2009-12-30

To cansado. Muito cansado. No fim de ano quero dormi muito e não pensar em nada. Esquecer. Me curar. Só olhar adiante. Que venha o próximo ano. Amém

2009-12-28

Natal passou. Foi tranquilo. Apenas uma sensação de ter esquecido alguém. Ou de ter sido esquecido por alguém. Como se faltasse algo. Engraçado. Não nos ligamos. Um dia foi uma família. Agora é só mesmo.

2009-12-23

Relatório

Sabe quando vc derruba o tabuleiro de xadrez e varias peças estão no chão e vc vai pegar e cada vez que duas ou mais peças são recolhidas do chão-outras despecam e juntar as peças parece uma eternidade? É isso.

2009-12-22

<>

E o Natal tá chegando.
                Época de lembranças boas.
                               De quando papai escondia os presentes.
                                                       De quando a familia toda se reunia em volta da mesa.
Ser criança faz sentido.
       O resto não.

2009-12-19

Pica chororenta

Um sabado qualquer. Vago. Vazio mesmo. Nem tão solitário. Sem sentido. Vou curtir um pouco essa baderna. A barderna me excita. Fico pensando comigo mesmo. É importante refletir. Pensar só. Só pensar. Saudade? Sim. Dela? Também. Dos tempos com ela? Também. Um nó na garganta. Sinto cheiro de puta merda. Tenho odio. Imagino o choro. Se tivesse coragem bateria com a cabeça numa parede e deixaria o sangue escorrer pelo rosto. Acenderia um cigarro e caminharia. Fumando um cigarro e sangrando pelas ruas da cidade. Imagina. Vou quebrar algumas garrafas para aliviar a tensão. Depois de esvaziá-las para aliviar a tensão. Chego a um ponto que deixo de acreditar em nós. Na humanidade. -(brega-brega)- Sem muito sofrimento. Deixo de acreditar no amor. Nessas coisas que só acontecem nos filmes. Nas belas histórias de amor. Chorei. São lagrimas salgadas e cristalinas. Essa vontade de cuidar um do outro não existe. Nunca existiu. Foi só uma ilusão. Pensei. Cuidaria dela até a velhice. Amei mesmo. Agora preciso abrir meus olhos e cuidar de mim. Me convencer que sou um cara mal. Duro mesmo. Durão. De cara amarrada. Solitário de restos e sobras. Fico assim até encontrar um novo amor. Quando tudo voltará a ser belo. Quando tudo voltará a ser belo? Suportável ilusão. Suportável ficção

2009-12-18

Nada.
Melhor
dizer
em silêncio

2009-12-17


O
que
dizer
quando
esgotam
as palavras?

2009-12-14

Abri as portas. Liguei a maquina. Mal pude respirar o ar da manha que invadia a loja e as clientes já chegaram com a pressa que lhes é peculiar. Cada uma delas com um motivo diferente para estar atrasada. O que fazem elas em um salão de beleza se estão tão atrasadas? Se embelezam para chegar ao trabalho atrasadas. Otimo. Assim sigo eu com minha função de lhes suprir a necessidade de estar sempre belas. Quinta feira é sempre uma loucura. O dia inteiro passoas saem, pessoas entram. Pessoas de todos os tipos. A maioria mulheres. Bonitas, lindas e coisas. Elas choram, riem e se descabelam. O cabalereiro é uma especie de amigo terapeuta e a manicura é a fonte de fofoca diária que a mente precisa. Esse é meu negócio. A beleza. Como dizia Socrates: A beleza é a melhor carta de recomendação. Esses gregos nos deixaram tantos presentes. Eis o sentido do belo nos dias de hoje:  a parter mais importante para um boa apresentação é a beleza fisica. "A primieira impressão é a que fica". Nesse contexto estou inserido como agente da beleza. Pronto para melhorar seu cabelo, seu corpo, suas maos e pés a qualquer hora, dentro do horario comercial. Marque uma hora e seja mais feliz ou pelo menos pareça mais feliz.
Fora isso continuo minha saga de escritor. Empresário da beleza, ator e escritor. Sim, sou do caralho. Mais dia menos dias estarei estampado nas colunas sociais. Darei entrevistas e todos quererão saber coisas sobre minha vida tribulada. Dirão: - como ele consegue tempo para fazer tanta coisa? - Um homem perfeito deveria ser eleito! É um passaro? Não! É uma avião? Não! É o super-mega-viva-puxa-ai-caramba EMPRESÁRIOOOOO.

Eu fico tentando me conVENCER.

2009-12-10








Hora de comer - comer!
Hora de dormir - dormir!
Hora de vadiar - vadiar!
Hora de trabalhar?
- Pernas pro ar que ninguém é de ferro!




Ascenso Ferreira - poeta pernanbucano.




2009-12-08

!%#$¨¨&$%&¨%*¨%*&*

Me arrestei até a casa onde durmo. Fechei a porta do quarto e dentei para um sono profundo. A cabeça fervilhando como se estivesse cozinhando algo que ficará pronto logo, o coração com vontade propria de voltar ao passado e o corpo - batido e mal passado.

Mais um ano se passou, estou ficando velho e acabado. Adoro trabalhar. De verdade, gosto mesmo. Tenho fé de que estamos, estou, construindo minha vida. Finalmente controlando meu dinheiro, já não era sem tempo. Finalmente me tornando um adulto, já não era sem tempo. Uma mundança brusca na vida de um vagabundo que só queria mudar o mundo. Agora é olhar pra frente e carregar o futuro nas costas. Então tá. Se não posso mudar o mundo vou ficar rico, ganhar dinheiro mesmo. O momento é esse. Trabalhar pra ganhar muito dinheiro. Cuidar do meu negocio. Escrever. Atuar. Morar bem. Comer um monte de mulheres. Beber. Rezar. Trabalhar. Cançar. Tudo isso e misturado. Dito isso dito aquilo. Pensei. Agradeci. Dormi profundo. Será que alguém pode apagar a luz?

"Meu lar é onde estão meus sapatos"

E agora tenho um trabalho que me sustenta o bolso, um grupo de teatro que sustenta a alma, amigos que me sustentam o ego. Estou otimo, sou do caralho, como vcs sabem, e estou otimo. Não. Me falta um amor e um lar. Já tive um lar e um amor. Peguei gosto pela coisa e na falta a vida perdeu o sentido. Estou agora a procura de uma lar para chamar de meu novamente. O amor pode esperar. Hoje acordei decidido. Difícil envelhecer. Oh! manhâ dos inícios!

2009-12-04

<>

Não sei se alguém reparou, mas estive ausente por alguns dias.
É o trabalho que me consome o tempo e a vida.

2009-11-30

Hoje - Dia do caralho!

Peguei um taxi. Estava atrasado. Com sono e atrasado. Larguei minha mochila e meu computador no banco traseiro, ao meu lado. Desci correndo. Peguei só minha mochila e o taxi partiu. Puta que pariu. Perdi o computador e minha alma perdeu cinco pontos de vida. Foi quase game over. Tem dia que é melhor pular de paraquedas, sem paraquedas.

