2009-10-24

Bar doce bar


Cosseira no orifício da cavidade anal.


O cú de todo mundo cossa. Tem aquele momento íntimo em  que o cú se manifesta e discretamente arrastamos a ponta do dedo para alívio da tensão. Fico imaginando aquelas mulheres magnificas, insuportáveis de tão belas, cossando o cú. Sim, pois cú de mulher bonita também cossa.


Passei aqui só pra dizer isso.


Macacú

2009-10-23

Lapide



Trabalhou até desistir 
Resistiu até sucumbir 
Jaz aqui o morto 




L.A.P.A

Andei pela Lapa com minha latinha de cerveja na mão a procura de alguém para aquecer meu coração. Fito algumas mulheres que parecem ser interessantes e tento uma aproximação simpática. Uso meu melhor vocabulário para debater sobre o eterno presente, o hedonismo e blablabla curriola. Falamos e bebemos; bebemos mais do que falamos e olha que falamos bastante. Entre cigarros, cervejas e monólogos as duas começaram a se interessar por mim. Certo, não esperava por menos, estou num dos meus melhores dias. Como é do meu feitio, deixei a coisa correr muito solta. Um bom malandro sabe que isso é fatal. Acabei a noite como de costume, punheteiro solitário. Deu ao menos para esquentar um pouco o coração.

2009-10-22

!@#$@%$@#%@#

Sou um cara bobo, bobão, palerma mesmo. Sou também do caralho por isso, tenho pouca vontade de não ser desta maneira. Gosto da minha forma de ver o mundo. Como criança olho, vejo e me relaciono. Sou isso e quero ser isto. Assim mesmo é que sou. Não me venha querer me ensinar a ser de outra forma. Peido não sua cara e cuspo.

2009-10-21


Uísque combina com qualquer assunto

blablablablabla

Sou do tipo que gosta de gente, gente em volta, gente em cima, gente em baixo. Na média sou amado por muitos e considerado pela maioria. Gosto assim. Sou chegado em gente de todos os tipos. Sou bom relações públicas. Nem me esforço muito, geralmente às pessoas são muito agradáveis comigo. Gosto dos bonitos, dos feios, dos de todas as cores. Difícil mesmo é aturar os chatos, no meio da galera tem sempre um ou uma. Eles adoram andar com gente legal. Deveriam ter o bom senso de andar só entre eles, mas se tivessem esse tipo de consciência não seriam chatos. Como definir se uma pessoa é chata? Pergunta difícil. Sei apenas que quando reconheço um desses, sou o primeiro a dar as costas. Não dou nem tchau. Os chatos têm uma característica bem comum, se levam a sério demais. Levam a vida numa seriedade, como se tudo isso que somos não fosse uma piada de péssimo gosto do criador. Gente chata acha que não é bicho.

