dirá
Diz que não vai à belém
Você é má
Mas pode ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, finge tão bem
Sabe negar
Jamais dá a quem tem demais pra dar
Mas eu serei seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
Você mata!

2009-10-04

Passeio de Domingo

Os macacos vão ao museu e se labuzam de arte. Nem percebem que são arte ao mesmo tempo. Somos um bando de macacos cagadores de regras, criadores de bons costumes e maneiras decentes. Entre nós tinha um macaco um pouco mais macaco, que não estava nem ai para os narizes impinados dos grandes entendedores de arte. O macaco chutou tudo, julgou, não entendeu e cuspiu. Alguns outros macacos polidos até acharam graça, como quem sente pena e rir da desgraça do menos refinado. (Olhem que bonitinho, nunca veio ao museu) Alguns outros levam aquilo tão a sério que chegam a ficar com raiva da falta de sensibilidade ou capacidade do macaco sem modos, como se aquilo tudo realmente fizesse diferença em suas vidas mediocres e controladas. Segui pensando no tipo de macaquice que quero fazer para tentar chegar dentro dos macacos, até os menos refinados, principalmente eles, e virá-los do avesso.

Marca registrada - By Macaco


A cachorrada carioca


da série Rio171 - Olimpíadas

Estávamos eu e Rorras de carro a toda velocidade, cortando a cidade da Zona oeste para Zona Sul. Madrugada de Domingo. Transito escorrendo bem. Nosso carro deslizava pelo asfalto. Chegamos as Laranjeiras, bairro de artistas e intelectuais. Na rua principal havia um agito de balada noturna, muitos carros e todo o tipo de gente bonita. Tudo estava ótimo até a cachorrada, com seu faro fino e olho vivo, sentir cheiro de lingüiça. Passamos embalados pelo cruzamento da Rua Alice no mesmo instante que uma patrulhinha fazia sua rondinha. O Rorras, cheio de alto confiança ao volante, não lhes deu passagem, feriu o orgulho da autoridade semi-analfabeta de plantão. Blitz, documento! Eles vieram atrás e nos fizeram parar. Pensei rápido: agora vou esperar os dois saírem do carro, saco minha pistola e deixo os dois se debatendo no chão em meio a poça de sangue. Pena que não tenho uma pistola, só a de cola, mas besuntá-los de cola quente não seria uma boa idéia. Um dos policiais chegou pela janela do motorista, um rapaz novo, de bigodes e os dedos da mão pesados de tantos anéis de ouro. Quase mando tirar os anéis, onde já se viu, um militar com penduricalhos parecendo um pai de santo de quinta categoria. O outro policial era mais velho, com cara de professor, cheio das velhas artimanhas para arrumar um dinheiro dos motoristas. Se eles fossem honestos não haveria espaço para tantos carros irregulares nos depósitos públicos. A situação faz o ladrão e eles tem o emprego certo.
O mais jovem pediu os documentos do carro e habilitação com certa educação, enquanto o mais velho, com cara de pai de família, ameaçava apreender o carro. O velho golpe do Cosme e Damião, um bate o outro assopra. O Rorras está com sua habilitação vencida e isso certamente é motivo para apreensão do veiculo, ponto para a cachorrada. O circo estava armado: o cachorro velho pegou os documentos, falou no rádio, chamou reboque... O cachorrinho aprendiz de corrupto veio logo com o papo mole de que tudo seria difícil se o carro fosse para o deposito e etc.

- O que vocês podem fazer por nós – Mandou a gente entrar no carro para decidir o que podia ser feito.

Nessa hora eu pensei em tirar meu sinto e bater naquele moleque arteiro, depois coloca-lo de castigo.
Dentro do carro eu e Rorras decidimos não dá nada ou quase nada.