2009-11-27

blá

Tem dia assim, com cara de puta merda. O Calor, o calor, o calor. Isso nem é o mais insuportável. O pior é a falta de horizonte. Vejo lá na frente, mas o que vejo é pouco, quase nada. Sinto aquele vazio da falta de sentido. O mundo gira entorno do sucesso, do dinheiro, da frivolidade. Gostaria de dizer: Não sou digno de pena. Não quero provar nada para ninguém. Não me interessa o que vc pensa de mim. Guarde sua capacidade de viver neste mundo para voce. Não queira me ensinar nada.
O homem para fugir de si fez um buraco no peito. No peito Mario. No peito! De verdade eu fico lá, feito bobo. Só olhando. Rio, quase rio por dentro. São todos tão burros. O empreendedor é engraçado, tem medo da pobreza e por isso é engraçado. Tem medo do fracasso. O amor? Isso já acabou faz tempo. As pessoas não sabem mais o que é o amor. Conhecem muito bem a desordem e a merda. São só tipos de si, pois não conseguem ser si. Ter é ser. Ser não é nada. Mesmo porque vamos todos em algum momento deixar de ser. vivamos no presente e morramos no presente. De verdade tudo isso é besteira. Acreditar é besteira e não acreditar também. Nunca fui de me levar a sério. O que importa é ter onde dormir e ter o que comer. O que importa é se manter vivo e aproveitar o máximo da vida. De resto é um não sei grande e absoluto.

2009-11-24

Micro-conto de amor e ódio


Odeio despedidas amorosas. Afastei-me sem me despedir. Não olhei nem para trás. Odeio qualquer tipo de despedida. Sobre tudo estas, que sabemos, não vão dar em nada. Acabou. Pronto. Estamos todos ótimos e sem ressentimentos. Pelo menos é preciso mentir. Enganar o desejo, já que esse não vai nos levar a felicidade. Foi assim que nos despedimos para sempre sem nos despedir. Enxugue essas lágrimas e engula esse choro. Seja um homem e encare a vida de frente. Cada um para um lado, para seguir com a própria vida. Os planos e juras de amor ficaram lá. Não há lá lá. Tudo se perdeu em algum lugar do passado. Não foi o primeiro caso de amor perdido e não será o ultimo caso de amor perdido. Não se trata de desilusão. É só mais um amor que não deu certo ou deu certo por um momento, um breve e feliz momento. Não é assim a vida? A gente pode ficar só com as partes boas na lembrança. Quanto a fortes emoções: não gosto de transmitir afeto. Não sei. Confesso que não. Sou como meu velho pai. Homem não chora e quando chora o faz escondido. Ele me disse isso à vida toda sem me dizer. Minha garganta às vezes fecha quando penso nela, quando me lembro do seu jeitinho, da forma dela de me olhar, de querer me agradar. "Eu te amo e voce não tem nada haver com isso". Isso é problema meu. Eis o amor platônico. Tenho mais é que pensar em mim. Viver minha vida. Fechar essa porta. Fazer render minha felicidade agora. O eterno presente. Hoje é tarde e amanhã, ora amanha! Nem existe!

Depois de nove anos de casado, fiquei com a aquela sensação de quando pegamos açúcar na prateleira e por desatenção o pote inteiro cai e então voce se pergunta: - Porque raios fui  inventar de pegar o pote de açúcar? Sim, exatamente. No ressentimento é assim que funciona. Na marca. No trauma. Vá lá, pelo menos tenho emoção, sentimento. Não posso simplesmente fazer a faxina e tirá-la da minha cabeça. Ela sabe fazer isso muito bem. Dói. Uma dor profunda e aguda. Uma falência.  Uma triste verdade. Ruim amar demais. Adoraria ser um desses canalhas sem sentimentos. Pareço confuso? É assim mesmo. Penso tudo isso andando pelas ruas da cidade maravilhosa e quente. Rio 50 graus, quem não agüenta passa mal! Vagando por entre os moribundos, vagabundos e todo o resto. Odiando e amando. Eis aqui um vivo!

Depois de uma longa caminhada para pensar na vida ou esquecê-la brevemente, parei para comer um sanduíche na Lapa. O bar lotado de torcedores fanáticos por futebol. O calor do verão castiga e a cerveja gelada é a tentativa do refresco que nunca vem e por isso bebemos infinitos copos de cerveja gelada. O ânimo entre as torcidas não é dos melhores. Parece que a disputa é de vida ou morte. Penso o quanto tudo isso é um grande e inútil sentido pra vida. Pelo menos eles têm um sentido pra vida. Ainda que seja sem sentido. Só buscar sentido faz sentido. Até arrisquei uma conversa com um torcedor que falava pelos cotovelos. Só depois percebi que não era um diálogo. Prefiro não ser como eles e fico lá sem estar. Deixei todos e fiquei sozinho no meio daquela multidão. Posso fingir que sou invisível quando quero. O garçom trouxe meu sanduíche e mais uma cerveja gelada. Minha mesa de quatro cadeiras e só uma delas está ocupada. Penso nela e meu coração indica fraqueza. Lembro do tempo em que vivia cercado de amigos. Procuro não pensar nisso. Concentro-me em todas as responsabilidades da minha vida adulta. No trabalho que preciso entregar amanhã; no apartamento que preciso encontrar amanhã; no filme que vou fazer na próxima semana; na peça que estréia na próxima semana. Vida louca é vida louca.  Não tenho tempo para sentir pena de si mesmo. Depois de tudo, estou morando numa pensão. Estes cantinhos úmidos que abrigam os solteiros, os poetas, os escritores e os suicidas covardes. Parece que me enquadro bem em todos estes rótulos. Não que eu seja covarde.

No bar tudo na mesma. Os torcedores continuam torcedores. De repente vejo na outra mesa uma mulher triste e ela me vê. Deve ter pensado o mesmo de mim. Mesmo porque minha cara não está nada boa. Arrisquei um sorriso que foi logo ignorado. Não sei por que resolvi arriscar, estava disposto a saber mais sobre aquela mulher triste. É um tipo de foco que pode tornar minha vida mais interessante. Era uma aposta. Chamei o garçom. Arrisquei um bilhete: Seja quem for que te faz sofrer não te merece. Assinei meu nome de solteiro. Cesar Frias. O garçom entregou o bilhete. Ela olhou pra mim, sorriu e leu. Meu coração gelou. Afinal era uma comunicação direta entre um homem e uma mulher e tudo poderia acontecer a partir daquele ponto. Quebrei o ovo da tartaruga azul, o universo inteiro entrou em fluxo de mudança. Os torcedores ficaram mudos. O garçom ficou surdo. As mesas flutuavam lentamente. O calor ficou frio. Quando o garçom chegou perto trazendo a resposta, houve um estalido e tudo voltou ao normal. Peguei o bilhete e estava escrito: - Não merece mesmo. Lucia. Levantei e fui até a mesa onde estava a bela moça. Era bonita. Tinha um olhar triste, mas era muito bonita. Um longo cabelo preto e liso, olhos verdes profundos, nariz grande, seios, pernas e uma boca carnuda. No trajeto que percorri até sua mesa o bar ficou vazio por completo. Mágica! Nem garçom, nem torcedores, nem mesas. Apenas eu e Lucia. Um espaço vazio, cheio de nós dois. Olhos vidrados um no outro. Pensei em pedir uma cerveja gelada, não precisei pedir uma cerveja gelada. A moça encheu meu copo com a cerveja mais gelada das cervejas geladas. Conversamos uma vida inteira, bebendo e fumando. Já estamos fazendo planos. A ex-mulher nunca foi tão ex. Espero que ela sofra. Que me deseje e sofra. Sempre digo para minhas ex-mulheres que sou o melhor homem do mundo e que um dia elas perceberão tarde demais. O pior é que eu acredito. E todas elas no fundo sabem que é verdade. Sou Cesar Frias. Sou escritor. Sim, sou do caralho.