2009-10-20

Para Suzy com amor



Suzy trabalha de recepcionista em um salão de beleza no centro da cidade. Ela é sempre a primeira a chegar. Típica funcionária exemplar. Ouvi dizer que ela mora longe. Sempre sai de casa muito cedo, se enfia numa condução super lotada e quando o patrão chega para abrir a loja, ela já está na porta fumando seu cigarro de filtro vermelho. Às vezes tenho vontade de ser o cigarro de filtro vermelho da Suzy.
Suzy não é feia, também não é bonita. Tem umas pernas grossas e um charme de mulher decidida, que não se importa com mais nada a não ser com o trabalho que garante o seu sustento. Gosto destas mulheres que fazem questão de mostrar para o mundo sua alto-suficiência, que parecem não precisar de homem algum. Sempre a vejo passando com passos decididos. Suzy sempre sabe para onde está indo. Por isso tudo ela é tão encantadoramente linda.
Estou trabalhando de segurança noturno, para fazer um bico, enquanto a carreira de escritor não decola. Como podem perceber acabei me apaixonando por Suzy. Sempre a vejo chegar e esperar por seu patrão na porta do salão. Meu setor de vigília é exatamente a rua onde Suzy trabalha. Rua Santa Luzia, Centro. Suzy é como lhe chamo carinhosamente. Não sei seu nome verdadeiro e não procurei saber, para mim Suzy basta. Ela é minha namorada, só não sabe disso. Ainda. Poucas mulheres tiveram a honra deste titulo. Ser minha namorada não é para qualquer uma. Sou Cesar Frias, escritor. Sou profundo, sou magnífico. Caralho. Bem, sim, sou do caralho. Um sujeito como poucos. Talvez, as coisas estejam um pouco fora do rumo, por enquanto, mas logo tudo se ajeita e finalmente serei reconhecido pelo meu talento. Suzy é uma mulher especial, sei disso. Meu coração nunca erra. Talvez, tenha errado uma ou duas vezes, mas nunca mais que três. Suzy e eu fomos feitos um para o outro.
Todos os dias, impreterivelmente, às cinco e meia da manhã, sem que ela saiba, vou ao seu encontro no ponto onde desce do ônibus e acompanho-a, como seu segurança particular, até a porta da loja onde trabalha. Sei que ela se sente segura com minha presença. Posso sentir. Posso ouvir as batidas tranqüilas de seu coração. Posso ouvir seus pensamentos: - Ainda bem que você está aqui, meu herói.
Um dia resolvi fazer um teste, para ver se Suzy sentia mesmo minha falta. Às cinco e meia da manhã, como de costume, fui esperá-la chegar, mas desta vez, me escondi próximo ao ponto de ônibus e fiquei de longe observando a reação de Suzy. Quando o ônibus partiu, deixando-a sozinha, no escuro, em pleno centro da cidade, ela olhou para um lado, para outro, baixou a cabeça, respirou fundo e caminhou depressa. Meu coração se encheu de alegria, estava tudo claro para mim. Eu era importante na vida de minha amada. Não me resta duvida, agora eu só preciso de uma oportunidade para poder me aproximar e, simplesmente, beijá-la. Não haverá resistência da parte dela, afinal ela encontrara um homem que a fazia se sentir segura. Uma mulher, por mais decidida que possa parecer, sempre sonha em se casar na igreja com seu príncipe encantado. Eu estou para ela como ela está para mim.
Estou alguns dias sem dormir de tanta ansiedade. Passo as noites esperando por Suzy e de dia pensando em como fazer acontecer o grande encontro apaixonado. Tudo aconteceria como num filme de amor: Nossos olhares se encontrariam, quase que por acaso, e seria amor a primeira vista. Primeiro paixão. Faríamos sexo em todos os cantos da casa, nos beijando como loucos apaixonados. Depois viria o amor e a vontade de ficar juntos para sempre. Vamos ter filhos. Dois moleques. Um menino e uma menina. Não, o melhor mesmo é deixá-la decidir. Ela vai adorar. Eu a farei muito feliz.
Agora só resta encontrar uma maneira d’eu me aproximar de Suzy. Minhas roupas estão esfarrapadas. Minha barba está mal feita. Talvez ela não ligue para essas coisas. De qualquer forma não posso me apresentar assim, com este aspecto sujo e desleixado. Vou precisar fazer a barba, comprar uma camisa bacana, um bom perfume e vai dar tudo certo. Faz tempo que não me aproximo de uma mulher. Só de pensar minhas mãos ficam suadas. Tenho medo de espantá-la para sempre. Deus, não pode ser tão difícil assim. Deve haver alguma maneira mais fácil. Sei que ela está só esperando que eu tome a iniciativa. Posso sentir sua ansiedade. Ouço seu pensamento: - Eu serei sua, basta você pedir, serei sua para sempre.
Não suportarei se algo sair errado. E se ela for comprometida? Se ela não gostar da minha conversa? Se já tiver filhos? Ela deve me achar um covarde e, mulheres como Suzy, não gostam de caras covardes como eu, que não sabem conquistar uma mulher. Eu e minha grande covardia. Minha falta de culhão. 