 - Vamos humilhar a cachorrada – Falei puxando uma nota de dois reais

 - Reboque a essa hora da madrugada, duvido – Disse o Rorras puxando uma nota de cinco

O guardinha chegou perto da janela do carona e recebeu a triste notícia. Com a gente ele só arrumaria problemas. R$ 7,00 (Sete Reais) não compram dois cachorros quentes em Laranjeiras, mas era tudo que estávamos dispostos a dar, era pegar ou largar. A Cachorrada esfomeada não dispensa nada. O Guardinha reclamou um pouco, mas sacou a nossa, que sacamos a dele. [Apreensão do veículo àquela hora ia dar um trabalho e gente sabe que esse povo não está ali pra isso] Pegou a merrequinha e cascou fora. Fizemos a manobra mais à frente e ainda vimos os dois parados próximo a barraca de cachorro quente. O Rorras buzinou e eu acenei como se fossemos velhos amigos. Ambos tiveram que responder com sorrisos amarelos. Porcos fardados. No fundo eu gostaria que eles fossem honestos e apreendessem o carro, mas isso é pedir demais.

2009-10-03

O petroleo é nosso?

Então, seremos cede da Copa e das Olimpiadas? E temos motivos para comemorar? O governador, o presidente e o prefeitinho choraram? Lindo. Comovente. Lembrei da Princesa Isabel emocioanda ao assinar a Lei Aurea, os negros dançaram e festejaram por muitos dias... E depois? E agora José? Caga na mão e joga fora que esse filho não te pertence!

Como não se emocionar com a vibração do nosso povo? O problema é que a gente vibra junto pra coisas erradas. Eu não vou ficar aqui, como uma tia velha, me lamentando ou só reclamando, vou encher a cara de birita e deixar a vida correr solta, tratar de ganhar o meu e quem se fudeu, se fudeu. To forte na rima.

Esperança
De repente a saúde melhora, a educação melhora... Daqui pra lá o prefeitinho vai ser o homem do choque de ordem, o governador vai passar o rodo em preto pobre favelado, que muitos chamam de bandido, eu chamo de marginal, mas já que tá na margem, vamos jogar logo para dentro do rio em sacos pretos. E assim o povo vai tomando sua dose de anestesia, os ricos ficam mais ricos e o Lula entra para a história como o presidente mais popular do mundo. "é o cara", como bem disse o chefe Obama.

É ISSO AI POVO... O NEGOCIO É BALANÇAR O BUNDÃO.


Será que o Michael Jordan faria seu Moon Walk se estivesse vivo?


2009-10-02




   MEDIOCRIDADE

                  É


                      UMA

                            PANDEMIA.

2009-10-01

Destemperado

As coisa são como são, não fico perdendo tempo me lamentando. Claro que fico triste, mesmo porque não sou nenhum idiota para ficar feliz o tempo todo.



Quem não tem cú
Não faz trato 
com pica


Galeria de arte

(clik nas imagens para amplia-las)




é... tchau


Alegria é não perder tempo com papinhos que sejam sérios demais ou cheios de lógicas e profundidades. Porra, a vida e muito importante para ser levada a sério. Abre as pernas que eu quero vê o que tem ai, nem vem com esse papinho de mocinha, fica ai amarrando a porra da buceta, então eu não posso te fazer feliz. Tudo seria melhor se não houvesse tanta etiqueta de bons costumes. Vamos brincar na rede?


Então tá, "não dou nem Tchau", foda-se!


Outro dia conheci uma garota. Pediu-me as horas, de cara vi que ela tinha outras intenções. Ofereci um cigarro, ela aceitou, mas disse que só gostava de fumar depois de uma boa trepada. Achei bastante excitante o comentário e arrisquei um beijo. (Que boca macia e perfumada!) Ficamos ali num longo beijo apaixonado até que senti sua mão quente na minha bunda fria. Tudo estava acontecendo rápido demais. Parei para respirar um pouco, ela aproximou sua boca carnuda de minha orelha e sussurrou apertando forte minhas nadegas: - Eu vou te comer – e fechou a frase com um "garoto" que ecoou dentro do meu corpo inteiro só parando de reverberar na ponta do meu pau duro, gozei um jorro e minhas pernas ficaram bambas. Ela parecia saber exatamente o que estava fazendo. (acédio profissional) Depois acendeu o cigarro, olhou pra mim com um olhar de prazer máximo (dever cumprido), soprou a fumaça do cigarro, beijou-me, mordeu  a ponta dos meus lábios até sangrar (Não senti dor alguma) e se despediu em silêncio, deixando-me totalmente apaixonado, indefeso, gozado e com o sangue escorrendo na boca. Fiquei olhando a garota que havia abusado de mim sem cerimônia partir sem cerimônia. Foi-se sem olhar para trás. Fiquei ainda tonto de prazer por alguns minutos e saí do shopping tentando disfarçar a mancha de porra no tecido da calça.