2009-11-22

Mini purgo

Eu nao vou ficar aqui me defendendo. Não se trata disso. Não devo explicações a ninguém. Devo sim, a mim mesmo. Preciso acreditar e encarar a realidade de frente. Mesmo sabendo o quanto é difícil combater a preguiça. Inciar. Nova manhã. Acreditar no que sou hoje. Deixar o passado no passado. Os caminhos conheço-os todos. Tenho apenas que me concentrar mais. Fazer meu tempo render. Não é assim a vida? Para evitar que eu sofra amanhã, sofro hoje. Amanhã. Amanhã. Amanhã. Oh! Manhã do inícios!

2009-11-20



Na real.
Ainda gosto dela.
Do gosto.
Cheiro.
Mas ela não gosta mais de mim



Tem dia assim
assado
vermelho 
ardido




2009-11-16

bla da garganta

É....... como..... falar..... lennnnnntamente. Palavra..... por..... palavra.

Tento expressar aquilo que sinto agora. O que estou sentindo neste exato momento. No exato instante em que escrevo. Talvez voce já esteja lendo o passado, de certo não estarei sentindo assim mais. Então tento deixar uma especie de marca daquilo que sinto agora, mas que vai passar em algum momemto do dia.

Hoje acordei sem querer acordar. Achando tudo injusto, sentindo até pena de mim mesmo. E daí? Não posso enfraquecer, fracassar? Tenho sempre de estar acima disso tudo? Acredito em mim, nos Deuses, no que carrego. E ao mesmo tempo não acredito.

Para um homem como eu, tem sido difícil conviver com o desdém, com o abandono e a falta de interesse. Sim, me ressinto. Sou do caralho, mas me ressinto. Muito embora logo tudo isso não passe apenas de um mal pensamento.

Me querem de ferro, me querem forte, me querem bravo, me querem lutador, me querem com fibra e, também, me querem sensível, me querem leve, me querem calmo. Talvez seja isso o equilíbrio. Pensei em desistir de tudo e pendurar os calções. Mas quer saber, isso não vai ser assim. Não importa mais o querem de mim. Agora me importo com o que eu quero de mim, para mim, de mim para mim mesmo. Eu nao vou ficar fazendo nenhum tipo de jogo sujo. Vou jogar a meu favor para ser feliz. Por enquanto é só isso.

2009-11-13

Dá série - blablabla. Do apagão e a volta de Deus.


Há! Eu trabalho. Faço como todo mundo, acordo cedo e to criando até rotina. Pareço até gente grande, levando tudo a sério. As vezes tenho vontade de rir disso tudo. O ser humano é bicho esquisito, estranho mesmo. A gente fica lá, achando que é gente. No fim do expediente a gente vai lá e continua tudo novamente. Os macacos metidos a besta. Parece até que estamos indo para algum lugar. Que futuro brilhante.

No dia do apagão, esta semana, quando faltou luz no mundo, fiquei com a impressão que seria nosso fim. Finalmente Deus estava voltando em nuvens de mil mega-tons. Pronto para julgar os vivos e os mortos; em relação aos mortos não sei  como ele faria. Segundo as Testemunhas Jeová, os mortos vão sair da catacumba para serem julgados. Aquele monte de zumbis na rua sedentos por justiça. Fiquei até com medo. Vai que é tudo verdade. Esse medo virou até nervoso, testei minha fé e comi uma coxinha de galinha mesmo estando de regime. Pensei: se o mundo vai acabar mesmo, vou pelo menos morrer de barriga cheia. Sou nem besta, Creusa. Mas ai a luz voltou e Deus não. Ficou tudo na mesma. Tenho certeza que muitos crentes/evangêlicos de cruz e tudo, pegaram suas malas e ficaram olhando para o céu. Não sei o que faziam com malas. Será que na arca de Deus tem guarda-volumes? Serviço de bordo? Etc.? Fico imaginando a decepção. - Mulher, volta para dentro que não foi desta vez - disse um crente resmungando.

Nessa de Jesus voltar ou não, tivemos, quando digo tivemos me refiro a todos nós cristãos batizados na santa igreja autoritária de Roma, uma grande surpresa. O fato é que está semana Jesus veio. Se voltou não sei, mas que veio para o Brasil, não tenho duvida. A divindade está ai, mas assim como Judas quem brilhou mesmo foi a Madonna. Jesus que outrora fora crucificado, hoje vive como modelo e, quem diria, é marido da rainha do pop star. Jesus voltou e desta vez não quer saber de sofrimento. Mesmo porque, morrer na cruz foi um ato inútil. Estúpido mesmo. Serviu como referencia de calendário, mas não mudou muita coisa.  O ser humano continuou cagando no mundo e ainda cagou no mundo em nome de Deus. (A merda sangrenta das hemorróidas santas) Desta vez Jesus foi mais esperto, chegou com sua famosa namorada e hoje vai jantar com o governador Sergio Cabral (Pôncio Pilatos) e o prefeito Eduardo Paes (Judas Iscariotes). Ontem Jesus e a santa Madonna visitaram algumas favelas no Rio e passaram a mão na cabeça piolhenta de um monte de crianças miseráveis. Depois foram jantar em um restaurante japones no Jardim Botânico e posaram para fotos.

É sim, amigos. O mundo não acabou está semana, acabou faz tempo. Só esqueceram de nos avisar. Deve ser para evitar o pânico. Enquanto isso vou curtindo a vida do jeito que dá. Ainda solteiro. Ainda sofrendo por amor. Ainda com saudade dos tempos da escola. Ainda sem saber para onde estou indo. E blablabla curriola.

Deus queira que ele exista.

Amém.



Frase da semana

Pôncio Pilatos para o presidente Lula: - Quanto ao apagão lavo minhas mãos.

Judas Iscariotes para Jesus: - Proponho um swing mais tarde lá em casa. Eu, voce, essa gostosa da Madonna ao som de Like a Virgin. Que tal?

2009-11-08

"Quer tloco?"


Não sei se eles são Coreanos, Chineses ou Japoneses. O fato é que sempre que paro e como em uma dessas pastelarias espalhadas pela cidade, dessas onde somos atendidos por um ser de olhos puxados, que não sabe falar nada em português e quando fala parece o Cebolinha (Quer tloco? Quer de calne ou de clejo?), fico pensando de onde vieram estes sujeitos. Deve ser uma máfia, pois eles têm o mesmo estilo porco de ser. As lojas têm a mesma decoração e são nojentas e os salgados são bem paradronizados. Deve ser uma franquia, com curso para padronizar a porcaria que eles nos vendem. Certamente é uma máfia, até me arrisco ao criticá-los aqui. Pode ser que amanhã, eu acabe sendo "perseglido" por um monte de pigmeus de olhos puxados, chinelos e toalhas nos ombros. (pleguem o glodo!) Eu saboreio o pastel nojento bem devagar e fico reparando. Geralmente é uma família inteira, todos trabalhando feito escravos. Vivem para a pastelaria. Devem até achar estranho voltar para casa e tomar banho. Eles falam entre si na língua deles, rindo, como se estivessem dizendo: - Estes blasileiros são muito bulos. A gente calga na cala deles e eles ainda lambem os beiços. São uns tlochas. 
Eu fico lá, olhando para eles com um sorriso esperando descobrir algo importante. De onde eles vieram? Qual sua missão aqui no Brasil? São inimigos ou amigos? Sei lá.
Quero encontrar uma loja dessas que seja limpa, organizada, mas acho que isso é pedir demais. Eles teriam que abrir os olhos para ver a sujeirada.