2009-10-18

Nada a declarar

Tenho pensado e isso não tem me feito muito bem. Vou parar de querer pensar demais. Toda tragetória tem um momento de escuridão. Minha vida tá no escuro total. Moro mal>como mal>fodo mal. Ok, também não sou do tipo que fica se lamentando pelos cantos. Mesmo porque nasci pobre pacas e até onde sei, pelo que me dizem, subi na vida. Tudo poderia ser bem pior. O ruím é ter que conviver comigo e minha saudade eterna e alguma coisa que já nem existe mais. Uma porra esse negocio de ser sentimental.

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Não se trata disso. Não sou do tipo que gosta de fazer esforço criativo. Gosto de escrever quando algo realmente já está pedindo para sair da minha cabeça, daí o esforço é mínimo. Merda, nem sempre é assim. Já foi. Agora a freqüência de idéias que querem sair da minha cabeça está cada vez menor. Deve ser algum tipo de crise. Sigo aqui tentando, mas sem fazer muito esforço, como é do meu feitio.

2009-10-17

A segunda morte de Hélio Oiticica - LUTO

Um helicóptero da polícia foi abatido por traficantes. Guerra no morro dos macacos. Chineses morrem em explosão em casa de fogos na China. Avião cai e mata quatro pessoas. Tudo isso foi dito pelo reporter na televisão, isso tudo não foi nada diante da noticia do incêndio que destruiu 90% da obra do artista plástico Hélio Oiticica. Isso sim é uma tragédia!

Um pouco de Hélio Oiticica:
Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Estudou com Ivan Serpa após 1954, e entre esse ano e 1956 integrou o Grupo  Frente, aderindo posteriormente ao Movimento Neoconcreto  e tomando parte nas mostras realizadas entre 1959 e 1961 no Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Integrou também a representação do Brasil na exposição internacional de arte concreta realizada em 1960 em Zurique, na Suíça, e esteve presente nas coletivas de vanguarda Opinião 65  e Opinião 66, Nova Objetividade Brasileira e Vanguarda Brasileira, realizadas entre 1965 e 1967 no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, expondo ainda na Bienal de São Paulo (1957, 1959 e 1965) e na da Bahia (1966). Até 1959 Oiticica ainda se conservou fiel aos veículos e suportes tradicionais da pintura. Reduziam-se seus quadros de então a efeitos cromáticos e de textura obtidos unicamente com a aplicação de branco, e revelavam um ascetismo que o desenvolvimento posterior de seu trabalho iria desmistificar. Nesses primeiros quadros via-se já muito nítida a tendência do artista a superar o plano bidimensional, pela utilização da cor com evidentes intenções espaciais. Abandonando o quadro e adotado o relevo, bem cedo incursionaria Hélio por novos domínios, criando seus núcleos e penetráveis, para chegar em seguida à arte ambiental, em que melhor daria vazas a seu temperamento lúdico e hedonista. Surgem assim, de 1965 em diante, suas manifestações ambientais, com capas, estandartes, tendas (parangolés), uma sala de sinuca (1966), Tropicália (1967, um jardim com pássaros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos), Apocalipopótese (1968, reunindo várias manifestações de outros artistas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro), etc. Todas essas experiências serão objeto de importante exposição efetuada em 1969 na Whitechapel Gallery, de Londres - no seu dizer, "uma experiência ambiental (sensorial) limite". Em setembro de 1971, de Nova York onde se fixara, o próprio Hélio Oiticica, em texto difundido na imprensa carioca, assim se expressava: "Se há gente interessada em minha obra anterior, melhor, mas não vou expô-la ou ficar repetindo ad infinitum as mesmas coisas; não estou aqui para fazer retrospectivas, como um artista acabado; estou no início de algo maior; quem não entender que se dane; procurem-se informar melhor e respeitar idéias e trabalho feito". Hélio Oiticica, que em 1970 tomou parte em Nova Iorque na mostra Information, organizada pelo MOMA, recebendo nesse mesmo ano bolsa de estudo da Fundação Guggenheim, viveu nos Estados Unidos até 1978, quando regressou ao Brasil e de novo se fixou no Rio de Janeiro, iniciando então a última fase de sua breve carreira. Em 1981, um ano apenas após sua morte, seus irmãos Cesar e Cláudio criaram o Projeto Hélio Oiticica, destinado a preservar material e conceitualmente a obra do artista de quem a Galeria São Paulo, em 1986, levou a cabo importante exposição intitulada O q faço é Música, cujo título retoma um texto de sua autoria: "Descobri que o que faço é MÚSICA e que MÚSICA não é "uma das artes" mas a síntese da conseqüência da descoberta do corpo". Nos últimos anos, em nível inclusive internacional, a importância de Hélio Oiticica como artista seminal dos novos desdobramentos da arte ocidental de fins do século e do milênio tem sido posta em destaque através de exposições itinerantes realizadas entre 1992 e 1994 em Paris, Roterdã, Barcelona, Lisboa e Mineápolis, sala especial na Bienal de São Paulo em 1994 e participação nas Bienais de 1996 e 1998 etc. Por fim, ressalte-se a criação no Rio de Janeiro, em 1996, do Centro de Artes Hélio Oiticica.