2009-09-30

Cossas

Entrei no apartamento que um dia já foi minha morada, nos bons anos do casamento. Até arrisquei chamar por ela, mesmo sabendo que era só um devaneio de puro saudosismo. Por alguns momentos engoli o choro que me subia na garganta. Passado que não volta é só ressentimento tolo. Abri a garrafa de uísque, tomei o primeiro gole, respirei fundo e fui curtir a festa no apartamento que agora não é mais nosso.

2009-09-29

afoguei-me


Cheguei na casa deste meu amigo, e sempre tem um bom amigo para desafogar as mágoas e ele me leu auto-ajuda, das boas, parece. Mas já no elevador, na subida para sua casa, só pensava no uísque que ele sempre tem para desafogar suas próprias mágoas. O uísque é mesmo o melhor amigo do homem, por conta disso os suicidas são em menor número que os alcoólatras. Sentei no seu quarto com o copo cheio e bebi querendo me embebedar, esse tipo de coisa me excita. Uma amiga chegou e na euforia aceitou beber comigo. Enquanto ela bebia apenas um copo eu já estava no quarto e querendo o quinto. Vimos um filme de aventura na Amazônia, faz parte da nossa pesquisa ver filmes que não nos leve a nada. Fiquei bêbado e passei por todas as fases; a paixão subiu pelos meus pés, uma nostalgia acompanhou-a e logo eu queria voar para "encontrar-me a mim mesmo". Fora a fantasia o resto foi sono. Cheguei em casa e tudo está bem, sinto falta de alguma coisa fora de mim, mas no fundo estou mesmo é preso dentro de mim. Liberta-miei logo.

2009-09-28

2009-09-27

...

Passei a vida inteira acreditando na aventura magnifica da vida. To cansado para continuar escrevendo. Durmo.

Minha querida Dinamarquesa

Fui correndo para ver se ela havia voltado para o mesmo ponto do ultímo encontro. Pensei ser possível vê-la novamente e, quem sabe, ela me perceba verdadeiramente. É uma paixão antiga, quando estou longe fico cheio de coragem, imaginando façanhas e ditos incríveis, mas quando tenho alguma oportunidade de aproximação minhas pernas enfraquecem e as placas do meu cérebro colam de tal maneira que não consigo nem me fazer notar. Outro dia a encontrei e foi tudo confuso, preferi fingir uma ar de "não estou nem ai", mesmo porque isso tudo é problema meu. - Oi, como vai? Depois nos falamos melhor. Beijos. - Disse isso e fui passando depressa. Eu sou um amante covarde.

Ahhhhhhhhhhhhhhh! (Odio!)

De verdade... to meio de saco cheio de ser tão resistente. Chorei por três dias e parei repentinamente prometendo a mim mesmo que jamais chorarei por amor,  de nada vale chorar. O amor é um flor vermelha que nasce no coração dos fracos. De qualquer forma to com preguiça de reagir, as vezes penso em escolher uma rede confortável e ficar lá imóvel até que a morte me carregue em seus braços. Isso é só um pequeno desabafo, vou dormir e tudo não passará e ao mesmo tempo passarão.