Haiuuug!

2009-11-05

Arnaldinho Comenta Tudo Cheio de Opinião da Silva

Fico por aqui. Com essa conversa toda. O Arnaldo disse que blog é para burros ou seja lá o que for. Falou como sempre, do alto de seu pedestal encantado. Cheio de razão e argumetos que convecem seus leitores, que são os mesmos da Veja. De certo mais uma vez ele não tem razão de ser, mas tá lá com a pança cheia e a cabeça vazia. E o cara é cineasta, escritor e tem a TV dando vez. Um sem cú cheio de seguidores sem cú. Fico por aqui, escrevendo minhas coisinhas, criando meu fluxo. Não tenho nada melhor pra fazer mesmo. Quem sabe um dia encontro o Arnaldo numa festa e jogue uma meleque nele.

Chove merda!

2009-11-02

O4:24h.

Daqui a pouco vou acordar.
Participação especial de Fernando Lopes.

Leia meus contos em autores.com

Sarrabuxo e tratratra
Sáb, 24 de Outubro de 2009

© 2009 - Autores.com.br

Don Juan

Pensei em dizer alguma coisa. Calei-me e não disse nada. Absolutamente calado fui chegando cada vez mais perto. Inevitavelmente apaixonei-me. Foi amor a primeira vista. Ficamos ainda nos olhando, calados, por um longo tempo. Até que ela levantou e sumiu, desceu em meio à multidão. Mais a frente, tornei a me apaixonar. Nossos olhares se cruzaram quase sem querer. Gelei, era ela, a mulher da minha vida. Fiquei ainda pensando um tempo, olhando pela janela, tomando fôlego. No carro ao lado, me olhando uma morena. Passei olhando rápido e reparei que estava sendo reparado, meu coração bateu mais forte. Era ela, só podia ser. A mais bela entre todas as belas. Abri a janela para tentar fazer algum tipo de contato mais intimo. Outra coisa me chamou a atenção. Foi inesperado. A trocadora. Ela estava dormindo de boca aberta. Eu não havia reparado no formato de sua boca. Ela acordou com o solavanco e me pegou no flagra, tentei disfarçar mais era tarde. Nós já estávamos completamente envolvidos. Levantei e fui em direção a ela. Passei entre duas meninas, novas, talvez 22 anos. As duas me olharam e meu mundo se dividiu. Meu coração se fez dois e agora, sim agora, estava tudo claro para mim. Eram as mulheres dos meus sonhos. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, o ônibus parou bruscamente, a porta da frente se abriu, os anjos tocaram as trombetas e ela entrou como quem não dá a mínima para os outros pobres mortais. Caí de joelhos e gritei. Agora estou aqui, amarrado, tive um colapso nervoso. Já pedi as enfermeiras em casamento, elas ainda não aceitaram. Ainda.

Desconectado.

Curta metragem de Dora Sá e Fernando Lopes

Atotô


Fico, vai e foi.

São sei lá que horas e eu não estou nem um pouco afim de dormir. O dia clareia e os onibus passam dentro do meu quarto. Tem dia que o sono não vem e pronto. Me resta escrever no meu bloguinho, ler um bom livro do Fante, navegar pelos mares de outros blogs e mais nada. Na rede tem uns troços bem bacanas. Gosto sobre tudo de gente que tem humor, que sabe rir de si mesma.

Hoje é dia de finados. Dia de rezar pelos que já se foram, se é que foram. (Atotô Obaluaie). Eu já enterrei um grande amigo, então vou pensar nele e rezar pela alma dele. Embora eu acredite, por razões óbivias, que os mortos é que devem rezar por nós. Quando eu era criança tinha medo de fantasma, minha mãe dizia uma coisa que hoje faz muito sentido. Dizia ela que devemos ter medo é dos vivos. Mãe tá sempre certa, até quando está errada. De qualquer forma hoje é feriado então vou ficar de bunda para o ar, descansando para começar a semana. Como vivo, tenho muitos projetos, lançar meu livro é o mais importante deles. Sigo com coragem. Fico, vai e foi.

Berre!



2009-11-01

Feliz 10 anos.

Onde está voce além de aqui dentro de mim?

Finados

Sentei no bar com a malandragem. Bebi com as almas.

Beijo. Tchau.


Então vai lá. Boa viagem. Seja feliz em sua nova vida. Isso é o que importa. Ser feliz é o que importa. Ao menos tentar. Pensei que comigo voce seria diferente, mas voce age sempre desta maneira. Beleza vai lá. Pior é me sentir como os outros. Segue em frente. Nem precisa olhar para trás, melhor não olhar. A vida é sua. Voce não precisa de ninguém. Vai lá. Boa viagem.

2009-10-29




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Então fodam-se. Cambada de medíocre. Vão viver suas vidinhas inúteis na puta que os pariu. Sou macho o suficiente para viver com as feras. Eu não resisto a uma boa luta. O sangue nordestino que corre em minhas veias é quente e grosso. Não vou passar a vida inteira fazendo planinho para poder sentar minha bunda numa praia distante depois de um ano de trabalho forçado. Comigo o negócio é assim. Não me venha com conversinha mole. Escreveu não leu é analfabeto. Subiu não desceu morreu. Morreu se fudeu. Hoje é tarde e amanha nem existe. Se moscar na minha frente eu atropelo.
Tá avisado.




Não estou.
Volte amanha.





2009-10-25

Tá tudo dito entre nós


Porra. Odeio brigas. Não sou bom. Nunca fui. Sou fraco numa briga. Seja discutindo ou no braço. Sou um borra bosta. Minha natureza é de paz, quase bicha. Discutir não é brigar. Numa boa discussão há respeito, apesar do calor, da paixão pelo assunto. Brigar é agredir. Odeio fazer isso.

Hoje bati boca com um ser nebuloso, amargurado, infeliz e ressentido que me deixou péssimo. Caras como esses são difíceis de enfrentar. Eles não têm nada a perde, a vida deles é uma merda mesmo. Sempre foi e sempre vai ser. Fui pego de surpresa, quando vi estava numa briga infernal que não nos levaria a nada.  Tudo porque o jacu acha que é o dono da bola. Puta infeliz de merda. Depois fiquei pensando e me senti ainda pior. Humilhado por um pirralho de merda que grita como um homem, mas não tem cú. Um ser nebuloso, sebento e sem cú. Nunca mais vou discutir com um sem cú destes. Queria ter coragem para quebrar o nariz do puto, só assim tudo isso faria sentido. Se ao menos a gente saísse no soco talvez eu estivesse menos machucado. No fundo, bem no fundo, tenho pena deste sujeito. Cheio de coragem e sem cú. Vai acabar sozinho ou louco ou os dois. Mas nunca vai ser feliz, pois não tem cú. Eu vou pegar meu cú e tira-lo da reta deste sujeito sem jeito.

Quando a gente tá na merda sempre aparece um sem cú destes para piorar de vez. Que seja!