2009-10-15

Homem solitário procura mulher para sexo fácil


Eu sou insurpotável: sou metido, falastrão, cago regras, me acho o melhor em tudo, gosto de discutir relação, adoro conversas longas, bebo bastante, não sou generoso, não tenho dinheiro, não sirvo para nada, não acredito em fidelidade, não gosto de trabalhar, não vou a igreja, julgo o mundo sentado na mesa de um bar, fumo, sou gordo, não sou educado, falo palavrão, fujo de briga, sou tarado, punheteiro safado, frequento inferninhos, durmo demais, chego atrasado, sou egocentrico, chato, engraçadinho, ando de cueca pela casa, não quero ter filhos, gozo na cara, adoro miojo com salsicha, sou anarquista, to pouco me fudendo para o meio ambiente e tenho poucas qualidades.


Procuro mulher do mesmo jeitinho para relacionamento aberto sem compromisso. Garanto boas risadas e muitas gosadas. Quem se interessar favor deixar um recado em minha caixa postal.

2009-10-12


Micro conto sujo


Então a dona da pensão, um padre viado, marinheiro, que juntou dinheiro e comprou um prédio inteiro, colocou por debaixo da porta do meu quarto um bilhete abusado de cobrança:

Favor pagar o aluguel do quarto antes que
eu seja obrigado a tomar as medidas legais.
Ass.: Pe. Marcos

Eu não estava atrasado. O aluguel venceu ontem, Sábado. Só não tive tempo de entregar o dinheiro que já estava comigo desde Sexta. Bicha filho da puta. Peguei o dinheiro enrolei na merda do bilhetinho e fui até o quarto da bicha divina. Bati forte. A bicha não respondeu. Gritei. A bicha desligou a luz. 

- Tá com medo de quê viado, toma a porra do teu dinheiro e enfia esse bilhete no olho do teu cú.
- Pode por o bilhete e tudo por baixo da porta. 

Disse a bicha com voz trêmula. Sou um homem grande com cara de mal, ela deve ter se borrado toda.

- Se voce quiser seu dinheiro vai ter que abrir a porta.

A luz do quarto do padre acendeu e a porta abriu lentamente. A bicha filha da puta colocou só a cara pra fora. Puxei a porta com força bruta esmagando seu pescoço entre a porta e o portal. Ela gritou algo estrangulado que não entendi. 

- Escuta aqui viado de merda. Pega essa porra de bilhete enfia no teu anus. Nunca mais me cobre desta maneira indelicada. Eu sou um homem sensível, fico logo ofendido e quando isso acontece sou capaz das piores barbaridades.