2009-09-24

Plá

De boca aberta o índio recebeu os europeus como quem para diante do novo e perde qualquer poder de reação. Uma simples galinha pode se tornar um monstro assustador, com suas penas, bicos e cocoricar sinistros. De princípio era o choque e a esperança do contato com um Deus que lhes era sedutor. Quem não ficaria imóvel diante de uma nave de outro mundo? Imagino a cena de impacto: no horizonte o que é apenas um ponto preto vai aos poucos se transformando em uma enorme maquina flutuante, de onde descem homens de barbas longas e corpos de muitas texturas, com botas, chapéus e armaduras que lhes emprestam uma imagem de seres de outro mundo, o que de fato eram. O encontro de dois mundos distintos. Um horror de admiração dos dois lados nos diz Pero Vaz de Caminha. Dizem que nossos índios eram ingênuos, crianças a brincar no jardim do Édem, não estou certo disto. Tenho a ideia fixa de que eram simplesmente seres humanos com seus costumes e ideias próprias para explicar sua existência. Dizem que o Brasil é feito do pior da Europa, com o pior da África e com os piores nativos de toda América. Dizem, e quem diz? Que nossos índios, nossos? Eram preguiçosos, e por isso foram facilmente controlados, dominados, exterminados. Não estou bem certo disso. Estamos investigando para tentar entender a formação do povo brasileiro. São tantas lacunas de nossa própria história, mesmo porque quem ganha a guerra nos conta sua versão, nos falta uma parte importante, a versão do derrotado. E ai batemos cabeça, cagamos regras sobre si mesmos e etc... O que me toca nisso tudo é ter que acreditar que o ser humano é ganancioso por natureza, invejoso por natureza, uma praga por natureza. Dai não importam os Deuses, pois eles deviam estar loucos quando nos puseram no mundo. Nem vem com essa de que o mundo piorou. O mundo sempre foi essa merda admirável. Uma cagada de um Deus louco, tirânico e todo poderoso. Nesta merda divina somos os vermes a vagar pela superfície fétida do mundo de merda. Peida!

2009-09-21

HiHou!

OutroDiaCheioDeGraçaPorraQueria
PoderViverSemPrecisarDeDinheiro 
MerdaDeFicçãoDiabolica
EsseCapetalismo

2009-09-20

Como vai voce?


O tempo atravessa e nos transforma naquilo que fomos feitos para nascer, fetos para viver. Não entendo muito de nada ou quase nada, só sei que sei de pouco e o pouco que sei é que me sustenta para querer saber um pouco mais. O resto é silêncio. Passados os anos percebo que mudei, fui atravessado por um monte de gente e situações diversas, mas no fundo sou o mesmo bom garoto de sempre, com um entendimento pratico da vida pratica. Nada que já não soubesse, como se em algum ponto da minha vida eu tivesse decidido ser o que sou. Meio que é assim com todo mundo, cada  qual com suas atravessadas e travessias.

Como a minha vida é de pouco trauma, alguns dramas de dores finas, mas sem grandes conseqüências, quase que estou no mundo a passeio. Observo tudo com um ar de espectador de mim mesmo.

Tudopassatudofilmetudotrajetóriatudohistória
tudoquadrotudosensaçãotudovivotudomorto.

Deixei de ver pessoas por longos anos, namoradas amadas, amigos antigos e coisas, não os vejo nem sei de suas histórias, da vida que levam ou levaram até aqui. Adoraria sabê-las.
Esta semana encontrei uma antiga namorada, fazia quinze anos sem trocar palavra e nos encontramos para brincar quase que por acaso. Não digo que foi ótimo, mas estranhamente belo e grotesco, com alguns momentos de pura crueldade. Ela acreditando ter sido eu seu eterno príncipe perdido, depositou expectativa demais em nosso encontro. Na dor da sua solidão, acreditou que nosso reencontro fosse acender a velha chama da paixão. Doce ilusão de uma mulher sofrida, carente e ressentida da vida. Senti sua tristeza, fizemos sexo e conversmos mesmo para tentar se conhercer.

Fiquei pensando muito na trajetória, nas escolhas, nas esquinas e encruzilhadas. Gostei de saber que não seria possível, como não foi levar aquele tipo de vida que teria levado se na ocasião escolhesse o casamento. Como saber? Impossível. Senti pena e talvez volte a vê-la. Por enquanto adeus.

A sanidade é uma linha fina.