Sai fora jacu de merda. Volta para tua terra.




e quando estamos no buraco

Sim, estou no buraco. Numa fase difícil da vida. Talvez um momento de amadurecimento. Certamente um momento de amadurecimento. Crescemos na dor. O fato é que é um buraco. Já estou vendo a luz no fim do túnel, mas foi uma luta dura até aqui.  Um buraco profundo. A vida é assim, estamos lá, um dia, cheios de si e quando percebemos, tudo pode ter virado um inferno. As coisas podem dar errado e dão. O importande é não deixar de acreditar em si mesmo. A fé é algo espantoso. Estamos vivos. Queremos estar vivos. Fiz escolhas erradas na vida, mas fiz outras muito certas. Para tudo há uma solução, mesmo para morte que não existe. O maravilhoso é que, mesmo nos piores momentos, não estive só. Nunca estive só. Minha força para continuar na luta são meus verdadeiros parceiros. A familia que escolhi e que me escolheu. Essas pessoas evitaram minha derrota, minha tragédia. Este é meu verdadeiro tesouro.

2009-10-24

Bar doce bar


Cosseira no orifício da cavidade anal.


O cú de todo mundo cossa. Tem aquele momento íntimo em  que o cú se manifesta e discretamente arrastamos a ponta do dedo para alívio da tensão. Fico imaginando aquelas mulheres magnificas, insuportáveis de tão belas, cossando o cú. Sim, pois cú de mulher bonita também cossa.


Passei aqui só pra dizer isso.


Macacú

2009-10-23

Lapide



Trabalhou até desistir 
Resistiu até sucumbir 
Jaz aqui o morto 




L.A.P.A

Andei pela Lapa com minha latinha de cerveja na mão a procura de alguém para aquecer meu coração. Fito algumas mulheres que parecem ser interessantes e tento uma aproximação simpática. Uso meu melhor vocabulário para debater sobre o eterno presente, o hedonismo e blablabla curriola. Falamos e bebemos; bebemos mais do que falamos e olha que falamos bastante. Entre cigarros, cervejas e monólogos as duas começaram a se interessar por mim. Certo, não esperava por menos, estou num dos meus melhores dias. Como é do meu feitio, deixei a coisa correr muito solta. Um bom malandro sabe que isso é fatal. Acabei a noite como de costume, punheteiro solitário. Deu ao menos para esquentar um pouco o coração.

2009-10-22

!@#$@%$@#%@#

Sou um cara bobo, bobão, palerma mesmo. Sou também do caralho por isso, tenho pouca vontade de não ser desta maneira. Gosto da minha forma de ver o mundo. Como criança olho, vejo e me relaciono. Sou isso e quero ser isto. Assim mesmo é que sou. Não me venha querer me ensinar a ser de outra forma. Peido não sua cara e cuspo.

2009-10-21


Uísque combina com qualquer assunto

blablablablabla

Sou do tipo que gosta de gente, gente em volta, gente em cima, gente em baixo. Na média sou amado por muitos e considerado pela maioria. Gosto assim. Sou chegado em gente de todos os tipos. Sou bom relações públicas. Nem me esforço muito, geralmente às pessoas são muito agradáveis comigo. Gosto dos bonitos, dos feios, dos de todas as cores. Difícil mesmo é aturar os chatos, no meio da galera tem sempre um ou uma. Eles adoram andar com gente legal. Deveriam ter o bom senso de andar só entre eles, mas se tivessem esse tipo de consciência não seriam chatos. Como definir se uma pessoa é chata? Pergunta difícil. Sei apenas que quando reconheço um desses, sou o primeiro a dar as costas. Não dou nem tchau. Os chatos têm uma característica bem comum, se levam a sério demais. Levam a vida numa seriedade, como se tudo isso que somos não fosse uma piada de péssimo gosto do criador. Gente chata acha que não é bicho.

2009-10-20

Para Suzy com amor



Suzy trabalha de recepcionista em um salão de beleza no centro da cidade. Ela é sempre a primeira a chegar. Típica funcionária exemplar. Ouvi dizer que ela mora longe. Sempre sai de casa muito cedo, se enfia numa condução super lotada e quando o patrão chega para abrir a loja, ela já está na porta fumando seu cigarro de filtro vermelho. Às vezes tenho vontade de ser o cigarro de filtro vermelho da Suzy.
Suzy não é feia, também não é bonita. Tem umas pernas grossas e um charme de mulher decidida, que não se importa com mais nada a não ser com o trabalho que garante o seu sustento. Gosto destas mulheres que fazem questão de mostrar para o mundo sua alto-suficiência, que parecem não precisar de homem algum. Sempre a vejo passando com passos decididos. Suzy sempre sabe para onde está indo. Por isso tudo ela é tão encantadoramente linda.
Estou trabalhando de segurança noturno, para fazer um bico, enquanto a carreira de escritor não decola. Como podem perceber acabei me apaixonando por Suzy. Sempre a vejo chegar e esperar por seu patrão na porta do salão. Meu setor de vigília é exatamente a rua onde Suzy trabalha. Rua Santa Luzia, Centro. Suzy é como lhe chamo carinhosamente. Não sei seu nome verdadeiro e não procurei saber, para mim Suzy basta. Ela é minha namorada, só não sabe disso. Ainda. Poucas mulheres tiveram a honra deste titulo. Ser minha namorada não é para qualquer uma. Sou Cesar Frias, escritor. Sou profundo, sou magnífico. Caralho. Bem, sim, sou do caralho. Um sujeito como poucos. Talvez, as coisas estejam um pouco fora do rumo, por enquanto, mas logo tudo se ajeita e finalmente serei reconhecido pelo meu talento. Suzy é uma mulher especial, sei disso. Meu coração nunca erra. Talvez, tenha errado uma ou duas vezes, mas nunca mais que três. Suzy e eu fomos feitos um para o outro.
Todos os dias, impreterivelmente, às cinco e meia da manhã, sem que ela saiba, vou ao seu encontro no ponto onde desce do ônibus e acompanho-a, como seu segurança particular, até a porta da loja onde trabalha. Sei que ela se sente segura com minha presença. Posso sentir. Posso ouvir as batidas tranqüilas de seu coração. Posso ouvir seus pensamentos: - Ainda bem que você está aqui, meu herói.
Um dia resolvi fazer um teste, para ver se Suzy sentia mesmo minha falta. Às cinco e meia da manhã, como de costume, fui esperá-la chegar, mas desta vez, me escondi próximo ao ponto de ônibus e fiquei de longe observando a reação de Suzy. Quando o ônibus partiu, deixando-a sozinha, no escuro, em pleno centro da cidade, ela olhou para um lado, para outro, baixou a cabeça, respirou fundo e caminhou depressa. Meu coração se encheu de alegria, estava tudo claro para mim. Eu era importante na vida de minha amada. Não me resta duvida, agora eu só preciso de uma oportunidade para poder me aproximar e, simplesmente, beijá-la. Não haverá resistência da parte dela, afinal ela encontrara um homem que a fazia se sentir segura. Uma mulher, por mais decidida que possa parecer, sempre sonha em se casar na igreja com seu príncipe encantado. Eu estou para ela como ela está para mim.
Estou alguns dias sem dormir de tanta ansiedade. Passo as noites esperando por Suzy e de dia pensando em como fazer acontecer o grande encontro apaixonado. Tudo aconteceria como num filme de amor: Nossos olhares se encontrariam, quase que por acaso, e seria amor a primeira vista. Primeiro paixão. Faríamos sexo em todos os cantos da casa, nos beijando como loucos apaixonados. Depois viria o amor e a vontade de ficar juntos para sempre. Vamos ter filhos. Dois moleques. Um menino e uma menina. Não, o melhor mesmo é deixá-la decidir. Ela vai adorar. Eu a farei muito feliz.
Agora só resta encontrar uma maneira d’eu me aproximar de Suzy. Minhas roupas estão esfarrapadas. Minha barba está mal feita. Talvez ela não ligue para essas coisas. De qualquer forma não posso me apresentar assim, com este aspecto sujo e desleixado. Vou precisar fazer a barba, comprar uma camisa bacana, um bom perfume e vai dar tudo certo. Faz tempo que não me aproximo de uma mulher. Só de pensar minhas mãos ficam suadas. Tenho medo de espantá-la para sempre. Deus, não pode ser tão difícil assim. Deve haver alguma maneira mais fácil. Sei que ela está só esperando que eu tome a iniciativa. Posso sentir sua ansiedade. Ouço seu pensamento: - Eu serei sua, basta você pedir, serei sua para sempre.
Não suportarei se algo sair errado. E se ela for comprometida? Se ela não gostar da minha conversa? Se já tiver filhos? Ela deve me achar um covarde e, mulheres como Suzy, não gostam de caras covardes como eu, que não sabem conquistar uma mulher. Eu e minha grande covardia. Minha falta de culhão. 