Disse isso enfiando o bilhete com o dinheiro na boca da bicha sufocada. Soltei e ela ficou caída chorando no chão sujo da merda desta pensão horrorosa. Dei as costas, acendi um cigarro e com voz calma disse:
 - Boa noite Senhor Padre. 

No outro dia, ao sair para o trabalho, encontrei a bichona velha varrendo a portaria do prédio com um lenço enrolado no pescoço. Passei e ela, sorrindo, me ofereceu uma xícara de café. Bicha safada.

Dia santo


Hoje foi um dia de descanso da maratona de festas do fim de semana. No Sábado um casamento e no Domingo aniversário de um ano do meu sobrinho mais novo. Os dois eventos foram como esperados. Revi alguns amigos. Falei algumas merdas ao pé dos ouvidos e não fui capaz de comer ninguém. O que importa é que hoje foi feriado e pude curtir minha ressaca na beira da praia. Comecei a ler um livro de contos do Bukowski ("Ao sul de lugar nenhum") e um livro de auto-ajuda, acho que estou precisando, de autoria de Alexandre Lowen. Famoso psiquiatra, criador da Bioenergética, discípulo de Reich, dizia que o paciente deprimido é uma pessoa sem fé. Esqueci de mencionar o nome do livro em questão, chama-se "Medo da Vida", e quem não tem?
Agora imagine a seguinte cena: uma praia com um monte de mulheres bonitas e desprovidas de vergonha, usando biquínis que tapam só os orifícios, uma cadeira confortável de frente para o mar, uma bolsa térmica com algumas latinhas de cerveja gelada, os dos livros já mencionados e um monte de tempo livre. Esse foi meu dia de descanso. Isso é o que tenho para escrever hoje. O resto é silêncio e uma punhetinha no final da noite.

2009-10-11

@!#$%$¨¨&*¨&()

       Tempo
Passando
       Vivenciando
Tropicando
         A vaca botou ovo
                        Tem que pagar as contas
              Homem
       Sucesso
 Desejo
             Sonho do sonho
Não me venha
                                     Com esse papo
                                              Catiripapo
Estética
     Estática
          Estrada
              Estala
                   Escola
                                                         
                       Onde aprendi a ser filho da puta?


Onde aprendi a ser, filho da puta?
                                            Retiro-me
                                                                                             Queixo-me
       Jugo - julgo
Não me venha com essa de pressa
                Voce perdeu o assento
                                   Já faz tempo
                                                               Orgulho de puta
               Noite de noite
Sigo me lambusando de beira de praia

2009-10-08

2009-10-07

Aos bons encontros inesperados.

Adoro encontrar gente amiga, esse tipo de acaso na cidade é sempre carregado de mistérios e surpresas, quase sempre felizes. Essa baderna me excita, principalmente nos momentos que acho que meu coração está batendo á-toa. Sabe aquelas noites que voce está fazendo tudo para encontrar algum tipo de sentido pra vida, então voce caminha na cidade e, por acaso, encontra gente que tá disposta a viver e ser feliz e ai, por acaso, a vida volta a fazer sentido e voce se sente parte de algum tipo de plano? Nesse caso nada é por acaso.
Um bar, gente amiga e cerveja, do que mais precisa um homem? De fámilia? Não, claro que não.

Eu 'to solteiro faz pouco tempo, sofri e agora já passou. Não sou do tipo que sente pena de si mesmo e nem fico remoendo, ressentindo. O que passou tá lá, guardado na experiência e não no trauma, sem marcas. Tive raiva e certamente vou ter ainda muitas vezes nesta minha vida, tenho sangue e adoro sentir raíva. Existem momentos que a raiva é sadia e faz crescer. Não é algo que se procure, mas quando acontece deixo queimar até a ultima chama.
 
Hoje vi uma pessoa, amiga dos amigos, sofrendo verdadeiramente de amor, passando por todas as fases num espaço de tempo curto; sentiu-se um lixo, brigou, chorou, bebeu, riu e sentiu raíva. Sei bem o que é isso. Com ódio fez uma das coisa que resolveu minha vida. Foi um momento sublime de elevação quântica, partículas subatômicas de paz fluiram pelo universo inteiro. A sujeita pegou uma garrafa de cerveja vazia, perguntou para alguém na mesa se podia quebrar, esse alguém respondeu que sim sem acreditar.  A maluca jogou com vontade, fazendo a garrafa se espatifar no chão de paralelepipedos como um ovo da tartaruga azul. Toda a cena durou menos de um cegundo, mas foi o suficiente para transforma o universo. A medida corajosa da ação/reação inesperada da sujeita com ódio fez o mundo parar de girar, voltando logo em seguida. Senti, naquele instante, que toda a raíva do mundo havia deixado de existir por alguns minutos, uma supensão no espaço e no tempo. Na China um homem que batia na esposa, a beijou longamente e depois continou o castigo. Na África um Leão faminto deixou fugir um antílope que já estava dominado. Senti tudo isso passar por mim e arrisco dizer que se mais garrafas fossem quebradas com raíva não haveria guerras. Quanta besteira... Quanta força bruta...  Quanto exgero. Adoro!
Uma coisa é certa, dá próxima vez que sentir raíva, por qualquer motivo, espero que tenha garrafas de cerveja por perto. Uma delas, no mínimo, vou espocar no chão. Santo descarrego!

2009-10-06

Sarrabuxo e tratratra


Andando pelas ruas da cidade, passando em meio a tantos e tão poucos de mim, preso em meus pensamentos, desviando de tudo vou até o fim. "Não sei onde estou indo só sei que estou no meu caminho". Passa velho, branco, negro, grevista e pelego; passa mulher bonita, feia, sem jeito e com jeitinho de moça prosa; passa pobre, passa rico, passa você e passa eu também; passa boi, passada boiada, mas aquela que quero nunca passa; passa mendigo, nordestino, argentino e sem destino. Nas ruas da cidade, em meio a prédios que arranham o céu, um formigueiro inteiro de HOMENS e coisas que parecem HOMENS. Tudo em movimento, cada um carregando sua própria cruz, vindos de lá, de cá e indo para qualquer lugar. Vejo os sofrimentos, as alegrias e eu, que não sinto nada, passo carregando todo o peso do mundo em minhas costas. Aquele pobre homem deitado no chão, esfarrapado e solitário, não é diferente de mim. Penso na flor que um dia esteve em meu jardim e esqueço um pouco de tudo que vejo, esqueço um pouco de mim. Caminho pelas as ruas da cidade para evitar que em meus pés nasçam raízes, quero balançar e simplesmente ao vento me desfazer como bola de sabão. Tem dia que me sinto um chiclete amassado num canto sujo da cidade, de vez em quando vem alguém e pisa levando um pedaço de mim na sola do sapato. Se me falta coragem, me sobra vontade e vou seguindo a passos leves e pesados na solidão que assola e consola. A cidade não para, só cresce, o de cima morre e o debaixo mata, o debaixo morre, o de cima oprime. No jogo limpo da cidade a trapaça é regra (RIO 171). Passa a policia, corre o camelô e escorrega na merda da calçada. A calçada é um monte de merda cercada de buracos por todos os lados. Por que não fazemos uma guerra de pedras portuguesas? Pega policia, pega ladrão, não fica um negão, nem brancão. A cidade tá sempre lá, vai-se o homem fica a cidade. O rabecão levou o homem que não era eu e outro já estava por perto, na fila para o necrotério. Hoje tem sopão de graça na praça, a cidade é uma graça. Vai chover? Será que vai da praia amanha? Quando acaba a greve dos bancos? Você vai assistir algum filme do festival? Que horas abre o puteiro da Lapa? Sem respostas para minhas indagações pouco filosóficas vou cagando e andando. Vou mijar andando e se dé mole pra mim eu como.