2009-10-18

Nada a declarar

Tenho pensado e isso não tem me feito muito bem. Vou parar de querer pensar demais. Toda tragetória tem um momento de escuridão. Minha vida tá no escuro total. Moro mal>como mal>fodo mal. Ok, também não sou do tipo que fica se lamentando pelos cantos. Mesmo porque nasci pobre pacas e até onde sei, pelo que me dizem, subi na vida. Tudo poderia ser bem pior. O ruím é ter que conviver comigo e minha saudade eterna e alguma coisa que já nem existe mais. Uma porra esse negocio de ser sentimental.

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Não se trata disso. Não sou do tipo que gosta de fazer esforço criativo. Gosto de escrever quando algo realmente já está pedindo para sair da minha cabeça, daí o esforço é mínimo. Merda, nem sempre é assim. Já foi. Agora a freqüência de idéias que querem sair da minha cabeça está cada vez menor. Deve ser algum tipo de crise. Sigo aqui tentando, mas sem fazer muito esforço, como é do meu feitio.

2009-10-17

A segunda morte de Hélio Oiticica - LUTO

Um helicóptero da polícia foi abatido por traficantes. Guerra no morro dos macacos. Chineses morrem em explosão em casa de fogos na China. Avião cai e mata quatro pessoas. Tudo isso foi dito pelo reporter na televisão, isso tudo não foi nada diante da noticia do incêndio que destruiu 90% da obra do artista plástico Hélio Oiticica. Isso sim é uma tragédia!

Um pouco de Hélio Oiticica:
Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Estudou com Ivan Serpa após 1954, e entre esse ano e 1956 integrou o Grupo  Frente, aderindo posteriormente ao Movimento Neoconcreto  e tomando parte nas mostras realizadas entre 1959 e 1961 no Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Integrou também a representação do Brasil na exposição internacional de arte concreta realizada em 1960 em Zurique, na Suíça, e esteve presente nas coletivas de vanguarda Opinião 65  e Opinião 66, Nova Objetividade Brasileira e Vanguarda Brasileira, realizadas entre 1965 e 1967 no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, expondo ainda na Bienal de São Paulo (1957, 1959 e 1965) e na da Bahia (1966). Até 1959 Oiticica ainda se conservou fiel aos veículos e suportes tradicionais da pintura. Reduziam-se seus quadros de então a efeitos cromáticos e de textura obtidos unicamente com a aplicação de branco, e revelavam um ascetismo que o desenvolvimento posterior de seu trabalho iria desmistificar. Nesses primeiros quadros via-se já muito nítida a tendência do artista a superar o plano bidimensional, pela utilização da cor com evidentes intenções espaciais. Abandonando o quadro e adotado o relevo, bem cedo incursionaria Hélio por novos domínios, criando seus núcleos e penetráveis, para chegar em seguida à arte ambiental, em que melhor daria vazas a seu temperamento lúdico e hedonista. Surgem assim, de 1965 em diante, suas manifestações ambientais, com capas, estandartes, tendas (parangolés), uma sala de sinuca (1966), Tropicália (1967, um jardim com pássaros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos), Apocalipopótese (1968, reunindo várias manifestações de outros artistas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro), etc. Todas essas experiências serão objeto de importante exposição efetuada em 1969 na Whitechapel Gallery, de Londres - no seu dizer, "uma experiência ambiental (sensorial) limite". Em setembro de 1971, de Nova York onde se fixara, o próprio Hélio Oiticica, em texto difundido na imprensa carioca, assim se expressava: "Se há gente interessada em minha obra anterior, melhor, mas não vou expô-la ou ficar repetindo ad infinitum as mesmas coisas; não estou aqui para fazer retrospectivas, como um artista acabado; estou no início de algo maior; quem não entender que se dane; procurem-se informar melhor e respeitar idéias e trabalho feito". Hélio Oiticica, que em 1970 tomou parte em Nova Iorque na mostra Information, organizada pelo MOMA, recebendo nesse mesmo ano bolsa de estudo da Fundação Guggenheim, viveu nos Estados Unidos até 1978, quando regressou ao Brasil e de novo se fixou no Rio de Janeiro, iniciando então a última fase de sua breve carreira. Em 1981, um ano apenas após sua morte, seus irmãos Cesar e Cláudio criaram o Projeto Hélio Oiticica, destinado a preservar material e conceitualmente a obra do artista de quem a Galeria São Paulo, em 1986, levou a cabo importante exposição intitulada O q faço é Música, cujo título retoma um texto de sua autoria: "Descobri que o que faço é MÚSICA e que MÚSICA não é "uma das artes" mas a síntese da conseqüência da descoberta do corpo". Nos últimos anos, em nível inclusive internacional, a importância de Hélio Oiticica como artista seminal dos novos desdobramentos da arte ocidental de fins do século e do milênio tem sido posta em destaque através de exposições itinerantes realizadas entre 1992 e 1994 em Paris, Roterdã, Barcelona, Lisboa e Mineápolis, sala especial na Bienal de São Paulo em 1994 e participação nas Bienais de 1996 e 1998 etc. Por fim, ressalte-se a criação no Rio de Janeiro, em 1996, do Centro de Artes Hélio Oiticica.










2009-10-15

Homem solitário procura mulher para sexo fácil


Eu sou insurpotável: sou metido, falastrão, cago regras, me acho o melhor em tudo, gosto de discutir relação, adoro conversas longas, bebo bastante, não sou generoso, não tenho dinheiro, não sirvo para nada, não acredito em fidelidade, não gosto de trabalhar, não vou a igreja, julgo o mundo sentado na mesa de um bar, fumo, sou gordo, não sou educado, falo palavrão, fujo de briga, sou tarado, punheteiro safado, frequento inferninhos, durmo demais, chego atrasado, sou egocentrico, chato, engraçadinho, ando de cueca pela casa, não quero ter filhos, gozo na cara, adoro miojo com salsicha, sou anarquista, to pouco me fudendo para o meio ambiente e tenho poucas qualidades.


Procuro mulher do mesmo jeitinho para relacionamento aberto sem compromisso. Garanto boas risadas e muitas gosadas. Quem se interessar favor deixar um recado em minha caixa postal.

2009-10-12


Micro conto sujo


Então a dona da pensão, um padre viado, marinheiro, que juntou dinheiro e comprou um prédio inteiro, colocou por debaixo da porta do meu quarto um bilhete abusado de cobrança:

Favor pagar o aluguel do quarto antes que
eu seja obrigado a tomar as medidas legais.
Ass.: Pe. Marcos

Eu não estava atrasado. O aluguel venceu ontem, Sábado. Só não tive tempo de entregar o dinheiro que já estava comigo desde Sexta. Bicha filho da puta. Peguei o dinheiro enrolei na merda do bilhetinho e fui até o quarto da bicha divina. Bati forte. A bicha não respondeu. Gritei. A bicha desligou a luz. 

- Tá com medo de quê viado, toma a porra do teu dinheiro e enfia esse bilhete no olho do teu cú.
- Pode por o bilhete e tudo por baixo da porta. 

Disse a bicha com voz trêmula. Sou um homem grande com cara de mal, ela deve ter se borrado toda.

- Se voce quiser seu dinheiro vai ter que abrir a porta.

A luz do quarto do padre acendeu e a porta abriu lentamente. A bicha filha da puta colocou só a cara pra fora. Puxei a porta com força bruta esmagando seu pescoço entre a porta e o portal. Ela gritou algo estrangulado que não entendi. 

- Escuta aqui viado de merda. Pega essa porra de bilhete enfia no teu anus. Nunca mais me cobre desta maneira indelicada. Eu sou um homem sensível, fico logo ofendido e quando isso acontece sou capaz das piores barbaridades.

Disse isso enfiando o bilhete com o dinheiro na boca da bicha sufocada. Soltei e ela ficou caída chorando no chão sujo da merda desta pensão horrorosa. Dei as costas, acendi um cigarro e com voz calma disse:
 - Boa noite Senhor Padre. 

No outro dia, ao sair para o trabalho, encontrei a bichona velha varrendo a portaria do prédio com um lenço enrolado no pescoço. Passei e ela, sorrindo, me ofereceu uma xícara de café. Bicha safada.

Dia santo


Hoje foi um dia de descanso da maratona de festas do fim de semana. No Sábado um casamento e no Domingo aniversário de um ano do meu sobrinho mais novo. Os dois eventos foram como esperados. Revi alguns amigos. Falei algumas merdas ao pé dos ouvidos e não fui capaz de comer ninguém. O que importa é que hoje foi feriado e pude curtir minha ressaca na beira da praia. Comecei a ler um livro de contos do Bukowski ("Ao sul de lugar nenhum") e um livro de auto-ajuda, acho que estou precisando, de autoria de Alexandre Lowen. Famoso psiquiatra, criador da Bioenergética, discípulo de Reich, dizia que o paciente deprimido é uma pessoa sem fé. Esqueci de mencionar o nome do livro em questão, chama-se "Medo da Vida", e quem não tem?
Agora imagine a seguinte cena: uma praia com um monte de mulheres bonitas e desprovidas de vergonha, usando biquínis que tapam só os orifícios, uma cadeira confortável de frente para o mar, uma bolsa térmica com algumas latinhas de cerveja gelada, os dos livros já mencionados e um monte de tempo livre. Esse foi meu dia de descanso. Isso é o que tenho para escrever hoje. O resto é silêncio e uma punhetinha no final da noite.

2009-10-11

@!#$%$¨¨&*¨&()

       Tempo
Passando
       Vivenciando
Tropicando
         A vaca botou ovo
                        Tem que pagar as contas
              Homem
       Sucesso
 Desejo
             Sonho do sonho
Não me venha
                                     Com esse papo
                                              Catiripapo
Estética
     Estática
          Estrada
              Estala
                   Escola
                                                         
                       Onde aprendi a ser filho da puta?


Onde aprendi a ser, filho da puta?
                                            Retiro-me
                                                                                             Queixo-me
       Jugo - julgo
Não me venha com essa de pressa
                Voce perdeu o assento
                                   Já faz tempo
                                                               Orgulho de puta
               Noite de noite
Sigo me lambusando de beira de praia

2009-10-07

Aos bons encontros inesperados.

Adoro encontrar gente amiga, esse tipo de acaso na cidade é sempre carregado de mistérios e surpresas, quase sempre felizes. Essa baderna me excita, principalmente nos momentos que acho que meu coração está batendo á-toa. Sabe aquelas noites que voce está fazendo tudo para encontrar algum tipo de sentido pra vida, então voce caminha na cidade e, por acaso, encontra gente que tá disposta a viver e ser feliz e ai, por acaso, a vida volta a fazer sentido e voce se sente parte de algum tipo de plano? Nesse caso nada é por acaso.
Um bar, gente amiga e cerveja, do que mais precisa um homem? De fámilia? Não, claro que não.

Eu 'to solteiro faz pouco tempo, sofri e agora já passou. Não sou do tipo que sente pena de si mesmo e nem fico remoendo, ressentindo. O que passou tá lá, guardado na experiência e não no trauma, sem marcas. Tive raiva e certamente vou ter ainda muitas vezes nesta minha vida, tenho sangue e adoro sentir raíva. Existem momentos que a raiva é sadia e faz crescer. Não é algo que se procure, mas quando acontece deixo queimar até a ultima chama.
 
Hoje vi uma pessoa, amiga dos amigos, sofrendo verdadeiramente de amor, passando por todas as fases num espaço de tempo curto; sentiu-se um lixo, brigou, chorou, bebeu, riu e sentiu raíva. Sei bem o que é isso. Com ódio fez uma das coisa que resolveu minha vida. Foi um momento sublime de elevação quântica, partículas subatômicas de paz fluiram pelo universo inteiro. A sujeita pegou uma garrafa de cerveja vazia, perguntou para alguém na mesa se podia quebrar, esse alguém respondeu que sim sem acreditar.  A maluca jogou com vontade, fazendo a garrafa se espatifar no chão de paralelepipedos como um ovo da tartaruga azul. Toda a cena durou menos de um cegundo, mas foi o suficiente para transforma o universo. A medida corajosa da ação/reação inesperada da sujeita com ódio fez o mundo parar de girar, voltando logo em seguida. Senti, naquele instante, que toda a raíva do mundo havia deixado de existir por alguns minutos, uma supensão no espaço e no tempo. Na China um homem que batia na esposa, a beijou longamente e depois continou o castigo. Na África um Leão faminto deixou fugir um antílope que já estava dominado. Senti tudo isso passar por mim e arrisco dizer que se mais garrafas fossem quebradas com raíva não haveria guerras. Quanta besteira... Quanta força bruta...  Quanto exgero. Adoro!
Uma coisa é certa, dá próxima vez que sentir raíva, por qualquer motivo, espero que tenha garrafas de cerveja por perto. Uma delas, no mínimo, vou espocar no chão. Santo descarrego!

2009-10-06

Sarrabuxo e tratratra


Andando pelas ruas da cidade, passando em meio a tantos e tão poucos de mim, preso em meus pensamentos, desviando de tudo vou até o fim. "Não sei onde estou indo só sei que estou no meu caminho". Passa velho, branco, negro, grevista e pelego; passa mulher bonita, feia, sem jeito e com jeitinho de moça prosa; passa pobre, passa rico, passa você e passa eu também; passa boi, passada boiada, mas aquela que quero nunca passa; passa mendigo, nordestino, argentino e sem destino. Nas ruas da cidade, em meio a prédios que arranham o céu, um formigueiro inteiro de HOMENS e coisas que parecem HOMENS. Tudo em movimento, cada um carregando sua própria cruz, vindos de lá, de cá e indo para qualquer lugar. Vejo os sofrimentos, as alegrias e eu, que não sinto nada, passo carregando todo o peso do mundo em minhas costas. Aquele pobre homem deitado no chão, esfarrapado e solitário, não é diferente de mim. Penso na flor que um dia esteve em meu jardim e esqueço um pouco de tudo que vejo, esqueço um pouco de mim. Caminho pelas as ruas da cidade para evitar que em meus pés nasçam raízes, quero balançar e simplesmente ao vento me desfazer como bola de sabão. Tem dia que me sinto um chiclete amassado num canto sujo da cidade, de vez em quando vem alguém e pisa levando um pedaço de mim na sola do sapato. Se me falta coragem, me sobra vontade e vou seguindo a passos leves e pesados na solidão que assola e consola. A cidade não para, só cresce, o de cima morre e o debaixo mata, o debaixo morre, o de cima oprime. No jogo limpo da cidade a trapaça é regra (RIO 171). Passa a policia, corre o camelô e escorrega na merda da calçada. A calçada é um monte de merda cercada de buracos por todos os lados. Por que não fazemos uma guerra de pedras portuguesas? Pega policia, pega ladrão, não fica um negão, nem brancão. A cidade tá sempre lá, vai-se o homem fica a cidade. O rabecão levou o homem que não era eu e outro já estava por perto, na fila para o necrotério. Hoje tem sopão de graça na praça, a cidade é uma graça. Vai chover? Será que vai da praia amanha? Quando acaba a greve dos bancos? Você vai assistir algum filme do festival? Que horas abre o puteiro da Lapa? Sem respostas para minhas indagações pouco filosóficas vou cagando e andando. Vou mijar andando e se dé mole pra mim eu como.

Você é má

Zeca Baleiro  

Composição: Joãozinho Gomes

Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nem um olhar
Nunca falou tudo bem
Tem, mas não dá
Sorrir jamais lhe convém
Você é má
Mas há de ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, não perde o trem
Sabe nadar
Mas nada sabe de alguém que sabe amar
Eu quero ser seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
E você mata!
Vá se danar!
Você dá nada a ninguém
Nunca dará
Nem mesmo um simples amém
A deus dirá
Diz que não vai à belém
Você é má
Mas pode ter um bem
Você dá nada a ninguém
Vá se danar!
Danada, finge tão bem
Sabe negar
Jamais dá a quem tem demais pra dar
Mas eu serei seu bem
Você é má
Você é maluca
Você é malina
Você é malandra
Só não é massa...
E você magoa
E você massacra
E você machuca
Você mata!

2009-10-04

Passeio de Domingo

Os macacos vão ao museu e se labuzam de arte. Nem percebem que são arte ao mesmo tempo. Somos um bando de macacos cagadores de regras, criadores de bons costumes e maneiras decentes. Entre nós tinha um macaco um pouco mais macaco, que não estava nem ai para os narizes impinados dos grandes entendedores de arte. O macaco chutou tudo, julgou, não entendeu e cuspiu. Alguns outros macacos polidos até acharam graça, como quem sente pena e rir da desgraça do menos refinado. (Olhem que bonitinho, nunca veio ao museu) Alguns outros levam aquilo tão a sério que chegam a ficar com raiva da falta de sensibilidade ou capacidade do macaco sem modos, como se aquilo tudo realmente fizesse diferença em suas vidas mediocres e controladas. Segui pensando no tipo de macaquice que quero fazer para tentar chegar dentro dos macacos, até os menos refinados, principalmente eles, e virá-los do avesso.

Marca registrada - By Macaco


A cachorrada carioca


da série Rio171 - Olimpíadas

Estávamos eu e Rorras de carro a toda velocidade, cortando a cidade da Zona oeste para Zona Sul. Madrugada de Domingo. Transito escorrendo bem. Nosso carro deslizava pelo asfalto. Chegamos as Laranjeiras, bairro de artistas e intelectuais. Na rua principal havia um agito de balada noturna, muitos carros e todo o tipo de gente bonita. Tudo estava ótimo até a cachorrada, com seu faro fino e olho vivo, sentir cheiro de lingüiça. Passamos embalados pelo cruzamento da Rua Alice no mesmo instante que uma patrulhinha fazia sua rondinha. O Rorras, cheio de alto confiança ao volante, não lhes deu passagem, feriu o orgulho da autoridade semi-analfabeta de plantão. Blitz, documento! Eles vieram atrás e nos fizeram parar. Pensei rápido: agora vou esperar os dois saírem do carro, saco minha pistola e deixo os dois se debatendo no chão em meio a poça de sangue. Pena que não tenho uma pistola, só a de cola, mas besuntá-los de cola quente não seria uma boa idéia. Um dos policiais chegou pela janela do motorista, um rapaz novo, de bigodes e os dedos da mão pesados de tantos anéis de ouro. Quase mando tirar os anéis, onde já se viu, um militar com penduricalhos parecendo um pai de santo de quinta categoria. O outro policial era mais velho, com cara de professor, cheio das velhas artimanhas para arrumar um dinheiro dos motoristas. Se eles fossem honestos não haveria espaço para tantos carros irregulares nos depósitos públicos. A situação faz o ladrão e eles tem o emprego certo.
O mais jovem pediu os documentos do carro e habilitação com certa educação, enquanto o mais velho, com cara de pai de família, ameaçava apreender o carro. O velho golpe do Cosme e Damião, um bate o outro assopra. O Rorras está com sua habilitação vencida e isso certamente é motivo para apreensão do veiculo, ponto para a cachorrada. O circo estava armado: o cachorro velho pegou os documentos, falou no rádio, chamou reboque... O cachorrinho aprendiz de corrupto veio logo com o papo mole de que tudo seria difícil se o carro fosse para o deposito e etc.

- O que vocês podem fazer por nós – Mandou a gente entrar no carro para decidir o que podia ser feito.

Nessa hora eu pensei em tirar meu sinto e bater naquele moleque arteiro, depois coloca-lo de castigo.
Dentro do carro eu e Rorras decidimos não dá nada ou quase nada.

 - Vamos humilhar a cachorrada – Falei puxando uma nota de dois reais

 - Reboque a essa hora da madrugada, duvido – Disse o Rorras puxando uma nota de cinco

O guardinha chegou perto da janela do carona e recebeu a triste notícia. Com a gente ele só arrumaria problemas. R$ 7,00 (Sete Reais) não compram dois cachorros quentes em Laranjeiras, mas era tudo que estávamos dispostos a dar, era pegar ou largar. A Cachorrada esfomeada não dispensa nada. O Guardinha reclamou um pouco, mas sacou a nossa, que sacamos a dele. [Apreensão do veículo àquela hora ia dar um trabalho e gente sabe que esse povo não está ali pra isso] Pegou a merrequinha e cascou fora. Fizemos a manobra mais à frente e ainda vimos os dois parados próximo a barraca de cachorro quente. O Rorras buzinou e eu acenei como se fossemos velhos amigos. Ambos tiveram que responder com sorrisos amarelos. Porcos fardados. No fundo eu gostaria que eles fossem honestos e apreendessem o carro, mas isso é pedir demais.